Presidente da Cosan (CSAN3): “O país não pode parar com as reformas”

Rebeca Torres
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Crédito: Reprodução / Portal Raizen

Em live promovida pelo jornal Valor Econômico na manhã desta segunda-feira (27), o presidente da Cosan (CSAN3), Luís Henrique Guimarães, falou a respeito sobre como o setor privado vem enfrentando a crise causada pelo novo coronavírus.

Ele comentou também sobre a atuação e agenda do governo federal, além do Congresso e Judiciário durante a pandemia.

A Cosan, grupo privado com negócios nas áreas de energia, logística, infraestrutura e gestão de propriedades agrícolas, reportou lucro líquido de R$ 792,5 milhões no quarto trimestre de 2019, número 40,3% menor que os R$ 1,327 bilhão de um ano antes.

Como o grupo Cosan está enfrentando o impacto da Covid-19

Guimarães conta: “Como fazemos parte das atividades essenciais, continuamos em funcionamento, atendendo atendendo clientes todos os dias.”

“É uma crise sem precedentes em que ninguém tem as respostas certas. Estamos escrevendo um novo capítulo na história da humanidade, de como é que se balanceiam saúde e economia, economia e saúde. Isso acho que é o mais difícil neste momento. Como é que a gente como executivo, como empresário e cidadão, equilibra isso o tempo inteiro”, continuou.

”A gente tem feito processos internos de comitês de crise e pós crise pra olhar o assunto e dividindo muitas experiências entre as empresas e executivos, dando muita delegação para as pontas porque no fundo a gente precisa tomar decisões muito rápidas que mudam a todo momento. Continuamos trabalhando duro como empresa”, complementou.

Impactos da crise nos diferentes setores da empresa

O diretor da Cosan revela: “Começando pelo negócio de transporte, logística, ferroviário e portos que é a Rumo Logística, obviamente a gente está se beneficiando neste momento de uma safra recorde no Brasil e de novo o agronegócio vem mostrando a pujança de nosso país”

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“A importância para a cadeia de alimentação global vai continuar, independente se as pessoas estão mais tempo em casa ou na rua se alimentando. Então, a gente vem com todas as operações funcionando normalmente, tanto no que se trata da malha ferroviária Norte que vai até Rondonópolis, quanto da malha Sul, nos portos de Santos, Paranaguá e todos os nossos armazéns”.

”E nosso grande desafio nessa unidade de negócios é garantir que a gente não tenha contaminações em massa nas nossas operações. Então, existe demanda, volume a ser embarcado, mercado que está receptivo a isso, não só na China mas no Oriente Médio e no mundo inteiro”, diz ela .

“Tomamos várias medidas, como aumento de EPIs, distanciamento social, processos de testes também e toda assistência necessária ao time, pois a maioria está em campo, seja nos trens,  seja nos armazéns ou nos portos”.

”Já na Comgás, nossa concessionária de distribuição de gás no estado de São Paulo, temos impactos distintos na demanda, começando comércio, em que, com o fechamento de bares e restaurantes, tivemos uma queda em torno de 50 a 60% nesse segmento”, explicou.

“No ramo industrial tem também variação no que está fechado, tem indústrias de alimentos, higiene, limpeza a plena carga, em volumes maiores, mas, no composto industrial, a redução de demanda está em torno de 35 a 40%”, frisou.

”E por último, na área residencial a gente vê um crescimento que chega até 10% com o aumento do número de refeições em casa e das pessoas mais tempo dentro de casa”.

Como ele vê as diferenças entre as empresas

Já quando questionado sobre como ele vê as diferenças entre as empresas, ele respondeu: “A gente tem a empresa Raizen Combustíveis que é composta por várias usinas e a Raizen Energia que é fornecedora de várias distribuidoras. Nossa prioridade é abastecer o Brasil, abastecer com qualidade e responsabilidade.”

Guimarães avalia: “Estamos na cadeia de Petrobras, produtores de etanol, produtores de biodiesel e distribuidoras e tivemos maturidade pra sentar à mesa, nas suas relações particulares porque são relações individuais, discutir, ver as diferenças e chegar a um termo que fosse factível de ser implementado”.

 Necessidade de socorro no segmento de combustíveis

”O desafio é o de uma queda brusca de demanda. Na prática você desacelerou todo o processo de consumo no mundo inteiro e obviamente, com a entrada da safra de etanol, os preços estão sofrendo bastante”, observa.

Sobre quanto tempo o mercado deve levar pra voltar à normalidade, o presidente da Cosan foi enfático: “A gente vive uma época de enorme incerteza. O único país que de fato voltou da quarentena é a China. O resto do mundo está em um processo transitório, todos da Europa principalmente estão mais avançados que a gente”.

”O importante é entender como deve ser a forma da volta. Estamos vendo vários governadores trabalhando de forma extremamente profissional, com planos de retomada”, diz ele.

“A gente acha que essa volta em vários lugares começará em maio, dependendo obviamente do ritmo da volta e decisão de novo pela ciência na preservação da vida. Isso vai voltar a acelerar o consumo de combustível porque é o primeiro segmento que volta. As pessoas voltam a se movimentar para ir para os seus trabalhos, comércio,  indústrias”, finalizou.

Turbulências políticas na crise

Sobre o assunto, ele diz: “Eu quero fazer uma agenda correta para o país, com reformas, aceleração da nossa inserção na economia mundial. A gente vinha em um caminho importante e em uma qualidade muito boa dos recursos do governo em suas estatais.”

“Acho que as empresas que vão sair bem dessa crise são as que têm um time muito forte, unido, com uma cultura muito forte em negócios. Ninguém pode acusar o partido A, B ou C por termos entrado nessa crise”, considera.

Para concluir, ele deixa sua mensagem: “Meu pedido é que os times que são muito competentes em Brasília, no Congresso, nos judiciários, nas estatais, na iniciativa privada, cada vez mais se unam pra achar uma solução que ninguém sabe, porque se alguém soubesse já tinha resolvido em algum país.”

Mais: “Nós temos que construir isso juntos e de novo não podemos parar com as reformas, não podemos parar com o processo de simplificação e de garantia de um ambiente melhor para investimentos. Vamos precisar investir muito no país nos próximos anos. A retomada não vai ser com o motor do consumo. Temos agora que nos unir e fazer um grande esforço de reconstrução e de aceleração do país no formato que for melhor”.

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