Presidente da BlackRock admite que mercado subestimou pandemia de coronavírus

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
1

Crédito: Reprodução / Bloomberg

Larry Fink, presidente da BlackRock, maior gestora de fundos de investimentos do mundo, admitiu que o mercado subestimou os efeitos da pandemia da Covid-19.

Durante videoconferência comandada por Sérgio Rial, presidente do Banco Santander, Fink revelou que na última edição do Fórum Econômico Mundial, realizado em janeiro, em Davos, na Suíça, o assunto não foi tratado com a devida atenção.

“Em Davos, todo mundo falava do vírus em relação à China, e não ao mundo. Todo mundo ignorou o fato”, confessou o executivo.

Segundo o presidente da BlackRock, a demora em perceber a gravidade da pandemia acabou prejudicando eventuais medidas de contenção.

“Até que entendemos que a Covid-19 era altamente contagiosa e fronteiras estavam abertas em todo o mundo. Aí é que está o problema. Começamos a ter a percepção real em fevereiro. Olhando para trás, houve otimismo excessivo”, complementou Fink, em tom de lamento.

Depressão global

A demora em ter a “percepção real”, como o próprio presidente da BlackRock afirmou, poderá causar, em breve, uma depressão econômica global.

“Estamos muito próximos de uma depressão global”, apostou, citando as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que o PIB do planeta deverá sofrer uma retração de até 3% em 2020, a pior desde a crise de 1929.

Brasil “atraente”

Apesar da situação caótica que o Brasil enfrenta, não apenas no combate à pandemia, mas também nos cenários político e econômico, Fink disse ver no País uma situação interessante para o investidor estrangeiro.

De acordo com sua análise, em um momento em que o real está desvalorizado, os investimentos a longo prazo tornam-se interessantes e mais baratos aos estrangeiros.

Retomada da economia

Em um posicionamento paradoxal ao adotado no início da videoconferência, no qual lamentou a demora na percepção da gravidade da pandemia, o presidente da BlackRock afirmou ser favorável à diminuição gradual do isolamento social e à retomada da economia.

Fink advertiu, no entanto, que essa atitude elevará o número de contágio e de mortes, mas que poderá também fazer boa parte da população criar anticorpos contra a Covid-19.

“Se nós vamos reabrir e retomar as atividades, temos que esperar altas taxas dessa doença. Saberemos mais disso em três meses, e talvez seja bom ter boa parte da população desenvolvendo anticorpos”, raciocinou.

“Com essa reabertura, terá uma alta taxa de mortalidade. E a questão é como a sociedade vai navegar nessa mistura de pragmatismo e abertura da economia, em que 99% da população vai estar bem”, completou.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Mortalidade “mascarada”

O presidente da BlackRock comentou o fato de os Estados Unidos, país mais afetado pela pandemia, com 1,4 milhão de infectados e 85 mil mortos, estar começando a abrir a economia.

Na visão de Fink, a taxa de mortalidade de 6% está “mascarada”.

“Vimos nos EUA muitas pessoas que tiveram o coronavírus e nem sabiam. Eu diria que a taxa de mortalidade é de 0,5%”, concluiu, ressaltando que, no caso de uma segunda onda de contágio, a nação comandada por Donald Trump precisará de uma nova injeção de US$ trilhões de dólares para salvar a economia.

Os benefícios de se ter um assessor de investimentos