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Preços no Brasil são afetados pela corrupção e pelo risco político, aponta Agência Moody’s

Para especialistas, o clima favorável do mercado brasileiro, criado após as eleições presidenciais, pode ter uma vida curta e causar impacto no preço de ativos.

Preços no Brasil são afetados pela corrupção e pelo risco político, aponta Agência Moody’s
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O risco político do Brasil teve uma elevação considerável desde o ano de 2013, ao mesmo passo do que ocorreu com países como a Rússia e Turquia. Essa situação pode provocar reflexos nos preços de ativos e na confiança daqueles que investem nessas nações.

Tal avaliação foi feita por Anne Van Praagh, que atua na Moody’s como diretora de estratégia de crédito e pesquisa, e pela diretora da agência de classificação de risco Atsi Sheth. As duas destacaram que o risco político em países emergentes pode gerar uma correção nos preços de ativos locais e, também, alterar a nota de classificação desse Estado.

Nos países emergentes, em geral, os principais riscos levantados pelos investidores são a polarização, a ascensão do populismo e de um governante que pode enfraquecer as instituições.

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Crédito da imagem: Reprodução/Internet

Para Van Praagh, situações como uma mudança na liderança ou a consolidação do poder ao retor de um líder podem causar situações políticas inesperadas. Ela destaca que os riscos políticos são capazes de afetar os preços de ativos e o mercado por meio da perda de confiança. Esse fato levaria a uma correção nos preços dos ativos ou a condições financeiras menos favoráveis.

No Brasil, em especial, a corrupção e a insatisfação da população com os últimos escândalos acabaram contribuindo para que o risco político do país aumentasse.

A diretora da Moody’s aponta que as eleições brasileiras ocorreram em meio a um momento de declínio econômico, mas que o país vem se recuperando desse grande escândalo envolvendo a corrupção. Assim, as eleições desse ano podem ser consideradas um impulso positivo para a situação negativa pela qual passa o país, contudo, Van Praagh alerta para o fato de que esse impulso pode ter “vida curta”.

Já o discurso de Sheth também segue a mesma linha. Para ela, o combate à corrupção é uma forma de canalizar o risco político, contudo, ela questiona se uma mudança de regime é capaz de mudar a confiança na lei e nas instituições.

Para Sheth, o aumento da confiança tem como sua mola propulsora essencial o ajuste da situação fiscal do país, fato que exige a aprovação de reformas pouco populares, como é o caso da reforma da Previdência. A aprovação dessas medidas demandaria que o novo governo utilizasse todo o aval recebido nas urnas.

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Crédito da imagem: Agência Reuters

Entre os principais fatores que mantêm a nota de crédito do Brasil em Ba2, ou seja, abaixo do nível de bom pagador de dívidas, é o desequilíbrio das contas públicas. Nesse sentido, uma reforma seria importante, não apenas pelo fato de que o sistema precisa passar por uma atualização, mas porque a dívida brasileira é elevada e a diferença entre a receita e a dívida continua aumentando nos últimos tempos.

Sheth ainda destaca que, caso o endividamento elevado não seja combatido, é possível que o país enfrente situações como a alta inflação e o baixo crescimento.

De acordo com Van Praagh, um dos maiores desafios do novo governo brasileiro é conter esse crescimento da dívida. Para ela, o mercado reagiu positivamente à eleição de Jair Bolsonaro e as pessoas se animaram com as suas perspectivas para uma reforma do país.

Para ela, implementar a reforma da Previdência ou outras medidas de ajuste mais abrangentes para ajustar a posição fiscal do país é o principal ponto fraco do Brasil e isso será um grande desafio político.

Mesmo assim, a Agência Moody’s ainda prevê um maior crescimento da economia brasileira no ano que vem, estimada em 2%. Para 2018, a média das previsões de crescimento é de 1,4%.

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Késia Rodrigues - Colaboradora Independente

Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por literatura, viagens, tecnologia e finanças.

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