Preço médio de ações: como fazer e quais as vantagens

Bruno Thadeu
Colaborador do Torcedores
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Foto: Fibonacci

Em um mercado onde subidas e descidas são tão frequentes e intensas na Bolsa, será que vale investir todas as ações em um só preço ou vale fragmentar essas compras, fazendo preço médio desse ativo? 

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo

Embora divida opiniões, o preço médio pode, sim, ser uma forma de potencializar seus ganhos. Além disso, a estratégia protege parte dos ativos que você comprou antes.

O Eu Quero Investir explica qual a importância do preço médio de um ativo e seus riscos.

O que é preço médio de um ativo?

Como o próprio nome diz, é o valor médio da ação comprada mais de uma vez por diferentes preços. 

Saber o preço médio é fundamental para todo tipo de investidor. Isso porque saber o cálculo ajudará a organizar sua carteira de investimento. 

Imagine a bagunça quando não se faz o preço médio quando se compra 100 ações por um valor, 200 ações do mesmo papel por outro preço e mais 300 desse ativo por um terceiro preço? 

Como calcular?

O cálculo é bem simples! Basta fazer o custo de cada compra somados e divididos pelo total de ações compradas. Complicado? Então veja os exemplos:

Exemplo 1

Vamos falar de um exemplo que de fato ocorreu no mercado. As ações da Petrobrás sofreram violenta queda após o presidente Jair Bolsonaro anunciar a troca do comando da estatalO papel, que estava cotado a mais de R$ 27, despencou para menos de R$ 22.

Imagine que você tenha comprado 100 ações da Petrobrás por R$ 27. Com a desvalorização do ativo, você comprou mais 100 ações por R$ 22.

Desta forma, o seu preço médio será:

(27 x 100 unidades) + (22 x 100 unidades) ÷ 200 =  

(2700 + 2200) ÷ 200 = 24,5

Assim, o preço médio é R$ 24,5.

Conclusão: Quando o papel voltar a subir e atingir o preço de R$ 24,5, sua posição na carteira estará “empatada” neste ativo, sem lucro e sem prejuízo (não contando taxas e imposto).

Exemplo 2

Suponhamos que você tenha comprado 100 unidades de uma ação A por R$ 12. O mercado entrou em queda, e o ativo está custando agora R$ 8. 

Por isso, você compra mais 100 unidades desta ação A por R$ 8 para fazer o preço médio.

Desta forma, você tem 200 ações, sendo 100 ações por R$ 12 e 100 ações por R$ 8.

Portanto, o seu preço médio será:

(12 x 100 unidades) + (8 x 100 unidades) ÷ 200 =  

(1200 + 800) ÷ 200 = 10

O preço médio é R$ 10  no exemplo.

Exemplo 3

Agora vamos supor que você tenha comprado 350 unidades da ação A por R$ 12. O mercado entrou em queda, e o ativo está custando agora R$ 8. 

Você compra mais 100 unidades desta ação A por R$ 8 para fazer o preço médio.

Desta forma, você agora tem 450 ações, sendo 350 ações por R$ 12 e 100 ações por R$ 8.

O cálculo do preço médio será:

(12 x 350 unidades) + (8 x 100 unidades) ÷ 450 =  

(4200 + 800) ÷ 450 = R$ 11,11

Portanto, o preço médio é de R$ 11,11 . 

Conclusão dos Exemplos 2 e 3: Perceba que nos exemplos 2 e 3 houve compras no R$ 12 e no R$ 8, mas a quantidade foi diferente. O preço médio do segundo exemplo é maior (R$ 11,11 contra R$ 10) porque houve compra de mais ações no preço mais alto (R$ 12).

Quais as vantagens de fazer preço médio?

Adotar a estratégia traz algumas vantagens:

  • Auxilia no controle da sua rentabilidade;
  • Ajuda a situar a posição do ativo comprado em relação ao mercado;
  • Facilita na elaboração de estratégias;
  • Pode potencializar seus ganhos;
  • Pode “proteger” os ativos que foram comprados com maior preço.

Porém, vale verificar se o preço médio está batendo com o valor praticado no mercado. Assim, você vai saber o momento a partir do qual passa a acumular lucros.

Se o preço médio das suas ações estiver muito abaixo do preço que está no pregão, é sinal que seu investimento está caminhando muito bem.

“As fortes oscilações do mercado podem deixar sua ação no negativo. E no período de baixa do papel, quem sabe não seja a hora de comprar mais para fazer preço médio? A decisão deve ser feita a partir de análises técnicas e do histórico do ativo”, receita Cristina Helena de Mello, professora de economia da PUC e ESPM.

Preço médio x Valor real da empresa 

Para fazer preço médio, é interessante saber o valor intrínseco de uma empresa. Valor intrínseco nada mais é que o valor real de uma empresa. Isso porque nem sempre o preço do ativo na Bolsa reflete o valor real da empresa. 

Especulações, boatos ou outros motivos podem jogar o preço do ativo para cima ou para baixo. Mas o valor intrínseco nem sempre altera nessa proporção.

Por tudo isso, fica uma dica: para quem quiser entender como se apura o valor intrínseco de uma empresa, o EQI recomenda o método “value investing” (investimento em valor). 

Value investing é uma estratégia que avalia o verdadeiro valor da empresa. Saber o valor verdadeiro da empresa te ajudará a traçar um plano usando preço médio.

Exemplo

Suponhamos que o valor intrínseco de uma empresa seja R$ 40. Mas o papel está custando R$ 36 na Bolsa. Ou seja: o preço no mercado está abaixo do valor intrínseco. 

Pode ser um momento de compra, afinal você entende que o preço na Bolsa uma hora “igualará” seu valor real. Você compra 100 ações por R$ 36.

No entanto, dias depois o papel cai para R$ 34 e você compra novamente, desta vez dobrado (200).

Com isso, o valor médio das compras será de: 

(36 x 100) + (34 x 200) ÷ 300 = 

(3600 + 6800) ÷ 300 =

R$ 34,66

Prosseguindo no cálculo, quando esse ativo alcançar R$ 40 (que seria o valor real), você vende os papéis comprados por R$ 34 e R$ 36. 

Usando os dados do preço médio, seu lucro será calculado assim:

Ganho = preço da venda x quantidade = R$ 40 x 300 = R$ 12.000

Custo = preço da compra x quantidade = R$ 34,66 (preço médio) x 300 = 10.400

Lucro = ganhos menos o custo

12.000 – 10.400 =

Lucro = R$ 1.600

Qual o risco da estratégia?

Esse é um ponto bem interessante de ser analisado. Um erro bem comum é querer comprar novamente um ativo para tentar salvar a operação anterior.

Veja o exemplo: Você compra 200 unidades de um papel a R$ 50. 

Vamos supor que o papel cai para R$ 42. Na tentativa de tentar se livrar do prejuízo (lembra que você comprou a R$ 50), você enche a mão e compra 400 unidades por R$ 42.

Porém, o papel continua em queda e passa a custar R$ 36. Neste caso, temos:

Preço médio = (50 x 200) + (42 x 400) ÷ 600 =

PM = (10.000 + 16.800) ÷ 600 

PM = R$ 44,66

Quando o papel estiver custando R$ 36, o seu saldo será calculado da seguinte forma:

Custo: R$ 44,66 x 600 = 26.800

Ganho: R$ 36 x 600 = 21.600

Resultado (saldo negativo): R$ 5.200

Conclusão: Você tentou fazer preço médio para melhorar sua posição na carteira, mas o que conseguiu foi um enorme problema para a cabeça.