Preço do minério de ferro: o que esperar para o fim do ano?

Ronaldo Araújo
Engenheiro e Agente Autônomo de Investimentos, hoje me dedico a divulgar ensinamentos sobre como funciona a Previdência Privada. Acredito que com mais conhecimento é possível fazer melhores escolhas para a formação do patrimônio de longo prazo. Para saber mais acesse www.ronaldoaraujo.com.br
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Crédito: CSN/Divulgação

Recentemente o preço do minério de ferro passou por uma queda muito acentuada. Foram perdas equivalentes a mais de 40% em apenas 4 meses. No entanto, o movimento anterior de alta também foi inédito e fez com que as empresas do setor tivessem resultados expressivos em trimestres consecutivos. No entanto, agora paira a dúvida do que ocorrerá daqui para a frente.

O presente artigo aborda as principais questões pertinentes ao tema. Ao ler o artigo, você conhecerá melhor o histórico recente na cotação do minério. Saberá quais foram os motivos por meio dos quais ocorreu a movimentação. Por fim, verá o que se pode esperar até o fim do ano e para 2022.

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Qual é o histórico recente do preço do minério de ferro?

Depois de vários anos em um patamar de preços que rondou a casa dos U$ 80,00 por tonelada, o minério de ferro experimentou uma elevação em sua cotação. Em um primeiro momento, pensava-se que a alta de quase 50% nos preços já teria sido algo muito impactante. A escalada teve início em janeiro de 2019, e alcançou o primeiro ápice em junho do mesmo ano, quando a cotação atingiu quase U$ 120,00 a tonelada.

No entanto, isso era somente um aviso da explosão que ainda viria nos preços. Após atingir esse primeiro pico, o preço recuou e passou vários meses em torno de U$ 90,00 a tonelada. Foi quando veio a pandemia e a cotação começou a ser afetada novamente. A partir de maio de 2020, teve início um movimento de alta absurdo, quando o preço aumentou incríveis 135% e alcançou a máxima histórica de mais de U$ 214,00 a tonelada em maio de 2021. Nada assim tinha sido visto antes na cotação do metal.

Foi aí que a correção teve seu início. Desde então, o preço reduziu drasticamente, fechando o mês de setembro no mesmo nível alcançado inicialmente em 2019. Ou seja, houve uma estabilização na casa dos U$ 120,00 por tonelada. Apesar de previsões e análises controversas por parte de diversas casas de investimentos, todos hão de concordar que foi uma fortíssima volatilidade sofrida em um espaço de tempo muito curto.

Quais as razões que explicam essa movimentação nos preços?

Em um primeiro momento, pode-se atribuir a elevação no consumo do minério de ferro por conta da crise causada pela pandemia vivida recentemente. Uma das formas de estimular a economia em épocas de forte retração é justamente incentivando a ampliação da infraestrutura de um país. Isso demanda uma quantidade muito grande de aço, produto essencial à construção civil pesada. Como o minério de ferro é um insumo essencial à produção deste, a demanda pela commodity passou a ser muito alta.

Nesse sentido, vale destacar que os maiores consumidores de minério de ferro do planeta são os Estados Unidos da América e a China. Este último, em especial, acabou sendo o centro de uma discussão que favoreceu ainda mais a elevação abrupta dos preços. Esse fato específico está ligado a sua relação existente com a Austrália, grande produtor de minério de ferro. Com este país intensificando as investigações a respeito da origem do vírus que causou a pandemia, o país asiático suspendeu as compras vindas da Austrália.

Somado a alta demanda do mercado, isso foi tudo que era necessário para a cotação do minério explodir. Essa foi uma combinação perfeita para a elevação dos preços e não se pode negar que as empresas brasileiras que trabalham com o produto foram beneficiadas, atingindo excelentes números em seus balanços e demonstrações contábeis por alguns trimestres consecutivos. No entanto, todo esse movimento não foi em frente, pois houve paralisação em diversas frentes de trabalho na China e consequente desaquecimento da atividade de construção civil, contribuindo para a queda recente nos preços.

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O que esperar para o minério de ferro até o final do ano e para 2022?

Não se pode negar que o mercado como um todo foi fortemente impactado pela queda brusca na cotação do minério de ferro. De U$ 210,00 para U$ 120,00 são nada menos que 42% de queda. Isso em um período que compreende apenas 4 meses. Tudo fez com que várias casas de análises e instituições financeiras projetassem um preço médio abaixo dos U$ 120,00 por tonelada, algo por volta de U$ 90,00.

No entanto, nem mesmo as próprias empresas produtoras da commodity veem esse cenário se concretizando. A gigante Vale, por exemplo, acredita que a cotação tenha alcançado relativa estabilidade e projeta seus números financeiros considerando o valor atual. Alguns cenários hipotéticos são realizados pela companhia com o preço a U$ 90,00 a tonelada, mas mesmo assim a empresa não seria seriamente afetada, dada o excelente resultado alcançado recentemente. Prova disso é a distribuição de dividendos aos acionistas na ordem de U$ 10 bilhões, representando a marca histórica de um dividend yield de 13%.

Outro ponto que pode contribuir para a manutenção da cotação de U$ 120,00 por tonelada como piso atualmente são as próximas olimpíadas de inverno que hão de acontecer em Pequim, na própria China. As previsões iniciais é que o evento pode causar impacto de até cerca de 25% na produção de aço nas proximidades da cidade sede. Isso pode causar uma elevação na demanda, o que seria altamente positivo para as empresas vendedoras do insumo e, consequentemente, para a cotação da commodity no mundo inteiro.

Apesar de ter passado por uma turbulência muito grande recentemente, o preço do minério de ferro parece ter encontrado certa estabilidade. Depois da alta mais forte sentida pela commodity em toda sua história, uma queda abrupta também se fez presente. Isso evidencia que os mercados podem ser altamente voláteis, mas a demanda pelo metal jamais cederá, dado o investimento em infraestrutura de porte pesado necessário ao desenvolvimento dos países. Com a chegada da olimpíada de inverno, provavelmente ainda haverá uma demanda crescente que ajudará a manter os preços no mínimo nos patamares atuais.