Por que haverá uma nova precificação de ativos após a pandemia? É o que a BlackRock disse esta semana

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Os efeitos causados pela pandemia de coronavírus mostrou várias questões importantes para a humanidade, como a falta de atendimento básico de saúde e a fragilidade de algumas regiões. A redução na poluição devido ao isolamento social reflete o impacto da atividade econômica. “Tudo fica mais transparente em momentos de crise”, afirma Carlos Takahashi, presidente da gestora de ativos BlackRock no Brasil.

Para Takahashi após a pandemia, o mundo vai demandar uma atuação mais responsável principalmente por parte das empresas. Com isso, ele prevê uma nova precificação de ativos. “Esse evento deixou muito claro a importância de se olhar para o longo prazo”, conforme informou a reportagem da Exame.

A BlackRock é a maior de gestora de ativos do mundo, com um portfólio de quase US$ 7 trilhões. Além disso, é uma das instituições mais ativas na propagação do capitalismo stakeholder, no qual as companhias colocam o impactado provocado à frente do lucro. Ou seja, o resultado financeiro é apenas a consequência de uma boa gestão e, para isso, as companhias devem ter um propósito.

Segundo Takahashi, o modelo do novo capitalismo deve acelerar após a pandemia. “Tanto que nosso CEO, Larry Fink, reescreveu sua carta anual aos investidores”, afirma. Em janeiro de 2020, em seu comunicado aos investidores, Fink fez compromissos importantes, como o de desinvestir em setores intensivos em carbono. No final do mês passado, ele publicou um novo texto.“Quando emergirmos dessa crise, e à medida que os gestores reequlibrem seus portfólios, teremos a oportunidade de acelerar a transição para um mundo mais sustentável”, afirmou Fink.

A tecnologia desempenhará papel fundamental nessa transição. Exemplo disso, é o sistema de análise de riscos e montagem de carteiras chamado de Aladdin da gestora BlackRock. O Aladdin utiliza métricas de ESG (sigla para meio ambiente, social e governança) em todas as análises. O ESG determina padrões mensuráveis de gestão sustentável.

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Brasil

Para Takahashi o conjunto de medidas anunciado pelo Ministério da Economia e pelo Banco Central é bastante razoável e, se o Brasil se comunicar bem com o mercado, os investidores vão retornar. “O País vinha em uma boa trajetória, apesar de alguns atrasos nas reformas e do crescimento decepcionante em 2019”, afirmou. “Se o governo conseguir comunicar bem as ações que estão sendo tomadas e as que virão, o ambiente será positivo”.

Mas o ambiente externo será mais complexo. Isso porque desde o começo da crise, os países emergentes viram a maior fuga de capitais da história. Quando a pandemia passar, todas as nações olharam mais para dentro, para restaurar a própria economia. Essa postura também precisará ser adotada no Brasil.

Segundo Takahashi, a recuperação estará pautada em três pilares: medidas emergenciais e sociais para enfrentamento da crise; esforços para recuperação econômica; e uma nova postura empresarial diante a sociedade.

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