Prata valorizou mais do que ouro em 2020; já são mais de 44%

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / Lite Forex

Não é só o ouro. O metal já acumulou 25,74% de ganhos no ano, como porto seguro para investidores durante a pandemia do novo coronavírus, a maior crise da história recente da humanidade, mas não é nem de perto o investimento mais rentável.

Nas últimas semanas, o preço da onça troy da prata futura (setembro) subiu para atingir seu nível mais alto desde 2013, a US$ 29,26, no dia 10 de agosto.

No ano, o metal já acumula ganhos de 44,23%.

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Em 1º de janeiro, a onça troy valia US$ 17,94.

E é ainda bem mais barata que o ouro, cuja onça troy fechou a sexta-feira valendo US$ 1.953,60.

A prata fechou em US$ 26,09.

Prata no lugar mais alto do pódio

“Parece que a prata está buscando a medalha de ouro”, disse à CNBC Mobeen Tahir, diretor associado de pesquisa da Wisdom Tree.

Por enquanto, em 2020, a prata está no lugar mais alto do pódio.

Fundamentalmente, os metais preciosos foram impulsionados por uma “trifeta de impulsionadores fortes”, disse também à CNBC Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank.

Trifeta é um termo emprestado do turfe, onde o apostador tem que acertar, no mesmo páreo, os três primeiros cavalos, pela ordem de chegada.

Primeiramente, a injeção de mais dinheiro na economia pelos bancos centrais de todo o mundo, como parte das tentativas de conter o impacto da crise do coronavírus, ajudou a impulsionar as commodities.

Este afrouxamento monetário criou mais incertezas sobre a saúde do sistema financeiro, com preocupações sobre “um aumento da dívida que precisará ser resolvido”.

Isso contribuiu para incrementar a demanda por metais preciosos como um investimento seguro.

Também ajudou o fato dos rendimentos reais atuarem em território negativo, o que significa que o retorno que os investidores obtêm com os títulos é igual ou inferior à taxa de inflação.

O que indica menor “custo de oportunidade” de investir em um ativo que não oferece retorno além da flutuação em seu preço, como ouro ou prata.

Em terceiro lugar, a fraqueza do dólar nas últimas semanas também impulsionou os metais preciosos.

Como as commodities são normalmente negociadas em dólares, um dólar mais fraco geralmente se traduz em um preço de commodity mais forte.

Ouro menos volátil

Hansen descreveu a prata como o “ouro com um foguete acoplado”, pois tende a subir “mais alto e mais rápido”.

Isso se deve à baixa liquidez, embora também possa resultar em uma queda acentuada quando da correção.

Por exemplo, em março, com investidores em busca de maior liquidez, a prata foi “totalmente destruída”.

Ou seja, caiu mais de 30% para ser negociada em torno de US$ 12 a onça.

Chegou a valer US$ 12,174 em 19 de março.

O ouro também foi afetado pela volatilidade.

Entretanto, caiu apenas 11%, para cerca de US$ 1.470 a onça.

“O ouro tende a ser menos volátil do que a prata, devido ao seu tamanho de mercado superior”, explicou.

Hansen acrescentou que o valor do suprimento anual de ouro é estimado em cinco vezes maior que a prata.

A prata tende a ser um subproduto da mineração de outros metais, como o cobre.

“Com base nisso, é menos provável que uma forte alta atraia o aumento da oferta – o que poderia amortecer a alta – em comparação com as operações de mineração de ouro puro”, acrescentou Hansen.

Fôlego para crescer

Entretanto, o preço da prata ainda está apenas na metade do caminho para seu recorde de mais de US$ 48 em abril de 2011.

Enquanto isso, o ouro já bateu os recordes anteriores, passou de US$ 2.000 este ano e está ajudando a atrair investidores para a prata.

Ou seja, ainda há fôlego para crescer.

Guy Foster, chefe de pesquisa da gestora de fortunas Brewin Dolphin, disse que sua empresa tinha preferência pela prata.

A proporção ouro-prata – a quantidade de prata necessária para comprar uma onça de ouro – faz com que “a prata pareça mais barata nessa base”.

Hoje, essa relação está em 73,62.

Contudo já foi bem maior.

Combinação única

Foster disse que a perspectiva econômica global mais otimista significa que a demanda industrial por prata é um “benefício adicional”.

Na verdade, Mobeen Tahir explicou que mais da metade da demanda de prata vem de aplicações industriais em eletrônicos, equipamentos médicos e geração de energia solar.

Portanto, além de sua correlação com o ouro, a prata virou uma “combinação única” para os investidores agora.

Especialmente os que queriam “participar da recuperação cíclica da economia, das empresas, dos negócios e querem se proteger contra todos os riscos”.

Investindo em prata

A CNBC explica que “tal como acontece com o ouro, os investidores podem comprar prata em barras físicas”.

“Mas isso também requer encontrar uma maneira de mantê-la segura”, ressaltou Hansen para a reportagem.

Os fundos negociados em bolsa são “de longe a forma preferida de acessar esses mercados no momento”, disse.

Os fundos são negociados como ações em tempo real.

Os investidores mais “especulativos” também podem obter exposição à prata por meio de contratos futuros, por exemplo.

Entretanto, como qualquer investimento, é preciso estudar antes e procurar mercados consolidados.