Poupança tem captação líquida recorde de R$ 37 bi em maio

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: EnvatoElements/By Rawpixe

O Banco Central (BC) informou nesta quinta-feira (4) que a caderneta de poupança fechou maio com saldo positivo de R$ 37,2 bilhões.

A captação líquida é recorde. Esse foi o o montante que os brasileiros depositaram na aplicação a mais do que o retirado durante o mês.

Sem poder gastar e com a preocupação sobre o futuro imediato, com aumento do desemprego por causa da pandemia do coronavírus, o brasileiro preferiu deixar o dinheiro na poupança.

Como comparação, em maio de 2019, a caderneta de poupança teve saldo negativo de R$ 718,7 milhões em saque em relação a depósitos.

Desde a série histórica, iniciada em 1995, maio de 2020 foi a maior captação líquida, fazendo com que o acumulado do ano seja positivo em R$ 63,9 bilhões.

Poupança reverte curva

Em janeiro e fevereiro, os brasileiros retiraram R$ 15,93 bilhões a mais do que depositaram. A situação começou a mudar em março, com o início da pandemia da Covid-19, quando os depósitos superaram os saques em R$ 12,17 bilhões. Em abril, a poupança captou R$ 30,46 bilhões, diz a Agência Brasil.

A aplicação tinha começado o ano no vermelho.

A poupança sempre foi o investimento preferido no país, mesmo com seu baixo rendimento, de 70% da taxa Selic, cujos números estão batendo historicamente no chão.

A taxa está em 3,00% ao ano. Em 2019, o investimento rendeu menos do que a inflação. Mas em 2020 pode ganhar um pouco, graças à baixa atividade econômica, que puxa a inflação para baixo, aos níveis de deflação.

Nos 12 meses terminados em maio, a aplicação rendeu 3,35%, segundo o Banco Central. No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), que serve como prévia da inflação oficial, atingiu 1,96%.

Rendimento

Para 2020, o Boletim Focus, pesquisa com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, prevê inflação oficial de 1,55% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Com a atual fórmula de rendimento, a poupança está rendendo 2,1% em 2020, considerando a redução da Selic para 3% ao ano.

Histórico

Até 2014, os brasileiros depositavam mais do que retiravam da poupança. Naquele ano, as captações líquidas chegaram a R$ 24 bilhões.

Com o início da recessão econômica, em 2015, os investidores passaram a retirar dinheiro da caderneta para cobrir dívidas, em um cenário de queda da renda e de aumento de desemprego.

Em 2015, R$ 53,57 bilhões foram sacados da poupança, a maior retirada líquida da história. Em 2016, os saques superaram os depósitos em R$ 40,7 bilhões.

A tendência inverteu-se em 2017, quando as captações excederam as retiradas em R$ 17,12 bilhões, e em 2018, com captação líquida de R$ 38,26 bilhões. Em 2019, a poupança registrou captação líquida de R$ 13,23 bilhões.

* Com Agência Brasil