Potencial eleitoral de Moro em 2022 é alto e pode ofuscar Huck, avalia consultoria

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Moro: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Huck: Wikimedia Commons

A consultoria Traumann divulgou, na última sexta (24), uma análise sobre o potencial de prováveis candidatos a presidência do país nas eleições de 2022. O documento apresenta informações preciosas a respeito de eventuais favoritos. E estima que o atual ministro Sérgio Moro pode ter mais chances de sair na frente que outros candidatos.

A análise sobre as chances de Moro começa com um relato do próprio jornalista Thomas Traumann, que investiga os bastidores do poder em Brasília. “Em março de 2018, conduzi, por encomenda, pesquisas de grupo em várias cidades sobre as eleições presidenciais. Naquele momento as pesquisas mostravam Luiz Inácio Lula da Silva (ainda livre) liderando com 33%, seguido de Bolsonaro com 16%. A conclusão do estudo foi que, se saísse candidato, o então juiz Sergio Moro poderia vencer no primeiro turno. As entrevistas mostravam que qualquer nome
considerado fora do sistema. Além de Moro, foram testados os nomes de Joaquim Barbosa e o do
apresentador Luciano Huck, todos com chances reais de vitória.”

Potencial inegável

E se fosse em 2022, com base no cenário deste início de ano? A consultoria Traumann responde: “Hoje Moro não teria apoio menos ostensivo, mas o seu potencial eleitoral é inegável.”

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A consultoria explica: “Em dezembro, a FSB Pesquisa publicou pesquisa em que Moro aparecia com 32% das intenções de votos em primeiro lugar em um cenário sem Bolsonaro. Pesquisa do Datafolha mostrou que Moro é mais popular que Bolsonaro (tem 53% de aprovação contra 30% do chefe) e empata com Lula como a personalidade mais confiável aos brasileiros (33% dizem ter alta confiança em Moro, 23% média confiança, e 42% baixa confiança).”

Traumann lembra: “O Podemos e o PSL já convidaram Moro para se filiar. Ironicamente, se Moro deixar o governo e se dispuser a ser candidato, a primeira vítima não será Jair Bolsonaro, mas Luciano Huck.”

Eleitores alvo

Eis a explicação: “Moro agrega justamente os eleitores alvo de Huck, aqueles que votaram
em Bolsonaro para impedir a vitória do PT, mas cedo se desapontaram com o capitão. Este público iria
correndo para uma candidatura como a do ex-juiz.”

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“Por que tudo isso é importante? Porque mostra que a dinâmica presidencial é completamente eleitoral.
Ao convencer Moro para ser seu ministro, Bolsonaro havia conquistado uma espécie de chancela de seu
compromisso contra a corrupção. A chegada de Moro atenuou em muito as resistências a Bolsonaro em
parcelas da elite”, informa a consultoria.

Presidente padrão

Bolsonaro notou que essa mesma elite que lhe torce o nariz vai trabalhar contra a sua reeleição. Por isso o documento da consultoria aponta: “[essa elite] Prefere um presidente-padrão, que mantenha as políticas econômicas de Guedes, entre em menos embates desnecessários e não faça o país passar vergonhas, como a do secretário nazista e das queimadas na Amazônia.”

Esse candidato poderia ser Huck, “mas há um trabalho pesado a fazer para transformar o apresentador simpático em um candidato digno de confiança”. Há também Rodrigo Maia, mas falta ao presidente da Câmara “um pingo de carisma”. Ou Doria, “se o governador paulista aprendesse a ser, como dizer?, menos paulista.”

A consultoria conclui: “Moro seria o nome perfeito para esses eleitores. E Bolsonaro percebeu isso. O presidente percebeu também que hoje tem mais a perder do que a ganhar defenestrando o ex-juiz, mas essa é uma decisão
de oportunidade política.”

Bolsonaro e Moro discordam, “mas seus apoiadores nas redes sociais ainda jogam juntos. Como mostrou
pesquisa da consultoria Bites, desde a quinta-feira (23) os dois grupos se uniram para culpar o presidente
da Câmara, Rodrigo Maia, pela ideia de criar o Ministério da Segurança Pública. Foram 91 mil tuítes com
a hashtag #cassacaodeRodrigoMaiaJá levantada por sites ligados aos dois lados.”