Anunciada por Guedes, área de livre comércio do Brasil com a China teria impactos profundos no setor manufatureiro

Walter Niyama
Jornalista formado pela ESPM-SP, possui passagens pelo Diário do Centro do Mundo e já trabalhou na assessoria de imprensa da Secretária de Estado da Saúde de São Paulo. Também tem textos escritos para o site Torcedores. É idealizador do site de jornalismo Converge e colunista no Nerdssauros. É também autor de três romances publicados.

Crédito: Foto: Andre Valentim / Abril Comunicações SA.

O ministro da Economia Paulo Guedes, no dia 13 de novembro, discursou na abertura do seminário NDB e o Brasil: Parceria Estratégica para o Desenvolvimento Sustentável. Ele disse que o país precisa se aproximar mais da China. Algo que o governo já vem fazendo. Ele falou inclusive sobre uma área de livre comércio com os chineses. Área que já estaria sendo negociada.

“Estamos conversando com a China sobre a possibilidade de ‘free trade’ [livre comércio] ao mesmo tempo que falamos sobre entrar na OCDE [Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico]”, afirmou o ministro. Mas como isso afetaria as bolsas?

Os possíveis impactos

Uma das consequências seria, no âmbito internacional, um maior isolamento comercial dos Estados Unidos.  Atualmente o principal rival da China no comércio. Hoje, o gigante asiático consome cerca de 30 bilhões de dólares em produtos do agronegócio dos EUA.

Com a área de livre-comércio, o Brasil poderia exportar ainda mais barato. Entre os itens a serem negociados estão açúcar, carne, milho e soja. Uma vantagem para o Brasil. O país no ano passado registrou saldo comercial positivo com os chineses de 29 bilhões de dólares.

Indústria

O porém está no fato de que nessa conta, a maior parte das exportações brasileiras, cerca de 90% são de produtos básicos, 8% de semimanufaturados e somente 2% são manufaturados. Por causa disso, alguns economistas e empresários brasileiros do setor manufaturado temem uma “invasão” de produtos chineses.

Produtos com os quais as marcas nacionais não consigam competir por causa dos preços.

Por um lado o setor manufatureiro brasileiro cairia, o chinês teria um novo combustível que registrou consideráveis quedas durante o ano, especialmente por causa da guerra comercial com os  EUA.

China

Por isso especialistas apontam que a área de livre-comércio, no momento atual, pode ser mais vantajosa para a China do que para o Brasil. O que não desanima o ministro da Economia:

“Eu não me incomodo se, em uma situação de superávit [do Brasil hoje] com a China, nós nos equilibrarmos ali à frente, aumentando as exportações em 50% e as importações dobrando ou mesmo triplicando”.