Por Whatsapp, Paulo Guedes se desculpa com servidores públicos

Marcelo Hailer Sanchez
Jornalista, Doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisador em Inanna (NIP-PUC-SP). Trabalhei nas redações do Mix Brasil, Revista Junior, Revista A Capa e Revista Fórum. Também tenho trabalhos publicados no Observatório da Imprensa e revista Caros Amigos. Sou co-autor do livro "O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente" (AnnaBlume).
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Crédito: Reprodução / Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, utilizou o Whatsapp, nesta segunda-feira (10), para enviar mensagens para jornalistas, amigos e familiares onde pede desculpas por ter comparado os servidores públicos com “parasitas”.

De acordo com o site BR Político, o ministro afirma que a sua fala foi tirada de contexto e que ele se expressou mal. Guedes disse que se referiu a “servidores parasitas de estados e municípios em casos extremos. Quando toda a receita vai para salários e nada para saúde, educação e segurança”.

O Ministério da Economia já havia soltado uma nota com tom semelhante. No documento, o ministério declarou que reconhece “a elevada qualidade do quadro de servidores” e que o “ministro Paulo Guedes analisou situações específicas de estados e municípios que tem o orçamento comprometido com a folha de pagamento […] ele falou sobre entes da Federação que estão com despesas acima do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Nessa situação extrema, não sobram recursos para gastos essenciais em áreas fundamentais com saúde, educação e saneamento”.

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Assim como a mensagem de Guedes, a nota do ministério também “lamenta profundamente” que a “fala tenha sido retirada de contexto pela imprensa, desviando o foco do que é realmente importante no momento: transformar o Estado brasileiro para prestar melhores serviços ao cidadão”.

Parasitas”

Ao defender a reforma administrativa, o ministro da Economia, Paulo Guedes, comparou os servidores públicos com “parasitas”. “O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita, o dinheiro não chega no povo e ele quer aumento automático”, declarou Guedes na última sexta-feira (7).

A reação contrária à fala do ministro veio da situação e da oposição e motivou a nota do Ministério da Economia e a retirada de Guedes da articulação da reforma administrativa.

Rodrigo Maia defende servidores públicos

 

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, criticou o “uso de termos pejorativos para defender a reforma administrativa”, segundo o Estadão. Maia declarou apoio à reforma administrativa, mas ressaltou que servidores merecem “respeito”.

“Todos os serviços públicos têm que ser tratados com muito respeito e usos de termos pejorativos criam conflitos, mas há uma concentração de renda que a população não concorda mais. O Estado custa muito e serve pouco, estou otimista que vamos mudar isso”, declarou Rodrigo Maia em café da manhã na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) nessa segunda-feira (10).

Maia também elogiou a decisão do governo de elaborar uma PL que vise aplicar mudanças no funcionalismo apenas para os novos concursados. “O sistema novo vai ser implementado nos novos concursos, isso ajuda a tramitação (no Congresso). Muda a estabilidade, a promoção passa ser por mérito e não mais pelo tempo de serviço, vão ter dois sistemas funcionando contra o outro, mas em algum momento o antigo vai acabar”, declarou o presidente da Câmara dos deputados.

Ainda durante o evento na Firjan, Maia disse acreditar que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), de autoria do deputado Baleia Rossi (MDB-SP), da reforma tributária seja votada e aprovada na Casa entre quatro ou cinco meses. O deputado também defende que, uma abertura comercial do Brasil só seja feita após a aprovação das mudanças tributárias.