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Por que o menor nível de desemprego dos Estados Unidos em 18 anos não é bom para ele e o resto do mundo

Por que o menor nível de desemprego dos Estados Unidos em 18 anos não é bom para ele e o resto do mundo
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Em maio a taxa de desemprego do Estados Unidos chegou a 3,8%, seu nível mais baixo em 18 anos.

Emprego para todos soa como o que de melhor pode acontecer para um país, porém quando os economistas falam que o Estados Unidos está a ponto de chegar (ou já chegou) ao emprego pleno, isto não quer dizer que todos os americanos possuem trabalho. O que eles se referem é que o nível de desemprego chegou ao mais baixo possível, antes de provocar uma inflação.

É por isso que não existe um número mágico para dizer que “este é uma situação de emprego pleno”, mas podemos dizer que é uma projeção que muda de acordo com as circunstâncias.

Em maio a taxa de desemprego do Estados Unidos chegou a 3,8%, seu nível mais baixo em 18 anos.

O fantasma da inflação

Quando a economia está funcionando a todo vapor e há mais trabalho, supõe-se que os salários sobem, as pessoas têm mais dinheiro em seus bolsos, compram mais produtos, os preços aumentam e os bancos centrais aumentam a taxa de juros para evitar que a inflação dispare.

Isto explica porque todos os meses Wall Street aguarda ansiosamente os dados sobre os empregos, considerando como um dos termômetros utilizados por investidores para fazer suas apostas sobre o que acontecerá com as taxas de juros.

Crédito mais caro para os Estados Unidos significa crédito mais caro para o resto do mundo

Atualmente a taxa de juros dos Estados Unidos é de 1,5% e o mercado projeto outros dois possíveis aumentos para o restante do ano.

O mistério até agora, é que apesar da baixa taxa de desemprego, os salários e a inflação cresceram mais lento do que era o esperado, o que tornou-se uma grande incógnita para alguns economistas (a média dos salários subiu aproximadamente 2,7% no último ano e a inflação está 2,5%).

Alguns deles argumentam que muitos trabalhadores possuem empregos temporários, de alta rotatividade e sem projeção social, como é o caso de uma pessoa que dirige Uber por exemplo.

Estes seriam considerados “pessoas na reserva”, disponíveis apenas para trabalhar em empregos de “menor qualidade”, e uma das explicações do porque os salários não aumentaram tanto quanto o esperado.

Inflação baixa ou alta

Tradicionalmente há dois cenários típicos: o desemprego é tão alto que baixa a inflação, ou o desemprego é tão baixo que a inflação sobe (conhecido também como Curva de Phillips).

“O problema é que esta relação entre desemprego baixo e inflação crescente não apareceu nos últimos dados divulgados. ”, escreveu o professor Alan S. Blinder, professor da Universidade de Princeton que já foi vice-presidente do FED.

“O FED necessita saber se a curva de Phillips “morreu” ou apenas tirou umas longas férias”, completa o professor.

Riscos especulativos imprudentes

Enquanto estas incertezas não são resolvidas, a economia dos Estados Unidos segue crescendo, com um aumento do PIB de 2,2%.

Além do potencial risco inflacionário, o baixo desemprego poderia dar um sinal complicado aos investidores de outros países. Pois o principal perigo é que eles tomem riscos baseados em especulações imprudentes demais.

Porém o crescimento dos EUA traz consigo um aumento do déficit fiscal anual de mais de US$ 800 bilhões e uma dívida pública de mais de US$ 21 bilhões, o que preocupa quem vê essa situação como uma “bomba-relógio”.

Os efeitos na América Latina

“Se o emprego pleno acelera a inflação, os países da América Latina que possuem grandes dívidas externas, como o Brasil e a Argentina, terão que enfrentar o desafio da alta de Juros”, falou Shannon K. O’Neil, investigadora sênior do Council on Foreign Relations, um centro de estudos localizado em Nova York para a BBC News Mundo.

Por outro lado, “aqueles países que vendem produtos aos consumidores americanos, como é o caso do México, podem se beneficiar, dado que os novos empregos devem aumentar o nível de consumo das pessoas”, agrega Shannon.

Estes efeitos afetam outros países da mesma maneira, ou porque estão em dívida com os Estados Unidos, ou porque eles vendem produtos aos seus consumidores.

O que muitos temem é que esta “boa notícia” para a economia mais rica do mundo seja uma festa temporária incubando uma nova crise.

Mas por enquanto, Wall Street continuará acumulando lucros e tudo parece estar calmo.

Artigo original: Por qué el pleno empleo en Estados Unidos no es tan buena noticia como parece (para ese país y el resto del mundo)

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