FGV-Ibre: por que o agronegócio tem o melhor resultado na balança comercial

Marcello Sigwalt
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Crédito: Portal FGV

Confirmando a trajetória positiva dos últimos meses, o agronegócio foi o único setor com resultado positivo (+1,3%) da balança comercial brasileira em agosto deste ano ante o mês anterior, 13,8% para igual período de 2019 e ainda cresceu 20,1%, no acumulado de 2020.

É o que aponta o Indicador Mensal de Comércio Exterior (Icomex), de agosto último, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas e o Ibre.

Os demais setores, em queda, contribuíram para o recuo de 9,8% das exportações no mês passado. Já o saldo da balança só foi favorável (US$ 6,6 bilhões) pelo efeito estatístico resultante da expressiva retração das importações, de 28,5% em agosto para igual período do ano passado.

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Desaceleração súbita

No acumulado do ano, a balança registra saldo favorável de R$ 36,3 bilhões, mas o dado preocupante é a desaceleração súbita do ritmo de crescimento do volume exportado, que aumentou somente 2% em agosto, bem abaixo dos 11% registrados em junho e julho.

De acordo com a FGV e  e o Ibre, o comportamento negativo das importações está relacionado à desvalorização cambial e à queda da atividade econômica interna.

Açúcar na ponta

Puxam o desempenho favorável do agronegócio, em ordem decrescente, o açúcar (107%), soja (35%), carne bovina (16%), farelo de soja (5,4%) em agosto, em relação ao mês anterior.

O setor extrativo, por sua vez, caiu 1,1% em agosto para igual mês do ano anterior, mas cresceu 2%, se considerado igual período de 2019.

No caso das plataformas de petróleo, a comparação entre o acumulado do ano e igual período de 2019 mostra queda de 6,6% (com plataforma) e de 9,4% (sem plataforma).

Pior desempenho

Coube à indústria de transformação o pior desempenho, ao recuar 5%, na comparação entre os períodos de janeiro a agosto deste ano, para igual período de 2019.

Outro reflexo da crise externa é a baixa de 15,6% dos preços das commodities no mês passado, em relação a julho.

O volume exportado das commodities, por sua vez, aumentou 14,3%, bem abaixo das altas de 30,2% de junho e de 29,7% de julho.

No que toca à indústria de transformação, as exportações avançaram 24,6% em agosto 2020/agosto 2019, mas bem inferior aos +34,8% de julho e +20,8% no acumulado do ano, sempre levando em conta igual mês do ano anterior.

Maior queda

Individualmente, a maior queda foi dos bens duráveis de consumo (37%), aí incluídas as exportações de bens de capital sem plataformas, que também caíram 32,1%.

A explicação para a baixa é que o setor automotivo foi duramente afetado pela crise argentina.

O principal destino das exportações brasileiras continua sendo a China, que segue na ponta no quesito volume exportado, o que contribuiu muito para o superávit da balança comercial.

De janeiro a agosto deste ano, o Brasil acumula saldo comercial positivo com a China de US$ 25,5 bilhões, mas déficit de US$ 3 bilhões em relação aos Estados Unidos.