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Por que, apesar do acordo com o FMI, o peso argentino cai novamente, atingindo baixas históricas

Depois de alguns dias de aparente calma, uma tempestade voltou a atacar a cotação da moeda argentina.

Por que, apesar do acordo com o FMI, o peso argentino cai novamente, atingindo baixas históricas
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Banco Central da Argentina
Banco Central da Argentina

Uma tremenda queda do peso argentino ocorreu nas últimas semanas perante o dólar (foram 15% de queda em 15 dias), o que levou o governo de Mauricio Macri a negociar uma linha de crédito com o FMI (Fundo Monetário Internacional).
Este acordo, no qual o FMI concedeu um empréstimo de 50 milhões de dólares para a Argentina, a medida que visa ajudar a sustentar o peso argentino, foi assinada há apenas uma semana.

Mudanças e renúncias

Federico Struzenegger
Federico Struzenegger

Em meio a esta crise, o presidente do banco central argentino, Federico Struzenegger, pediu renúncia na última quinta-feira.

“Nos últimos meses diversos fatores foram deteriorando minha credibilidade como presidente do Banco Central, o que é um atributo fundamental para levar adiante a coordenação das expectativas (…) motivo que me leva hoje a apresentar minha renúncia”, disse Federico em seu Twitter.

Struzenegger será substituído pelo até então ministro das finanças, Luis Caputo.

Esta designação faz parte de um processo de reestruturação do governo que contempla a unificação dos ministérios de finanças e da fazenda.

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Nicolás Dujovne

Este novo ministério estará nas mãos de Nicolás Dujovne, que era o responsável pelo Tesouro e exerceu um papel de coordenador da política econômica do país, após a negociação do acordo com o FMI.

Outras mudanças estão previstas no banco central argentino, como parte do acordo com o FMI, Macri prometeu dar maior independência a esta instituição.

Isto implica no sentido de que ele não deve financiar o estado com emissão de dinheiro e que não deve intervir no mercado de câmbio, mantendo o câmbio flutuante, exceto em circunstâncias excepcionais.

A decisão de Marci de recorrer ao FMI é vista com críticas de uma parte dos argentinos que possuem recordações amargas da crise econômica de 2001, no qual consideram o fundo monetário parcialmente responsável.

No entanto, o executivo argentino disse que as dificuldades que o país atravessa se devem em questões de liquidez, e que o FMI não é a fonte de financiamento mais econômica para estes casos.

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Problemas de confiança

Análise de Daniel Pardo, correspondente da BBC News Mundo na Argentina

A nova queda do peso argentino expressa a imensa vulnerabilidade, histórica e atual, da economia da Argentina.

Mesmo depois de um polêmico e custoso apelo ao FMI, que buscava acalmar os mercados, o peso continuou a se desvalorizar – provando que a Argentina não gera confiança.

O governo vem anunciando várias medidas que busca reduzir o gasto público e o déficit fiscal, entre elas congelar os salários dos funcionários públicos e encerrar novas contratações.

Porém, muitos economistas consideram estas medidas insuficientes, já que o mercado pede ações mais drásticas como, por exemplo, intervenção nas aposentadorias.

A política do Banco Central também é classificada por economistas pró-governo e opositores como “errática”, no sentido que o investimento em títulos foi promovido em pesos, porém a credibilidade da possibilidade de pagamento não foi gerada. O que causou a fuga de um grande número de investidores estrangeiros.


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Além de manter as taxas de juros de 40%, uma das mais altas do mundo, o Banco Central manteve a alta geração da massa monetária.

Com isso o mercado não sabe se estão tentando reduzir a inflação ou se estão tentando trazer investidores estrangeiros.

Gerar confiança foi a principal promessa de Macri, mas em dois anos isto ainda não aconteceu.

Fonte: Por qué pese al acuerdo con el FMI volvió a caer el peso argentino, que está en mínimos históricos

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