Por que as ações se mantém em alta nos EUA?

Tatiane Lima
Jornalista, redatora sênior. Tecnóloga em Recursos Humanos e MBA em Comunicação e Marketing. Apaixonada por empreendedorismo criativo. Atuei nos três setores, com hard news, jornalismo on, off e redação publicitária.
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Crédito: Сериал Бригада/Pixabay

Mesmo em meio às incertezas do surto de coronavírus, as ações continuam atingindo índices cada vez mais altos nos Estados Unidos. A fim de encontrar uma explicação, a CNN Business consultou alguns especialistas que comentaram essa reação do mercado. Entre as supostas razões estão o apoio contínuo do Federal Reserve (ou, Sistema de Reserva Federal, que reúne os bancos centrais dos EUA). Bem como uma perspectiva consistente de ganhos corporativos e o medo de perder também compõem as especulações.

Enquanto a epidemia de coronavírus não parece enfraquecer, o índice Dow Jones encerrou a semana em 1%. E o S&P 500 fechou marcando um aumento de 1,6%. Ou seja, os dois índices atingiram a maior marca para o meio da semana já registrada em todos os tempos. Sem contar que índice STOXX Europe 600 aumentou quase 1,5%. Isso logo após já ter alcançado um novo recorde de meio-dia, na sexta-feira (14). Até mesmo o Shanghai Composite registrou uma subida na semana de 1,4%.

Para Peter Boockvar, diretor de investimentos do Bleakley Advisory Group, a resposta para os aumentos está no excesso de confiança no Federal Reserve. “Acho que o mercado de ações está sob essa crença de que, não importa o que aconteça, o Fed nos salvará. Eu sinceramente acredito que é tão simplista quanto isso,” afirmou à CNN Business.

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Segundo a publicação, provavelmente ele tem razão. Após a intervenção do Federal Reserve no resgate de mercados de empréstimos overnight, em setembro, o S&P 500 cresceu mais de 12%. Já as compras de títulos de curto prazo, ou letras T, anunciadas em outubro, auxiliaram na queda das condições financeiras. De acordo Boockvar, as conclusões só ficarão mais claras em abril, quando o banco central suspender a expansão de seu balanço.

A alta das ações

Outro fator que talvez tenha auxiliado na permanência da alta das ações é a orientação de ganhos no primeiro trimestre. Isso porque, apesar da preocupação das empresas em relação ao coronavírus, a indicação não foi de piora.

Conforme John Butters, da FactSet, no último trimestre de 2019, 77% das empresas do S&P 500 reportaram ganhos. Destas, 71% superaram as expectativas de lucro. Também caiu o número de empresas que reduziram as expectativas para o primeiro trimestre. Em consequência, esse cenário ocasionou uma sensação aos investidores de que o impacto nos negócios poderia ser passageiro.

No entanto, na semana passada, a Take Under Armour (UA) anunciou que poderia perder até US$ 60 milhões em vendas no trimestre. E acrescentou que a “incerteza com essa situação dinâmica e em evolução, os resultados do ano inteiro poderiam ser impactados materialmente”. A semana foi fechada em queda de 15% das ações.

Embora haja um otimismo geral entre os investidores, Boockvar chama atenção para a moderação. “Há muita indiferença com esse vírus. Talvez não seja nada, talvez seja alguma coisa”. Para ele, o reflexo da moderação pode ser observado nos mercados de títulos. Afinal, de acordo com o Bank of America, registrou-se na semana passada o maior ingresso semanal de todos os tempos em fundos de títulos.