Política Cambial: o que é?

A política cambial afeta a vida dos cidadãos, mesmo daqueles que não costumam viajar para o exterior. Saiba tudo sobre esse importante instrumento de política econômica.

Késia Rodrigues
Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por tecnologia, investimentos e viagens.

Crédito: Banco de Imagens EnvatoElements/By brianajackson.

Por meio de sua política cambial, um país pode controlar a valorização e a desvalorização de sua moeda frente aos demais países. Esse é um instrumento de política econômica muito importante e que, no Brasil, é exercido pelo Banco Central (BACEN), em conjunto com o Conselho Monetário Nacional (CMN).

Saber o que é política cambial é importante, principalmente se você costuma viajar para o exterior ou se tem investimentos que podem ser afetados pelo câmbio das moedas estrangeiras.

Por isso, continue a leitura para saber mais sobre política cambial, o que é e como funciona esse importante mecanismo de regulação da nossa economia.

O que é a política cambial

De acordo com o BACEN, a política cambial pode ser definida como um conjunto de medidas que visam definir o regime das taxas de câmbio no Brasil. Assim, por meio da política cambial, o Brasil define as suas relações financeiras com o restante do mundo.

Recentemente, publicamos por aqui um artigo que fala acerca da política econômica. Caso você ainda não tenha o lido, recomendamos essa leitura para entender melhor o assunto que estamos tratando aqui.

No âmbito da política econômica de um país, a política cambial é um instrumento, juntamente com as políticas monetária e fiscal, das quais também já falamos por aqui. O principal objetivo do governo, por meio dessas políticas, é manter a economia do Brasil em estado de crescimento, tudo isso de uma forma constante, sustentável e equilibrada.

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Não é nada fácil para o governo manter a nossa economia em crescimento, principalmente em um país de proporções continentais como o Brasil. Por isso, a cada ano, diversos ajustes são feitos de modo a regular a nossa economia de acordo com o cenário mundial e não deixar que ela entre em colapso.

Por meio das ações de política cambial, a autoridade monetária brasileira pode valorizar ou desvalorizar o Real frente às demais moedas que circulam no exterior, tais como o dólar, o euro e o iene.

Manter o câmbio da moeda nacional equilibrado é um desafio e tanto, pois uma valorização em larga escala pode provocar sérios problemas na economia, assim como acontece nos casos de uma grande desvalorização.

Por exemplo: se o governo deseja estimular as exportações, o BACEN pode adotar uma política cambial que desvalorize, mesmo que por um determinado momento, a moeda nacional. Dessa forma, como a moeda estrangeira estará valendo mais em nosso país, os produtores brasileiros se sentirão estimulados a vender os seus produtos no exterior.

Por outro lado, se o governo pretende adquirir uma grande quantidade de produtos fabricados no exterior, poderá adotar uma política de valorização da moeda nacional durante um certo período. Dessa forma, o preço pago pelo produto importado será menor, contudo, é preciso ter cuidado, pois isso também pode acabar desestimulando os demais países a importar os produtos brasileiros.

Há, também, a possibilidade de se utilizar uma série de mecanismos voltados para o controle do câmbio e da evasão de divisas, que é a moeda estrangeira quando se trata de operação de câmbio. Entre essas medidas estão a fixação de taxas múltiplas de câmbio, como “turismo”, “comercial” e “financeiro”. Além disso, também é possível adotar medidas que visam favorecer algum setor da economia.

A partir de agora, sempre que você for realizar algum tipo de transação no Brasil que envolva alguma moeda estrangeira, lembre-se que por trás da simples conversão desses valores para a nossa moeda local há uma política complexa e fundamental para o equilíbrio econômico do país.

Quais os regimes cambiais e como eles funcionam

É função do Conselho Monetário Nacional (CMN) definir o regime cambial a ser seguido no Brasil. Em seguida, cabe ao BACEN assegurar o adequado funcionamento desse regime.

Existem, basicamente, três tipos diferentes de regime cambial que podem ser adotados por um país e é importante conhecê-los:

Câmbio flutuante: é aquele em que o preço da moeda “flutua”, isto é, varia livremente no mercado de moedas mundial. A oferta e a procura por moeda estrangeira é que determina a taxa de câmbio;

Câmbio fixo: nesse regime, o governo estipula um preço fixo para a moeda nacional e não permite variação de seu preço em relação às demais moedas. Para que seja possível manter esse regime é necessário que o país detenha uma grande reserva em moeda estrangeira;

Banda cambial: é um regime híbrido entre os dois anteriores. Nele, o preço da moeda nacional pode flutuar, contudo, fica restrito a um limite superior e inferior, não podendo o seu preço ultrapassar esses limites.

Também é importante destacarmos os conceitos de apreciação e depreciação cambial.

Quando o governo percebe que há um volume excessivo de exportações e o preço dos produtos estrangeiros no país está elevado, pode realizar uma apreciação cambial, que consiste no aumento do preço da moeda local. Assim, o estrangeiro que quiser comprar produtos no Brasil precisará pagar mais por ele, já o brasileiro que quiser comprar no exterior pagará um preço menor pelo produto.

Já a depreciação cambial é o contrário da apreciação, ou seja, o governo diminui o preço da moeda local, o que faz com que os estrangeiros precisem pagar menos para importar o que é produzido aqui. Esse tipo de manobra é utilizada quando o governo deseja tornar o país mais competitivo frente a outras economias no exterior e tornar os nossos produtos mais atrativos para o restante do mundo.

Qual é a política cambial adotada pelo Brasil?

Desde 1999, o Brasil adota o regime do câmbio flutuante, em que o preço da moeda varia livremente a depender da oferta e da demanda por ela. Antes disso, entre 1994 e 1999, anos iniciais do novo Plano Real, a política cambial brasileira adotava o regime de banda cambial, com limites para o preço da moeda.

No entanto, o regime brasileiro tem uma peculiaridade, pois é a chamada “política cambial flutuante suja”, uma vez que, apesar de flutuar livremente, o BACEN conta com o poder de aumentar ou reduzir o preço do Real quando for preciso esse tipo de intervenção.

Em outros países, que não adotam esse regime flutuante “sujo”, o preço da moeda não sofre a interferência de seus Bancos Centrais.

Como a política cambial pode afetar a sua vida

Você pode até nunca ter feito uma transação envolvendo moeda estrangeira, mas, ainda assim, a política cambial do Brasil interfere em sua vida de diversas maneiras.

Desde o cafezinho que você toma pela manhã, até mesmo seus investimentos, são afetados pela política cambial adotada pelo BACEN.

O preço dos produtos importados e exportados são afetados pela taxa de câmbio. Assim, quando ocorre a flutuação, as importações e as exportações feitas pelo Brasil podem ser afetadas.

Dessa forma, se há mais produtos deixando o Brasil, o preço no mercado nacional pode aumentar, o que causa inflação e a consequente perda do poder de compra do seu dinheiro. Uma inflação alta pode reduzir o rendimento real de alguns tipos de aplicações, além de fazer sobrar menos dinheiro em seu bolso.

Por outro lado, se o país aumenta muito o preço da moeda nacional, os estrangeiros podem acabar sendo desestimulados a comprar de nossos produtores. Isso pode levar a um forte desaquecimento da indústria nacional, o que poderia acarretar um aumento no desemprego por conta do fechamento de diversos postos de trabalho.

É por isso que é tão importante para um país manter uma política cambial equilibrada, pois, caso contrário, os efeitos poderão ser catastróficos.

Os investimentos podem ser afetados pela política cambial?

Sim. Os investimentos, de uma maneira geral, têm uma relação muito próxima à política cambial adotada no país.

As aplicações feitas por investidores brasileiros no exterior são as que mais sofrem as influências da política cambial, afinal, nesse tipo de operação, o câmbio é determinante para saber quanto de lucro alguém poderá ter.

Existem várias formas de se investir no exterior. Entre elas, podemos destacar os fundos de investimentos estrangeiros, que podem ser encontrados em diversas corretoras brasileiras. Outra maneira é por meio dos chamados Brazilian Depositary Receipts (BDR), que são certificados negociados na B3 (Bolsa de Valores brasileira).

Também é possível investir no estrangeiro por meio das Exchange Traded Funds (ETF), também negociadas na B3, e por meio dos Certificados de Operações Estruturadas (COE), que é uma espécie de pacote de operações financeiras que envolvem uma série de papéis cujo rendimento pode ser pago por meio de juros ou derivativos.

Se você deseja conhecer algum desses produtos ou mesmo saber como é possível investir no exterior com segurança e praticidade, preencha o formulário que está disponível ao final desta página. Assim, um dos assessores de investimentos da EuQueroInvestir poderá entrar em contato para fazer um diagnóstico de suas atuais aplicações e montar uma carteira de investimentos voltada aos seus objetivos e ao seu perfil de investidor.

Como visto anteriormente, as aplicações de renda fixa também podem sofrer, de certa forma, se a política cambial brasileira não for bem equilibrada. Um possível aumento da inflação pode acabar reduzindo o ganho real com essas aplicações, o que é bastante indesejável, principalmente para quem deseja investir no longo prazo.

É por isso que a população deve ficar atenta aos movimentos do governo no sentido da política cambial, pois há muito em jogo e não podemos deixar esse ponto tão importante de lado.