Taxa de desemprego recua para 11% no 4º tri; 11,6 milhões estão desocupados

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Pixabay

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), referente ao trimestre encerrado em dezembro, mostrou que a taxa de desemprego caiu 0,8 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, indo de 11,8% para 11%.

Na comparação com o mesmo trimestre de 2018, houve queda de 0,6 ponto: o índice ficou em 11,6%. É a menor taxa desde o trimestre encerrado em março de 2016. Já a taxa média do ano recuou de 12,3% em 2018 para 11,9% em 2019. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 31, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

População desocupada cai 7,6%

A população desocupada ficou em 11,6 milhões, com queda de 7,1% em relação ao trimestre anterior, o que significa menos 883 pessoas.

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Na comparação anual, a queda foi de 4,3% (menos 520 mil pessoas).

A média anual de desocupados ficou em 12,6 milhões e recuou 1,7% (menos 215 mil pessoas) em relação a 2018.

População ocupada cresce 0,8%

A população ocupada (94,6 milhões) cresceu 0,8% em relação ao trimestre anterior (mais 751 mil pessoas). Contra o mesmo trimestre de 2018, houve alta de 2,0% (mais 1,8 milhão de pessoas). Na média anual, a população ocupada chegou a 93,4 milhões e ficou 2,0% acima (mais 1,8 milhão de pessoas) da média de 2018.

No trimestre outubro-dezembro de 2019, havia 26,2 milhões de pessoas subutilizadas no Brasil. Este contingente recuou 4,7% (menos 1,3 milhão de pessoas) frente ao trimestre de julho a setembro de 2019. Em relação ao mesmo trimestre móvel de 2018, houve queda de 2,5% nesse contingente (ou menos 670 mil pessoas subutilizadas).

Na média anual, esse contingente chegou a 27,6 milhões, com alta de 1,2% (ou mais 338 mil pessoas subutilizadas) em relação a 2018.

Número de empregados com carteira assinada sobe

O número de empregados com carteira de trabalho assinada (33,7 milhões) cresceu 1,8% (mais 593 mil pessoas) frente ao trimestre anterior (julho-setembro) e subiu 2,2% (mais 726 mil pessoas) em relação ao mesmo trimestre de 2018. A média anual chegou a 33,2 milhões, com alta de 1,1% (mais 356 mil pessoas) em relação a 2018.

O número de empregados sem carteira assinada (11,9 milhões de pessoas) ficou estável em relação ao trimestre anterior e subiu 3,2% (mais 367 mil pessoas) contra o mesmo trimestre de 2018. A média anual (11,6 milhões) subiu 4,0% (mais 446 mil pessoas) em relação a 2018.

A categoria dos trabalhadores por conta própria (24,6 milhões de pessoas) ficou estável na comparação com o trimestre julho-setembro e cresceu 3,3% (mais 782 mil pessoas) em relação ao mesmo período de 2018. A média anual chegou a 24,2 milhões e cresceu 4,1% (mais 958 mil pessoas) em relação a 2018.

Rendimento médio fica estável

O rendimento médio real habitual (R$ 2.340) no trimestre outubro-novembro-dezembro ficou estável em ambas as comparações. A média anual ficou em R$ 2.330, com pequena variação (+0,4%) em relação a 2018.

A massa de rendimento real habitual (R$ 216,3 bilhões) cresceu 1,9% em relação ao trimestre julho-setembro. Frente ao mesmo trimestre de 2018, houve alta de 2,5%. A média anual (R$ 212,4 bilhões) subiu 2,5% em relação a 2018.

Tá, e ai?

Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), o emprego está se recuperando e os números divulgados hoje pelo IBGE confirmam este quadro.

“O problema é que isso vem ocorrendo de forma lenta e com um perfil que deixa muito a desejar”, destacou.

Embora no ano passado a taxa de desocupação tenha diminuído de 12,2% para 11,9%, o IEDI reforçou que “se seguiram em elevação a informalidade, o desalento e a insuficiência de horas trabalhadas, fazendo com que o rendimento médio da população mal saísse do lugar.”

Apesar disso, acrescenta, “a situação pode estar melhorando”. “A boa notícia no final do ano passado vem principalmente da indústria, cujo emprego é majoritariamente formal e mais bem remunerado.”

Em relatório a clientes, a Rosenberg & Associados destaca que o ritmo de queda da taxa de desocupação acelerou no trimestre encerrado em dezembro, quando alcançou 11,0% (0,6 p.p. menor do que foi verificado no mesmo período de 2018).

“O movimento foi influenciado pela queda da taxa de participação, tendência que observa padrão sazonal mais acentuado nos últimos meses do ano, ao mesmo tempo em que o avanço da população ocupada obteve ritmo melhor”, destaca o relatório.

Maior da série

De todo modo, acrescenta o relatório, a população ocupada alcançou 94,552 milhões de pessoas, maior valor já registrado na série histórica, compatível com um nível de ocupação de 55,1% (0,6 p.p. superior ao verificado no mesmo trimestre do ano passado, de 54,5%).

Ainda de acordo com a Rosenberg & Associados, o resultado benigno de dezembro indica que o movimento do mercado de trabalho é de melhora, como expressos pelos dados de população ocupada, assim como há de se observar nesta leitura, também, o avanço do rendimento médio real.

“De todo modo, as elevadas taxas de desalento e subocupação mostram que há um longo caminho a ser percorrido até a normalização no mercado de trabalho”, concluiu a consultoria.