Pnad: taxa de desemprego sobe para recorde de 14,7%, mas em linha com projeção

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/ Agência Brasil

A taxa de desemprego do país, medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, subiu de 14,4% para 14,7% no trimestre encerrado em março, em linha com a projeção do mercado.

Isso corresponde a 14,8 milhões em busca de emprego. É a maior taxa da série histórica, iniciada em 2012.

Pnad desemprego

Reprodução/Pnad

Vale lembrar que ontem (26), os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revelaram a abertura de 120.935 vagas com carteira assinada em abril. No total, o saldo de contratações no ano ficou positivo em 957.889 postos. Mas o resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, que era de 172.500 vagas.

Pnad: efeito sazonal impacta resultado

Segundo Adriana Beringuy, responsável pela pesquisa do IBGE, o aumento da população desocupada é um efeito sazonal já esperado.

As taxas de desocupação costumam aumentar no início de cada ano, tendo em vista o processo de dispensa de pessoas que foram contratadas no fim do ano anterior. “Com a dispensa nos primeiros meses do ano, elas tendem a voltar a pressionar o mercado de trabalho”, explica.

A analista observa que o contingente de ocupados (85,7 milhões) ficou estatisticamente estável na comparação com o último trimestre do ano passado. Mas o nível de ocupação (48,4%) reduziu 0,5 ponto percentual. Desde o trimestre encerrado em maio do ano passado, o nível de ocupação está abaixo de 50%, o que indica que menos da metade da população em idade para trabalhar está ocupada no país.

“Essa redução do nível de ocupação está sendo influenciada pela retração da ocupação ao longo do ano passado, quando muitas pessoas perderam trabalho. Em um ano, na comparação com o primeiro trimestre de 2020, a população ocupada reduziu em 6,6 milhões de pessoas”, comentou Adriana Beringuy, observando que os impactos da pandemia só ficaram visíveis no mercado de trabalho no final de março daquele ano.

Aumento dos trabalhadores por conta própria

Entre as categorias de trabalhadores, houve redução dos empregados do setor privado sem carteira assinada (9,7 milhões), um recuo de 2,9% com menos 294 mil pessoas. Também diminuíram os empregados do setor público sem carteira (1,9 milhão), uma queda de 17,1% ou menos 395 mil.

O único aumento na ocupação ocorreu entre os trabalhadores por conta própria (23,8 milhões), que cresceram 2,4%, um acréscimo de 565 mil postos de trabalho.

Já os trabalhadores do setor privado com carteira assinada ficaram estáveis (29,6 milhões). Na comparação anual, contudo, houve uma redução de 10,7% ou menos 3,5 milhões de pessoas.

Os trabalhadores domésticos foram estimados em 4,9 milhões de pessoas no primeiro trimestre deste ano. Frente ao mesmo trimestre do ano anterior, essa categoria reduziu em 1,0 milhão de pessoas.

Embora estatisticamente estável, o número de empregadores com CNPJ (3 milhões) foi o menor da série histórica iniciada no quarto trimestre 2015, quando começou a ser pesquisada a diferenciação de profissionais com e sem CNPJ.

A taxa de informalidade foi de 39,6% no primeiro trimestre deste ano, o que equivale a 34,0 milhões de pessoas, ficando estável em relação ao trimestre anterior (39,5%). Os informais são os trabalhadores sem carteira assinada (empregados do setor privado ou trabalhadores domésticos), sem CNPJ (empregadores ou empregados por conta própria) ou trabalhadores sem remuneração.

Subutilizados e desalentados têm alta recorde

Outro destaque da pesquisa foi a alta no total de pessoas subutilizadas, que são aquelas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas ou na força de trabalho potencial. No primeiro trimestre, o contingente chegou a 33,2 milhões, o maior da série comparável, um aumento de 3,7% com mais 1,2 milhão de pessoas.

Os desalentados, que desistiram de procurar trabalho devido às condições estruturais do mercado, somaram 6,0 milhões de pessoas, ficando estáveis em relação ao último trimestre de 2020, mas permanecem como maior patamar da série.