Pnad: país tem 12,3 milhões de desempregados

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

A taxa de desemprego no Brasil foi para 11,6% no trimestre encerrado em fevereiro. O resultado é 0,4 ponto percentual maior do que o registrado no trimestre anterior, encerrado em novembro, quando registrou 11,2%.

O cenário é de 12,3 milhões de desempregados, segundo aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgada nesta terça-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O aumento do desemprego interrompe uma sequência de dois trimestres com avanços para a economia.

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Ainda assim, não contabiliza os efeitos da pandemia de coronavírus no mercado de trabalho. De acordo com os especialistas, o cenário deve ser pior do que o de 2013, quando o país registrou 13 milhões de desempregados.

“É normal que no início do ano ocorra essa interrupção, porque já vínhamos numa trajetória de taxas declinantes no fim de 2019. Não tínhamos visto essa reversão em janeiro, no entanto, ela veio agora no mês de fevereiro, provocada por uma queda na quantidade de pessoas ocupadas e um aumento na procura por trabalho”, disse a responsável pela pesquisa, Adriana Beringuy.

No entanto, o resultado do trimestre finalizado em fevereiro deste ano é melhor do que o mesmo período de 2019, quando a taxa ficou em em 12,4%.

“O trimestre encerrado em fevereiro deste ano se apresenta com uma taxa inferior ao do mesmo período do ano passado. Essa queda foi causada pelo crescimento no número de pessoas ocupadas (1,8 milhão), o que impediu a taxa de crescer nessa comparação”, explica a pesquisadora.

A alta no desemprego neste início de ano, diferentemente do notado em anos anteriores, não veio do comércio. Veio sim da construção (-4,4%), da administração pública (-2,3%) e dos serviços domésticos (-2,4%).

“A construção não sustentou o movimento de recuperação que ela vinha apresentando no fim do ano passado. Já a administração pública tem uma sazonalidade, pois ela dispensa pessoas no fim e no início do ano em função de términos nos contratos temporários das prefeituras, nas áreas de educação e saúde, retomando as contratações a partir de março, após a aprovação dos orçamentos municipais. O serviço doméstico está muito ligado ao período de férias das famílias, as dispensas das diaristas, já que muitas famílias viajam, interrompendo a demanda por esse serviço”, avalia.

Pnad: informais somam 38 milhões de pessoas

Já a taxa de informalidade caiu de 41,1% no trimestre de setembro a novembro de 2019 para 40,6% no trimestre encerrado em fevereiro deste ano.

No total, são 38 milhões de informais. Nesse grupo estão os trabalhadores sem carteira, trabalhadores domésticos sem carteira, empregadores sem CNPJ, os que trabalham por conta própria sem CNPJ e os trabalhadores familiares auxiliares.

“A gente ainda vive sob a influência do mês de dezembro, em que tivemos um desempenho muito bom das contratações com carteira trabalho, principalmente no comércio, o que deu um pouco mais de consistência aos dados de formalidade. Isso pode estar contribuindo para a queda na quantidade de informais”, avaliou ela.

Alta no rendimento

Outro reflexo da queda da informalidade foi o aumento no rendimento, que subiu para R$ 2.375, alta de 1,8% no trimestre, frente ao resultado do trimestre anterior.

“Na medida em que se tem um contingente menor de trabalhadores na informalidade, permanecem no mercado pessoas em atividades mais formalizadas e com melhores remunerações, em setores como a indústria e alguns segmentos do comércio”, afirma.

Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, a alta na renda foi mais intensa, de 3,9%.

Pnad: 65,9 milhões de pessoas não procuraram emprego

Outro dado relevante é que foi recorde o total de pessoas fora da força de trabalho no trimestre pesquisado.

De acordo com a pesquisa, 65,9 milhões de pessoas não procuraram trabalho. Isto sem que estejam enquadradas em desalento (pessoas que desistiram de procurar emprego).

O número foi o maior registrado desde 2012.

Os desalentados se mantiveram estáveis em 4,7 milhões.

Coronavírus altera coleta de dados

O IBGE informa que a coleta de dados está sendo feita agora via telefone. A medida visa atender às solicitações de menor circulação de pessoas durante a pandemia de coronavírus. Para confirmar se uma pessoa é mesmo um entrevistador do IBGE, o instituto disponibilizou uma busca em seu site, que pode ser acessada por todos antes do início da pesquisa.