Desemprego sobe a 13,3%; número de ocupados tem queda recorde

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) revelou que o número de pessoas ocupadas no Brasil teve redução recorde de 9,6% no trimestre encerrado em junho, frente ao trimestre anterior. A queda foi de 8,9 milhões de ocupados.

Com isso, a taxa de desocupação subiu de 12,2% para 13,3%, pouco acima da projeção de 13,2% do mercado. Os desocupados ficaram estáveis em 12,8 milhões.

Para a analista Adriana Beringuy, a taxa de desemprego subiu por causa da redução da força de trabalho, que soma as pessoas ocupadas e desocupadas. “Essa taxa é fruto de um percentual de desocupados dentro da força de trabalho. Então como a força de trabalho sofreu uma queda recorde de 8,5% em função da redução no número de ocupados, a taxa cresce percentualmente mesmo diante da estabilidade da população desocupada”, explica.

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Pnad: comércio é setor que perde mais trabalhadores

Todos os grupamentos de atividade analisados pela pesquisa sofreram queda em relação ao número de ocupados.

Mas o comércio foi o setor mais atingido: 2,1 milhões de pessoas perderam suas vagas no mercado de trabalho. A redução é de 12,3% em relação ao último trimestre.

O contingente de ocupados na construção teve uma redução de 16,6%. Isto representa menos 1,1 milhão de pessoas trabalhando no setor.
Os serviços domésticos também foram outra categoria fortemente atingida. Os ocupados foram reduzidos em 21,1% frente ao trimestre encerrado em março. São 1,3 milhão de pessoas a menos nesse grupo.

O contingente de pessoas ocupadas na categoria Alojamento e alimentação também teve redução de 1,3 milhão de pessoas (-25,2%).

Contingente de desalentados é recorde

No trimestre, 5,2 milhões de pessoas entraram na força de trabalho potencial, que soma as pessoas em idade de trabalhar que não estavam nem ocupadas nem desocupadas, mas que possuíam potencial para estarem na força de trabalho. O grupo soma 13,5 milhões de pessoas.

Entre eles estão os desalentados, grupo de pessoas que não buscaram trabalho, mas que gostariam de conseguir uma vaga e estavam disponíveis para trabalhar. Eles foram estimados em 5,7 milhões de pessoas no trimestre encerrado em junho. É o maior número desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012. Em relação ao último trimestre, houve um acréscimo de 19,1%, o que representa 913 mil pessoas a mais nessa situação.

Grande parte dos entrevistados alega que não procura emprego por conta da pandemia de coronavírus.

Pnad: postos com carteira assinada atingem menor patamar histórico

A categoria dos empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada foi estimada em 8,6 milhões de pessoas, uma queda de 2,4 milhões em relação ao último trimestre. Já contingente de trabalhadores por conta própria teve uma queda de 10,3% e agora chega a 21,7 milhões de pessoas. São menos 2,5 milhões de pessoas nessa categoria.

“Da queda de 8,9 milhões da população ocupada, 6 milhões eram de ocupados informais, ou seja, a queda na informalidade ainda responde por 68% da queda da ocupação”, explica a pesquisadora.

Já a categoria de trabalhadores do setor privado com carteira assinada perdeu 2,9 milhões de pessoas (-8,9%). Agora o grupo soma 30,2 milhões de pessoas empregadas.

“Isso faz com que a gente chegue ao menor contingente de trabalhador com carteira assinada na série histórica e mostra que essa queda na ocupação está bem disseminada por todas as formas de inserção, seja o trabalhador formalizado, seja o não formalizado”, analisa.

Massa de rendimento tem retração de R$ 12 bilhões

O rendimento médio habitual aumentou 4,6% no trimestre encerrado em junho, chegando a R$ 2,5 mil, o maior desde o início da série histórica. Já a massa de rendimento real teve redução de 5,6%, ou seja, uma perda de R$ 12 bilhões.