Pnad: metade dos brasileiros em idade de trabalhar estão sem atividade

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Menos da metade das pessoas em idade de trabalhar estão empregadas no Brasil. É o que aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta terça-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O nível da ocupação dos brasileiros chegou a 49,5% no trimestre encerrado em maio. Este é o menor patamar da série histórica iniciada em 2012.

“Pela primeira vez na série histórica da pesquisa, o nível da ocupação ficou abaixo de 50%. Isso nunca havia ocorrido na PNAD Contínua”, salienta a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.

São 85,9 milhões de pessoas ocupadas.

A taxa de desocupação passou de 11,6%, no trimestre até fevereiro, para 12,9% no trimestre terminado em maio, atingindo 12,7 milhões de desempregados. São mais 368 mil pessoas à procura de trabalho em relação ao trimestre anterior.

Pnad

Reprodução/IBGE

Trabalhadores informais são os mais atingidos

No mesmo período, 7,8 milhões de pessoas saíram da população ocupada, uma queda de 8,3%.

“É uma redução inédita na pesquisa e atinge principalmente os trabalhadores informais. Da queda de 7,8 milhões de pessoas ocupadas, 5,8 milhões eram informais”, destaca a pesquisadora.

Os trabalhadores informais somam os profissionais sem carteira assinada (empregados do setor privado e trabalhadores domésticos), sem CNPJ (empregadores e por conta própria) e sem remuneração.

Empregados sem carteira: redução de 20,8%

O número de empregados no setor privado sem carteira assinada caiu 20,8%. Isto significa 2,4 milhões de pessoas a menos no mercado de trabalho.

Já os trabalhadores por conta própria diminuíram em 8,4%, ou seja, 2,1 milhões de pessoas.

Com isso, a taxa de informalidade caiu de 40,6% para 37,6%, a menor desde 2016, quando o indicador passou a ser produzido.

No entanto, aponta a pesquisadora, a queda na informalidade não deve ser analisada de maneira positiva. “Significa que essas pessoas estão perdendo ocupação e não estão se inserindo em outro emprego. Estão ficando fora da força de trabalho”, diz.

PNAD: queda entre os trabalhadores domésticos

O número de trabalhadores domésticos, estimado em 5 milhões de pessoas, teve uma queda de 18,9% em relação ao trimestre encerrado em fevereiro. São 1,2 milhão de trabalhadores a menos no mercado de trabalho.

Empregados com carteira assinada

Já o contingente de empregados no setor privado com carteira assinada (sem contar os trabalhadores domésticos) teve uma queda de 7,5%, ou seja, menos 2,5 milhões de pessoas no mercado, totalizando 31,1 milhões e atingindo o menor nível da série.

Com essas reduções, o contingente na força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas) chegou a 98,6 milhões de pessoas, uma queda de 7,4 milhões (-7%) em relação ao trimestre encerrado em fevereiro.

Comércio perde dois milhões de empregados

O único grupamento de atividade que teve aumento em relação ao trimestre encerrado em fevereiro foi o de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que cresceu 4,6% no período. Isso significa um aumento de 748 mil pessoas no setor.

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Entre os outros grupos, o que apresentou a maior queda foi o comércio. Destaque para reparação de veículos automotores e motocicletas (-11,1%), com menos 2 milhões de empregados. Já a indústria perdeu 1,2 milhão de pessoas (-10,1%) e a Construção, 1,1 milhão (-16,4%).