Pnad: taxa de desemprego fica estável; desempregados somam 14,3 milhões

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
1

Crédito: Reprodução/Pixabay

Os desempregados no Brasil somam 14,3 milhões no trimestre encerrado em janeiro, informa a Pnad Contínua do IBGE. A taxa de desocupação ficou estável em 14,2%, mas ainda assim é a mais alta já registrada para o período.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta quarta-feira (31) pelo IBGE.

O contingente de pessoas ocupadas aumentou 2% e chegou a 86 milhões. O que representa 1,7 milhão de pessoas a mais no mercado de trabalho em relação ao trimestre encerrado em outubro.

“Apesar de perder força em relação ao crescimento observado no trimestre encerrado em outubro, a expansão de 2% na população ocupada é a maior para um trimestre encerrado em janeiro. Esse crescimento ainda tem influência do fim de ano, já que novembro e dezembro foram meses de crescimentos importantes”, explica a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.

Pnad

Reprodução/IBGE

Menos da metade das pessoas em idade de trabalhar está ocupada

Com o aumento no número de ocupados, o nível de ocupação, que é o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, ficou em 48,7%.

A maior parte desse aumento na ocupação veio da população informal.

O número de empregados sem carteira assinada no setor privado subiu 3,6% em relação ao trimestre anterior, o que representa um aumento de 339 mil pessoas.

Já os trabalhadores por conta própria sem CNPJ aumentaram em 4,8% no mesmo período, totalizando 826 mil pessoas a mais. Os trabalhadores domésticos sem carteira, após crescerem 5,2% frente ao trimestre anterior, somam 3,6 milhões de pessoas.

Os trabalhadores do setor privado com carteira de trabalho assinada e os empregadores foram duas categorias que mantiveram estabilidade frente ao trimestre encerrado em outubro. Mas na comparação com o mesmo período do ano anterior, o cenário é de queda. São 3,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada a menos no setor privado. Já a queda no número de empregadores foi de 548 mil pessoas.

Houve queda de 1,1% na população fora da força de trabalho na comparação com o último trimestre.

Essas pessoas que não estavam nem ocupadas nem desocupadas na semana de referência somaram, no trimestre encerrado em janeiro, 76,4 milhões de pessoas. Quando comparado ao mesmo período do ano anterior, esse contingente cresceu 16,2%.

Na comparação com o último trimestre, 720 mil pessoas saíram da força de trabalho potencial, que soma as pessoas em idade de trabalhar que não estavam nem ocupadas nem desocupadas, mas que tinham potencial para estar na força de trabalho. Esse grupo foi estimado em 11,3 milhões de pessoas.

Entre eles estão os desalentados, grupo de pessoas que não buscaram trabalho, mas que gostariam de conseguir uma vaga e estavam disponíveis para trabalhar. Após uma variação de 2,3%, o que representa estabilidade frente ao trimestre anterior, eles foram estimados em 5,9 milhões de pessoas, o maior número desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012. Em relação ao mesmo período do ano anterior, quando havia no Brasil 4,7 milhões de pessoas desalentadas, houve um acréscimo de 25,6%. São 1,2 milhão de pessoas a mais nessa situação.

Vagas nos serviços domésticos e na agricultura

Apenas três entre os dez grupamentos de atividades pesquisados pela Pnad Contínua cresceram na ocupação no trimestre encerrado em janeiro.

Houve aumento de 4,8% no número de ocupados dos Serviços domésticos, o que representa 228 mil pessoas a mais no mercado. Já o aumento do setor da Agricultura foi de 2,7%, ou mais 225 mil pessoas.

No mesmo período, cerca de 313 mil pessoas passaram a trabalhar no setor de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas, que teve a sua ocupação aumentada em 3,1%. Os números dos demais grupamentos ficaram estáveis.

“A Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura foi uma das atividades menos atingidas pela pandemia. Esse resultado pode estar associado à mecanização da produção em larga escala. Além disso, é uma atividade desenvolvida principalmente fora da área urbana, não sendo tão impactada pelas medidas de isolamento social para o controle da pandemia, uma vez que não há grandes concentrações de trabalhadores, como ocorre nos serviços e no comércio”, explica Beringuy.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve queda de 2 milhões de pessoas no contingente de ocupados do Comércio (-11%). De 1,6 milhão em Alojamento e alimentação (-28,1%), de 1,3 milhão na Indústria (-10,3%). De 1,3 milhão em Serviços Domésticos (-20,8%). De 938 mil em Outros Serviços (-18,4%). De 702 mil em Transportes (-14,1%). E de 693 mil na Construção (-10,2%).

Rendimento médio

O rendimento médio habitualmente recebido caiu 2,9% frente ao trimestre encerrado em outubro de 2020 e foi estimado em R$ 2.521. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve estabilidade.

O que é a Pnad Contínua

A PNAD Contínua é o principal instrumento para monitoramento da força de trabalho no país. A amostra da pesquisa por trimestre no Brasil corresponde a 211 mil domicílios pesquisados. Cerca de dois mil entrevistadores trabalham na pesquisa, em 26 Estados e Distrito Federal, integrados à rede de coleta de 564 agências do IBGE.

Em função da pandemia de Covid-19, o IBGE implementou a coleta de informações da pesquisa por telefone desde 17 de março de 2020.