PNAD Contínua: desemprego cai para 12,6% no terceiro trimestre

Matheus Gagliano
Jornalista formado em 2007. Possui mais de 15 anos de experiência em jornalismo econômico e corporativo. Passou por veículos especializados como Brasil Energia e Canal Energia e pelo Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro. Além de passagens por veículos como Record TV do Rio, jornal O Dia e Diário Lance.

Crédito: Divulgação/IBGE

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) apontou que a taxa de desemprego caiu para 12,6% no terceiro trimestre deste ano. Isso representa uma redução de 1,6 ponto percentual frente ao trimestre anterior. Com isso, o número de pessoas em busca de emprego no país caiu para 13,5 milhões, uma retração de 9,3%. Já os ocupados chegaram a 93 milhões, com crescimento de 4%. Os dados foram divulgados pelo pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Com o crescimento no número de ocupados, o nível da ocupação, percentual de pessoas em idade de trabalhar que estão no mercado de trabalho, chegou a 54,1%. No trimestre passado, esse percentual era de 52,1%. O trabalho doméstico tem maior alta da série histórica, mas segue abaixo do período pré-pandemia

“No terceiro trimestre, houve um processo significativo de crescimento da ocupação. Isto permitiu, inclusive, a redução da população desocupada, que busca trabalho. Como também da própria população que estava fora da força de trabalho”, diz a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy. A população fora da força de trabalho é o contingente daqueles que não estão ocupados nem buscando emprego.

PNAD Contínua

PNAD Contínua: informalidade responde por 54% do crescimento

Beringuy destaca que a informalidade responde por 54% do crescimento da ocupação. Entre as categorias de emprego que mais cresceram frente ao trimestre anterior estão os empregados do setor privado sem carteira assinada (10,2%), que somaram 11,7 milhões de pessoas.

No mesmo período, o número de trabalhadores domésticos chegou a 5,4 milhões, aumento de 9,2%, o maior desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012. Se considerados apenas os trabalhadores sem carteira, houve aumento de 10,8%, o que representa 396 mil pessoas a mais.

Ela explicou que este é um processo de recuperação que já vinha ocorrendo desde junho. “A categoria dos empregados domésticos foi a mais afetada na ocupação no ano passado. E nos últimos meses, há uma expansão importante. Embora haja essa recuperação nos últimos trimestres da pesquisa, o contingente atual desses trabalhadores é inferior ao período pré-pandemia”, afirma. No primeiro trimestre do ano passado, 6,0 milhões de pessoas eram trabalhadores domésticos.

Também houve crescimento no contingente de trabalhadores por conta própria. Estes registraram elevação de 3,3%. São 25,5 milhões de pessoas nessa categoria, o maior número desde o início da série histórica da pesquisa. Esse contingente inclui os trabalhadores que não têm CNPJ, que cresceram 1,9% frente ao último trimestre. Com isso, a taxa de informalidade chegou a 40,6% da população. São 38 milhões de trabalhadores nessa situação.

O aumento na ocupação também está relacionado principalmente às atividades de comércio (7,5%), com 1,2 milhão de trabalhadores a mais, indústria (6,3%, ou 721 mil pessoas), construção (7,3%, ou 486 mil pessoas) e serviços domésticos (8,9%, com adição de 444 mil pessoas).

Rendimento real tem queda de 4%

Apesar do avanço no número de pessoas ocupadas, o rendimento real habitual foi de R$2.459. Ou seja: hoje uma retração de 4,0% frente ao último trimestre e de 11,1% em relação ao terceiro trimestre do ano passado.

Já a massa de rendimento (R$223,5 bilhões) ficou estável nas duas comparações. De acordo com Beringuy, esses números indicam que o aumento da ocupação foi puxado por postos de trabalho com salários menores.

BTG (BPAC11) vê continuidade de tendência positiva para recuperação

Para o banco BTG Pactual (BPAC11), no mês de setembro, a pesquisa apresentou a quinta queda seguida. Isto sinaliza a continuidade da tendência positiva de recuperação da taxa de desemprego, mesmo com o afrouxamento das medidas de restrição social e, consequentemente, aumento da força de trabalho.

Já os dados antecedentes para o mês de outubro refletiram a deterioração do ambiente doméstico e externo. Contudo, a expectativa da manutenção de dados bastante positivos de criação de vagas do Caged, somado a continuidade da reabertura econômica deve manter uma desaceleração marginal do índice.

Como funciona o indicador

A PNAD Contínua é um indicador que visa acompanhar as flutuações e as evoluções da taxa de desemprego a curto, médio e longo prazo.

Os dados coletados pelo índice são utilizados pelos governos para analisar a situação empregatícia no Brasil. Isso implica vários outros indicadores, já que o nível de vida está atrelado à situação de emprego ou desemprego.

O que é PNAD Contínua

A PNAD Contínua mede a força de trabalho dos brasileiros em determinado período e compara sua evolução ao longo dos tempos, portanto, se mostra essencial para o desenvolvimento socioeconômico do país.

Os dados são coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, o IBGE, dessa forma, tem como unidade de investigação os domicílios.

Periodicidade de divulgação das informações

Com o objetivo de dar subsídios ao acompanhamento da economia do país, a pesquisa foi planejada para produzir indicadores nos seguintes períodos:

– Mensal;

– Trimestral;

– Anual;

– Variável.

Resultados mensais e trimestrais divulgados pelo PNAD Contínua

Os indicadores mensais são restritos à força de trabalho e somente para o nível geográfico do país. Já os trimestrais se diferenciam por indicar dados de todos os níveis de divulgação da pesquisa.

Apesar dos resultados serem mostrados mensalmente, eles não refletem a situação mensal, mas sim as informações do trimestre móvel que finaliza cada mês. Por exemplo, ao divulgar os dados de fevereiro, considerou-se meses de:

– Dezembro de 2020;

– Janeiro de 2021;

– Fevereiro de 2021.