O Índice dos Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços do Brasil, divulgado nesta quarta-feira (3) pela IHS Markit, caiu de 51,1 para 47 pontos em janeiro. As leituras do indicador acima de 50 pontos indicam aquecimento da atividade econômica.
É a primeira vez em cinco meses que o índice fica abaixo da linha dos 50 pontos. A queda já se aproximava, uma vez que os últimos números estavam em uma baixa de seis meses. Entretanto, estes eram indicativos de um ritmo moderado de redução em relação àqueles vistos no início da COVID-19.
De acordo com o IHS Markit, os participantes da pesquisa associaram o declínio no índice de produção aos maiores números de caso da doença. Além disso, há relação também com a perda de clientes existentes, ao fechamento de empresas e à fraca demanda por serviços.
Queda na demanda
Conforme os dados, as empresas monitoradas viram um novo declínio nas demandas de novos negócios durante janeiro. Houve quebra na sequência de cinco meses de crescimento. Novos pedidos para exportação também caíram, depois de aumentarem ao ritmo mais rápido em mais de dois anos durante dezembro.
E ainda, diante de poucos novos negócios, as empresas desviaram os recursos para a conclusão de projetos pendentes. O índice de pedidos em atraso caiu pelo terceiro mês consecutivo e ao ritmo mais rápido desde julho passado.
Por fim, junto ao excedente de capacidade, as condições de demanda fraca, os esforços de redução de custos e uma segunda onda de casos de COVID-19, os prestadores de serviços baixaram os números relativos à folha de pagamento em janeiro. A queda no índice de emprego foi a segunda em meses consecutivos, embora tenha sido moderada em comparação à média de 2020.
Dados consolidados
A recuperação do setor privado brasileiro foi interrompida no começo de 2021. Isso foi por consequência do novo declínio no volume de novos pedidos. Ainda, a queda causou redução de postos de trabalho e a primeira redução no índice de produção em seis meses.
O Índice Consolidado de Dados de Produção caiu de 53,5 em dezembro para 48,9 em janeiro. O número sinaliza um leve declínio no índice de produção do setor privado. Encerra-se uma sequência de cinco meses de expansão. A contração ocorreu majoritariamente na economia de serviços, embora o crescimento da produção fabril tenha diminuído visivelmente.
“Os resultados da pesquisa PMI de janeiro indicam que a economia brasileira corre o risco de voltar à contração no trimestre inicial de 2021”, aponta Pollyanna De Lima, Diretora Associada de Economia na IHS Markit.
De acordo com a diretora, o pico nos casos de COVID-19 impactou fortemente o setor privado durante janeiro. “O setor industrial conseguiu se manter no modo de expansão, ainda que os índices de crescimento tenham diminuído visivelmente desde o fim de 2020”, disse.
Para ela, no entanto, o setor de serviços levou um golpe decorrente da renda comprimida e deterioração subsequente na demanda. Como resultado, a economia do setor privado registrou declínios renovados em novos negócios, índice de produção e índice de emprego.
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