PMI industrial do Brasil fica em 36 pontos, o pior já registrado

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

De acordo com o índice dos gerentes de compras (PMI na sigla em inglês) industrial do Brasil, divulgado nesta segunda-feira (4) pelo IHS Markit, a indústria foi fortemente impactada pela crise do coronavírus.

O indicador caiu de 48,4 pontos em março para 36 em abril. Esta é a menor leitura já registrada em toda a série histórica da pesquisa (iniciada em 2006). Pontuações abaixo de 50 indicam retração da atividade econômica.

É também pior do que o registrado em janeiro de 2009, recorde anterior, decorrente da Grande Recessão mundial iniciada em 2008.

De acordo com Andrew Harker, diretor de economia do IHS Markit, os dados revelam uma “forte e súbita” contração da indústria brasileira pós-Covid-19.

Os fabricantes responderam à queda na demanda reduzindo o nível de empregos e a atividade de compra. O número de funcionários diminuiu ao ritmo mais acentuado desde junho de 2016, ao mesmo tempo em que a redução na compra de insumos registrou um novo recorde para a pesquisa.

Alguns entrevistados indicaram que o nível de empregos tinha sido reduzido como parte de tentativas de redução de custos.

O sentimento em relação aos negócios caiu acentuadamente pelo segundo mês consecutivo. E atingiu um recorde de baixa de 49 meses, apontou a pesquisa.

Grau de otimismo apresenta deterioração

Embora algumas empresas antecipem um retorno do crescimento de novos negócios e da produção quando a pandemia estiver sob controle, há preocupação crescente com o tempo necessário de volta à normalidade.

“Como se não bastasse, as empresas também estão sendo atingidas por aumentos de custos causados pela valorização do dólar. Isto força um aumento de preços de venda, apesar da forte queda na demanda. O grau de otimismo de que haverá uma rápida recuperação está se deteriorando. As empresas começam a prever um longo e difícil caminho pela frente”, afirmou no relatório o diretor do IHS Markit.