PMI fabril da China vai a 35,7 pontos, com Covid-19, e alcança mínimo histórico

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Getty Images

O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) de manufaturados da China, em fevereiro de 2020, foi divulgado pela Federação Chinesa de Logística e Compras e pelo Centro de Pesquisa da Indústria de Serviços do Bureau Nacional de Estatísticas, nessa sexta-feira (28), e foi de 35,7 pontos, uma queda de 14,3 pontos em relação ao mês anterior, indo à mínima histórica.

O PMI varia entre 0 e 100. Se for inferior a 50, indicam uma deterioração ou diminuição em relação ao mês anterior; se for superior a 50, há uma melhoria ou aumento em relação ao mês anterior.

Analisada por país e por setor industrial ou de serviço, cada pesquisa é baseada em respostas obtidas de painéis de altos executivos em mais de 400 empresas. Esse painel é criteriosamente selecionado para representar com precisão a estrutural real destes setores.

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O analista especial Zhang Liqun, do Bureau, acredita que o PMI caiu acentuadamente em fevereiro como consequência da epidemia do coronavírus Covid-19.

A situação piora quando se analisa o histórico chinês. Como indicador em relação ao mês anterior, o PMI de fevereiro deveria apresentar tendência de alta, porque o janeiro chinês é menor por conta do grande feriado do Ano Novo lunar, embora seja uma data móvel. A expectativa era que o índice chegasse a 46, o que j

No entanto, o impacto da epidemia mudou a situação e mostrou um declínio substancial, o que mostra a magnitude do impacto da epidemia.

Índices

Os índices que refletem o lado da oferta e o lado da demanda caíram acentuadamente, mostrando o grande impacto da epidemia na produção atual e na demanda do mercado. Considerando a situação atual de prevenção e controle de epidemias e o progresso da retomada do trabalho e da produção, os principais indicadores econômicos deverão diminuir significativamente no primeiro trimestre.

O índice de produção foi de 27,8, uma queda de 23,5 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Do ponto de vista do tamanho da empresa, os índices de produção das grandes, médias e pequenas empresas estão abaixo de 50: 28,3, 28,1 e 26,1, respectivamente.

O índice de novos pedidos foi de 29,3, uma queda de 22,1 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Do ponto de vista do tamanho da empresa, o índice de novos pedidos de grandes, médias e pequenas empresas também ficou abaixo de 50 pontos: 30,2, 29,3 e 26,8, respectivamente.

Já o novo índice de pedidos de exportação foi de 28,7, uma queda de 20,0 pontos percentuais em relação a janeiro. As grandes, médias e pequenas empresas também estão abaixo de 50: 29,5, 26,1 e 31,0, respectivamente.

O índice de pedidos em carteira foi de 35,6, queda de 10,7 pontos percentuais. O índice de volume de compras foi de 29,3, uma queda de 22,3 pontos percentuais. O índice de estoque de produtos acabados ficou abaixo dos 50 pontos, com 46,1 pontos, mas ao menos registrou um aumento de 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior.

O índice de importação (31,9, queda de 17,1 pontos percentuais), índice de preços de compra (51,4, mas com queda de 2,4 pontos percentuais), índice de preços à saída da fábrica (44,3, queda de 4,7 pontos percentuais) e índice de estoque de matérias-primas (33,9, queda de 13,2 pontos percentuais) mostram que a indústria toda chinesa está contaminada.

PMI a partir daqui

Analistas do Bureau estão otimistas, apesar de todos os números mostrarem contração: “a epidemia do novo coronavírus teve mais repercussões que o previsto na produção e nas operações das empresas chinesas, mas parece caminhar para seu controle e o impacto na produção se atenua progressivamente”.

No mundo todo, na atualização de 9:43h de sábado (29), feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), são 85.409 casos confirmados, com 2.933 mortes. Entretanto, de fato, na China continental, os casos têm aumentando com menor velocidade do que vinha acontecendo até a semana passada, a ponto de no resto do mundo esse acréscimo ser constantemente maior do que o observado no país.

Há uma teoria entre especialistas chineses de que a epidemia já alcançou o seu auge e estará totalmente controlada até o final de março. Mas não há certeza científica nisso, de modo que o governo chinês continua mantendo milhões de cidadãos em quarentena, com fábricas ainda fechadas, especialmente na província de Hubei, onde a crise se iniciou.

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