‘Plano Marshall’ para restabelecer a economia é pedido por empresários

Osni Alves
Jornalista desde 2007. Passou por redações e empresas de comunicação em SC, RJ e MG. E-mail: oalvesj@gmail.com.

Empresários do mercado financeiro discutiram os impactos do coronavírus entre si e estão pedindo que o governo implemente o ‘Plano Marshall’ para evitar colapso na economia.

Isso porque eles estimam que o volume de desempregados no país passe dos atuais 12 milhões para 40 milhões por conta dos impactos da pandemia.

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A iniciativa partiu de Guilherme Benchimol, CEO da XP, Benjamin Steinbruch presidente da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), Wilson Ferreira Júnior, presidente da Eletrobrás, André Street, presidente da Stone (máquinas de pagamento) e Rubens Menin, fundador da MRV.

O referido plano (1947-1951) foi um programa de ajuda econômica dos EUA aos países da Europa Ocidental após a II Guerra Mundial. O objetivo era reconstruir economicamente os países europeus ocidentais afetados pelo embate.

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Gota no oceano

O pedido se dá porque os empresários consideram que as medidas anunciadas estão aquém do necessário. “O que temos até agora de estímulos é uma gota no oceano”, disse Benchimol.

E acrescentou: “precisamos de um plano de verdade, pois os números são assustadores, o buraco é muito mais embaixo”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo.

Isso porque o governo anunciou pacote de R$ 147 bilhões em estímulos à economia, com mais R$ 55 bilhões anunciados neste domingo pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para ajuda às empresas e pessoas físicas.

Para Benchimol, dentre os impactos do vírus, está o risco de aumento de pessoas passando fome e no número de assassinatos nos próximos meses.

Já Steinbruch, Street e Menin pedem apoio ao comércio local. Eles veem risco de paralisia da economia, principalmente das pequenas e médias empresas.

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Governo e Congresso

Os empresários aguardam uma mobilização nacional iniciando entre governo e Congresso. Eles pedem medidas contracíclicas.

Steinbruch diz esperar, também, que o governo amplie o prazo para pagamento de impostos e que já conversa com fornecedores para manter as atividades em funcionamento.

Pedro Guimarães

Presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães afirmou cerca de 30 milhões de brasileiros serão impactados com as ações de ajuda provenientes do governo.

“Já estamos postergando pagamentos, reduzindo a taxas de juros. Isso nos preocupa e um plano está sendo liderado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.”

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Novos anúncios pela Caixa

O EuQueroInvestir.com obteve algumas possíveis ações que devem ser anunciadas pela Caixa Econômica Federal esta semana.

De acordo com assessores de investimentos consultados pelo portal, o banco deve anunciar que 70% de seu contingente trabalhará home office.

Também será liberado R$ 40 bilhões de capital de giro às empresas. Outros R$ 5 bilhões serão aportados nas Santas Casas.

A Caixa também pretende injetar R$ 30 bilhões para compra de carteiras de bancos médios e vai reduzir juros de cheque especial e cartão.

Outra medida será a concessão de dois meses de postergação automática de todas as linhas de crédito. O objetivo é ajudar o Brasil e mitigar o impacto econômico da crise.

Já os desembolsos do FGTS serão executados via celular.

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Os empresários

Presidente da CSN, Benjamin Steinbruch defende prolongamento de 90 dias de adiamento dos vencimentos financeiros. CSN está concedendo mais prazo de pagamento para todos os clientes.

Presidente da Stone, André Street abriu linha de crédito de R$ 100 milhões para os clientes, doação de taxas de R$ 30 milhões em taxas da Stone.

A empresa de pagamentos também está fazendo campanhas com incentivo para compra de negócios locais. A Stone hoje se comunica com 500 milhões de micro e pequenas empresas diariamente.

De acordo com a companhia, o capital de giro das PMEs dura, em média, 27 dias.

CEO da XP, Guilherme Benchimol frisouq eu 95% do time está trabalhando home office. Ele diz acreditar, inclusive, que a empresa está funcionando melhor do que nos escritórios.

“O Brasileiro médio não tem poupança e provavelmente teremos muitas demissões na próxima semana. Importante isolar bastante os grupos de risco. Isso reduz significativamente o risco de internações e mortes”, disse.

Para ele, o governo precisa multiplicar por três o plano que imaginar. “O dinheiro precisa chegar na ponta.”

Economista da XP, Marcos Ross frisou que existe espaço fiscal no governo para expansão dos gastos. “A solução só pela política monetária não é viável, pois 76% do PIB é de dívida e o resultado é negativo em 1.3% do PIB nos últimos 12 meses”, explicou.

E acrescentou: “governo precisa se alavancar e despejar dinheiro a fundo perdido na economia. Não podemos criar burocracias.”

Presidente da Caixa, Pedro Guimarães disse que o banco vai capitalizar intermediários que falam com pequenas empresas. “Faremos capitalizações. Faremos operações com FIDCs. Todo o saldo remanescente será postergado. Já estamos estudando mais do que dois meses. Podem virar três ou quatro. A Caixa reforça o compromisso de reduzir as taxas de juros”, disse.

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Plano Marshall

Recebeu esse nome em homenagem a seu idealizador George Catlett Marshall, um general do exército estadunidense, e totalizou um aporte de 18 bilhões de dólares aos europeus, utilizados para a reconstrução de edificações e indústrias, importação de alimentos e mercadorias industrializadas, bem como no financiamento da agricultura.

Alguns órgãos foram criados para administrar os recursos financeiros, como a Administração de Cooperação Econômica, pelos EUA, e a Organização Europeia de Cooperação Econômica (OECD).