Planner revisa projeções para a Usiminas (USIM5) e recomenda compra da ação, embora mantenha preço-alvo

Omar Salles
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Crédito: Divulgação

A Corretora Planner revisou as projeções para a Usiminas (USIM5) neste ano e passou a recomendar a compra do papel, embora tenha mantido um preço-alvo de R$ 12,00 para a ação – uma alta potencial de 23,7% sobre os atuais R$ 9,70. Segundo a Planner, a Usiminas depende do mercado brasileiro – onde efetua mais de 80% das suas vendas – e por isto é primordial para a empresa que o consumo de bens duráveis decole em 2020.

A Planner projeta que em 2020 a Usiminas deverá ter um faturamento líquido de R$ 15 bilhões – resultado ligeiramente acima dos R$ 14,6 bilhões que deve ter faturado em 2019. O lucro líquido, contudo, deverá subir dos R$ 43 milhões projetados em 2019 para R$ 631 milhões em 2020. O EBITDA, que no ano passado deve ter sido de R$ 1,8 bilhão, deverá crescer para R$ 2 bilhões neste ano.

O cenário não é desfavorável para os produtores brasileiros de aço. O setor siderúrgico conseguiu repassar um aumento de 5% a 10% para os compradores de aço na cadeia industrial em janeiro e planeja um novo aumento, também na mesma faixa, para março. O ainda alto preço do dólar prejudica a venda do aço chinês, argentino e de outros países no Brasil.

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“Estes aumentos de preços terão impacto positivo na rentabilidade no primeiro trimestre.  Vale lembrar que a empresa já havia corrigido seus preços em 5% no quarto trimestre do ano passado”, destaca a Planner. Além da possível recuperação da rentabilidade, outro ponto positivo em favor da Usiminas é que a empresa fez uma emissão de debêntures de R$ 2 bilhões no final de 2019, além de receber R$ 750 milhões da Eletrobras.

“Esses recursos foram usados para o pré-pagamento de dívidas provenientes da renegociação de 2016. Esta operação levou à redução do endividamento total e do seu custo”, comenta a Planner. No final do terceiro trimestre de 2019, a dívida da Usiminas caiu para R$ 4,2 bilhões para R$ 4 bilhões. A relação dívida líquida/EBITDA recuou de 1,8x no terceiro trimestre de 2018 para 1,6x em igual período de 2019. Segundo a Planner, 95% da dívida é de longo prazo.

Dados do Instituto Aço Brasil (IAB) indicam que as vendas de aço caíram 4,25 no quarto trimestre de 2019, em relação ao trimestre anterior, e 1,2% em relação a igual período de 2018. A projeção para 2019, contudo, é de um aumento de pelo menos 5% nas vendas. Além das indústrias automobilística e de eletrodomésticos, a construção civil é grande consumidora de aço.

Outro ramo em que a Usiminas deve crescer é o de minério de ferro. A empresa tem 70% da Mineração Usiminas (MUSA) que  produziu 6,1 milhões de toneladas de minério de ferro nos primeiros nove meses de 2019, uma quantidade 23% maior que em 2018. Isto aconteceu porque os preços do minério de ferro se recuperaram no mercado internacional no ano passado. Os preços voltaram a cair em 2020 com o surto do coronavírus chinês, mas não se sabe por quanto tempo esta situação irá perdurar no mercado da China.