Planejamento financeiro: O caminho para a sua aposentadoria

Nós, brasileiros, não temos a cultura de poupar, tão pouco de se programar financeiramente, seja no nosso dia-a-dia, seja para aposentadoria. A gente vai simplesmente gastando sem pensar que os meus ganhos de hoje talvez não existam mais no futuro por diversas razões. Às vezes a gente até se planeja para guardar, mas acaba sempre surgindo alguma despesa extra, uma roupa nova, uma viagem, etc e não sobra nada no fim do mês.

Filipe Teixeira
Filipe Teixeira é redator do Portal EuQueroInvestir. Gremista, filho dos anos 80, apaixonado por filmes, música, política e economia.É também Coordenador da área de Marketing do EuQueroInvestir.com e do EuQueroInvestir A.A.I assessores de investimentos.Me envie um e-mail: filipe.teixeira@euqueroinvestir.com Ou então uma mensagem por WhatsApp: (51) 98128-5585 Instagram: filipe_st

Ou muitas vezes se poupamos, acabamos gastando isso nos meses seguintes com alguma despesa inesperada. E se existe esse hábito de guardar, muitas vezes esse dinheiro está mal aplicado, como na poupança, por exemplo. Se você se vê nesse perfil não se desespere, você e mais pelo menos 90% dos brasileiros se enquadram em um desses exemplos citados. E a culpa não é só sua. Nossas escolas não ensinam educação financeira básica, nossas faculdades tão pouco. Não é comum ensinarmos nossas crianças sobre orçamento familiar. Não se ouve falar disso em lugar nenhum, a não ser que você vá atrás desse tipo de conteúdo em locais específicos.

Isso é cultural, mas ainda dá tempo de começar a pensar no seu futuro, procurar informações sobre planejamento financeiro e reverter essa falta de programação financeira que você viveu até hoje, começando a pensar no curto, médio e longo prazo, na sua vida e segurança financeira ao tomar as rédeas do seu futuro, sendo ativo junto ao seu planejamento financeiro e não apenas reativo quando os problemas aparecem.  É por isso que você precisa colocar “nome” ao seu dinheiro. Já imaginou se o nome do seu dinheiro for: Aposentadoria? Uma casa no futuro? A faculdade dos seus filhos? Quando você colocar um objetivo pro seu dinheiro, esse hábito de poupar terá muito mais sentido, como uma dieta é mais fácil de seguir se você tem o objetivo de perder “x” kgs, ou de estar mais magro(a) para data tal. É essa a nossa meta, entender a sua realidade financeira, programar objetivos pro seu dinheiro e acompanhar esse montante de forma a garantir que ele esteja rendendo bem, compatível com o seu perfil e prazos estipulados.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Imagina você que o mercado financeiro tem uma prateleira enorme, com diversas opções de investimento pra você. Como você é capaz de escolher qual a melhor delas sem antes fazer uma análise de acordo com as suas metas e objetivos se você ainda não parou pra pensar no seu planejamento financeiro?

Sim, isso mesmo, seu planejamento, pessoal, individualizado, único, pensado na sua vida, nos seus ganhos, na sua tributação de Imposto de Renda, nos seus gastos, em quando você pretende pendurar as chuteiras (ou escolher trabalhar menos, sem ter que aguentar aquele cliente chato ou aquele chefe insuportável) e em quanto você vai querer ter de renda passiva quando chegar esse momento.

Três potinhos do Planejamento Financeiro

Pois bem, vou te apresentar aqui um conceito bem difundido em planejamento financeiro, que de forma bastante prática te facilitará distinguir seus objetivos em diferentes prazos e consequentemente te ajudará a escolher melhor os investimentos pensando em cada um deles. Eu chamo de conceito dos 3 potinhos! (Nada tem a ver com a história dos 3 porquinhos tá pessoal! Aqui a gente só constrói riquezas, não destrói nada não!

Esses potinhos são:

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  • Emergência
  • Status
  • Riqueza

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Vamos apresentá-los um a um!

Potinho da Emergência

O primeiro potinho vai tratar do seu curto prazo. Nele, o mais importante é entender o conceito de reserva de emergência, ou seja, um dinheiro que precisa ter liquidez, estar disponível em pouco tempo caso aconteça algum evento inesperado com você ou com alguém da sua família por exemplo. Analistas financeiros estimam que essa reserva deve ser compatível com 3-6 meses dos seus gastos, dependendo da sua estabilidade financeira. Aqui, você deve optar por aplicações mais conservadoras, que sejam D+0 e D+1, ou seja, que você tenha acesso com rapidez em caso de necessidade. Quando eu digo aplicações conservadoras não necessariamente estamos falando da “boa” e velha poupança, ok?

Existem aplicações no mesmo perfil de segurança da poupança, mas que trazem rendimentos superiores, porque afinal de contas a poupança só é boa para o governo, que toma empréstimos compulsórios dos bancos fazendo com que a remuneração da poupança para você, investidor, seja abaixo do justo para uma aplicação conservadora.

E quanto seria esse justo? Aproximadamente 100% do CDI. E o que é CDI? De novo, você desconhecer esses termos não te faz nenhum ignorante. Apenas constata o que falamos no início de nosso artigo, a grande maioria dos brasileiros não tem esse conhecimento financeiro básico. E o mais importante, em “português” e não em “financês” para que você consiga compreender sem ter feito um doutorado em economia. Voltando à pergunta, CDI (ou crédito de depósito interbancário em financês), é o referencial econômico para sabermos se o investimento está bom ou ruim. Na prática, se o seu investimento estiver em torno de 100% do CDI para cima, ele está bom, e quanto mais abaixo do CDI, como é o caso da poupança, que rende hoje 70% do CDI, o investimento está ruim/péssimo. Pausa aqui pra salientar que 70% é o que se rende hoje em dia, em tempos de taxa de juros (financês = SELIC) baixa como estamos hoje, pois há dois anos atrás o seu dinheiro aplicado na poupança rendia aproximadamente 50% do CDI.

No gráfico abaixo, você pode constatar que, nos últimos 24 meses, a poupança rendeu na média 65% do CDI, enquanto o índice IBOVESPA, mais importante (e também volátil, indicado para investidores mais agressivos), indicador do desempenho médio das cotações das ações negociadas na Bolsa de Valores da São Paulo, rendeu 138% do CDI.

Ah, mas a poupança não paga IR! Quem já não ouviu isso do gerente de banco ou da vovó que cresceu desconhecendo outros tipos de aplicações? Primeiro, existem outras aplicações que não pagam IR que talvez sejam interessantes pra você, dependendo do seu planejamento financeiro, já sabendo que esse deve ser analisado com base nos seus objetivos. Segundo, a alíquota de IR em outras aplicações de Renda Fixa pode chegar a 15% ou em alguns casos, como veremos mais a frente pagar ainda menos que esses 15%. Por fim, vamos a um exemplo: você ganhou R$ 100 de rendimentos em uma aplicação tradicional. Foi tributado em R$ 15, sobrando R$ 85, correto? Na poupança, no melhor dos casos, você teria ganho R$ 70,00. E aí, qual dos dois você prefere?

Dito tudo isso, eu preciso que você entenda que o mais importante nesse potinho é dimensionarmos o tamanho dele, ou seja, quanto você deve ter poupado para que não precise recorrer a algum empréstimo em uma possível emergência. E devido a esse caráter, que as aplicações precisam ser conservadoras e líquidas.

Potinho do Status

No seu segundo potinho, do status, você precisa entender seus objetivos de médio prazo, que precisam de um planejamento mais completo para serem adquiridos, como o dinheiro para a festa de casamento, para a troca de carro ou a aquisição da tão sonhada casa própria, se esse for seu objetivo. Aqui você já pode pensar em aplicações que tenham maior rentabilidade por estarem expostas ou a uma volatilidade maior, como os fundos multimercados mais agressivos, fundos de ações, fundos imobiliários dentre diversos outros tipos; ou a um travamento como LCI, LCA, COE, alguns tipos de tesouro direto e demais sopa de letrinhas disponíveis na prateleira, cuja escolha deve ser orientada por um profissional planejador financeiro, adequada ao seu perfil e definição de objetivos.

Potinho da Riqueza

Por último, já falamos do dinheiro da sua reserva de emergência, dos seus recursos e objetivos de médio prazo e agora é hora de falar do mais sonhado potinho, da Riqueza, a cereja do bolo, onde todos querem chegar, mas que se exige disciplina da sua parte e conhecimento técnico do planejador financeiro para definição de um bom investimento, coisa que dificilmente você vai ver com aquele gerente tradicional. É aqui que a sua realidade atual e suas metas de amanhã mais serão impactadas na definição desse investimento.

Importante frisar que aqui estamos abordando seu longo prazo e portanto, você precisa olhar na prateleira e selecionar que tipo de investimento você tem mais vantagens levando em consideração esse aspecto. O objetivo é se programar para alcançar uma independência financeira, ou seja, você ser capaz de juntar um dinheiro que mensalmente já renda aquilo que você gasta todos os meses e assim ter uma vida mais tranquila lá na frente, sem que seja necessário trabalhar aos 60 no ritmo que trabalha com 30. E, pra isso, você deve estar poupando no mínimo 10% dos seus recursos nesse potinho. Aqui destacamos a bastante conhecida e muitas vezes erroneamente mal falada previdência privada.

Previdência Privada x INSS

Antes de falar exatamente da previdência privada, precisamos diferenciá-la da previdência social, o famoso INSS, que é obrigatório para todo brasileiro empregado oficialmente. Essa aposentadoria vem perdendo seu poder de compra anualmente, além do que se você parar de contribuir, não terá direito à aposentadoria, já que esta prevê um tempo mínimo de contribuição. Sem falar no que vêm sendo discutido no governo à respeito da Reforma Previdenciária, cuja única certeza que temos é de que tornará as regras de acesso, como idade e tempo de contribuição, ainda mais rígidas.

Já a previdência privada é um tipo de investimento com as mesmas características de um fundo de investimento comum, em que você faz aportes mensais e acompanha a rentabilidade, porém com vantagens tributárias em relação a outros investimentos para quem contribui no longo prazo. No entanto, você precisa entender a sua realidade de ganhos para que possa escolher o tipo de previdência mais adequado. Caso essa análise não seja feita, ou pior, seja feita de maneira incorreta, você pode perder dinheiro ou deixar de aproveitar possíveis ganhos fiscais, que teu gerente e o leão não vão te devolver no futuro.

Como escolher uma boa Previdência Privada

A previdência privada deve ser vista como um tripé, onde você precisa entender a sua realidade de ganhos para poder fazer uma escolha de três pilares: tipo de plano (VGBL x PGBL), tabela de tributação (progressiva x regressiva) e escolha do fundo. Caso um desses pilares seja escolhido errado, os ganhos da sua previdência podem ser prejudicados. Por isso a importância da escolha correta do seu plano de previdência.

Independente do tipo de plano, todos eles possuem algumas vantagens tributárias comuns, como o pagamento de IR somente no momento do saque ao invés do come-cotas (presente nos fundos de investimento tradicionais, onde a cada 6 meses o governo antecipa a alíquota mínima de IR de 15% dos ganhos), diminuindo o total de seus investimentos pois já está antecipando o imposto que na previdência só será pago no momento do saque. Essa diferença se torna gigantesca quanto maior o prazo investido. Ao lado segue um comparativo publicado pelo Jornal O Globo comparando o rendimento de um fundo com e sem come-cotas. Note-se que, quanto maior o prazo, a diferença cresce com muito mais intensidade entre o fundo com e sem come-cotas.

Também possuem a facilidade de poderem ser portados entre fundos de diferentes seguradoras, sem resgates, não necessitando serem sacados como nos fundos tradicionais. Além de não irem para inventário em caso de falecimento do titular, passando diretamente para os seus beneficiários, que não precisam ser seus herdeiros legais, inclusive, facilitando e barateando o planejamento sucessório. Outra grande vantagem da previdência privada é a regularidade de contribuições. É o único investimento que podemos programar débito em conta bancária ou boletos mensais, ajudando na já falada (e imprescindível) disciplina por parte do investidor. E justamente pela regularidade das contribuições mensais, as grandes gestoras abrem mão de grandes aportes iniciais em bons fundos, que se não fossem fundos de previdência privada com aportes mensais você só teria acesso com altos montantes iniciais.

Voltando a falar do nosso tripé, temos:

PGBL X VGBL: apenas uma letrinha que muda completamente o seu plano de previdência.

O PGBL é para você que tem receita tributável e faz declaração anual de IR pelo modelo completo. Esse modelo permite redução da base tributável em até 12%. Ou seja, se você tem uma receita tributável anual de R$ 100.000,00, faz declaração completa e opta por fazer a contribuição máxima permitida pelo governo para abatimento, ou seja, R$ 12.000,00, significa que o valor correspondente de impostos por você pagos (já retidos ou à pagar) serão devolvidos, chegando na prática a ter uma restituição de até 27,5% sobre esses R$ 12.000,00, ou seja, até R$ 3.300,00 que iriam para os cofres do leão, voltam para os seus bolsos após a declaração de ajustes do ano seguinte. Simples assim, um dinheiro que você pagaria em IR de qualquer forma, agora pode restituir no ano seguinte, através desse benefício chamado diferimento fiscal, no qual prorrogamos o pagamento desse imposto para o momento do saque e em uma alíquota menor, obedecendo as regrinhas do planejamento financeiro. Ou seja, todos que são elegíveis à esse tipo de benefício, é altamente recomendado, pois não existe nenhum outro tipo de investimento onde de largada você já tenha esse ganho de até 27,5%.

Já o VGBL é recomendado para você que não está elegível ao PGBL ou que já ultrapassou o limite de contribuição dos 12% do PGBL. É um tipo de investimento como outro qualquer, onde sua tributação se dá apenas sobre os lucros, porém com as já citadas vantagens tributárias que são exclusivas da previdência privada.

Abaixo, simulamos um investimento em PGBL, onde o investidor tem 27,5% de retorno sobre os R$12.000,00 que aplica anualmente contribuindo com o limite máximo de 12% de sua receita anual tributável que é de R$ 100.000,00.

Tributação Progressiva x Regressiva: Há dois tipos de tributação possíveis para seu plano de previdência privada. E é extremamente importante que façamos a opção correta.

O regime regressivo, onde diga-se de passagem, todos os planos PGBL devem estar, beneficia o investidor no longo prazo, chegando a uma alíquota de 10% a partir de 10 anos da data da contribuição.

O regime progressivo obedece as mesmas regras do ajuste anual de IR, variando entre isento até 27,5% de tributação. Por esse regime, no momento do saque você paga 15% de IR, podendo majorar ou ter esse valor devolvido na sua declaração do ano seguinte, conforme sua faixa de renda. Esse regime é indicado para pessoas que tem uma baixa renda tributável e para as pessoas que obtém seus rendimentos a partir de pessoa jurídica, via distribuição de lucros, ou seja, que não possuem renda tributável.

Escolha do Fundo

Em nossa extensa jornada trabalhando com esse tipo de investimento, acreditem, já vimos de tudo. Existem fundos de previdência conservadores com rentabilidade inferior ao da poupança. E essa má escolha fortalece a ideia errada de que previdência privada é um investimento ruim. O que é errado é escolher um péssimo fundo, ou como já vimos acima, um tipo de plano e de tributação errados, “quebrando” um dos pilares do tripé, fazendo com que sua previdência venha a ser de fato uma previdência ruim.

Para escolha de um bom fundo você deve primeiro entender se busca um perfil mais conservador ou mais agressivo. Hoje em dia existem excelentes fundos para ambas as opções. Posteriormente, precisa escolher um fundo que não tenha taxa de carregamento de entrada, ou seja, todo valor que você está contribuindo, vá de fato para o seu plano e não para o cofre do seu banco, e que tenha uma taxa de administração com valores razoáveis. No mais, analisar o histórico desse fundo, vendo se seu desempenho corresponde com a expectativa de seus pares, seja conservador ou agressivo.

Para finalizar, uma comparação do que você teria investindo R$ 1.000,00 mensais na poupança e em um VGBL conservador, que renda 100% do CDI, assumindo uma taxa de juros de 8% a.a.. Você pode notar que no longo prazo a diferença é bem grande, mesmo quando retiramos os R$ 104.855,00 de impostos da previdência, totalizando uma diferença de R$ 406.311,00 a mais que a poupança. E se você tiver elegibilidade para o PGBL seus ganhos serão ainda maiores.

Sabemos que são muitas variáveis, não apenas na escolha de um plano de previdência, mas na definição dos seus objetivos e metas financeiras considerando os conhecimentos que agora você já possui, de dividir seu dinheiro em diversos prazos. E por isso recomendamos a escolha de um bom planejador financeiro para lhe auxiliar nessa decisão, afinal é o seu futuro que está em jogo aqui! E lembre-se sempre, antes tarde do que mais tarde ainda!! Você ainda pode fazer algo pelo seu futuro, tendo disciplina e orientação financeira adequados.

E agora, chegou a hora de descobrimos o seu perfil de investidor!

Basta fazer o teste. Sabendo qual é o seu perfil de investidor, fica muito mais fácil decidir qual é a melhor aplicação para você!

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