Pix: novo sistema de pagamentos começa a funcionar hoje

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O PIX, sistema de pagamento instantâneo criado e regulado pelo Banco Central, entra em funcionamento nesta segunda-feira (16).

A nova tecnologia chega como alternativa ao DOC (documento de ordem de crédito), à TED (transferência eletrônica disponível), ao boleto, aos pagamentos em dinheiro e também ao cartão de débito.

O PIX vem sendo apontado por alguns especialistas como uma verdadeira revolução no sistema bancário. Para outros, será apenas mais um meio de pagamento.

Tio Huli, EconoMirna, Natalia Dalat e outros tubarões do mercado de Investimentos.

Não perca!

O período de testes (“soft opening”), que ocorreu entre 03 e 15 de novembro, registrou até a última quinta (12) 826 mil transações que somaram R$ 324,6 milhões. Esta foi realizada para que as instituições conseguissem fazer ajustes em situações reais, antes de disponibilizar para todos os clientes bancários.

O diretor de Organização do Sistema Financeiro do BC, João Manoel Pinho de Mello, afirmou no início da semana passada que a fase de testes foi um sucesso.

BC fez testes em fase restrita de pagamentos pelo Pix

Os testes com o Pix começaram em outubro com um grupo limitado de clientes de algumas instituições, que puderam pagar e receber recursos pela ferramenta. No período, foram feitos ajustes e correções de eventuais problemas, enquanto o BC fazia a migração do serviço do ambiente de testes para o ambiente real.

No teste, o Pix foi aberto para um grupo de 1% a 5% dos clientes de cada instituição financeira aprovada para operar a ferramenta. Os clientes autorizados a participar da fase restrita foram escolhidos e comunicados pela instituição correspondente.

O novo sistema funcionou das 9h às 22h, de segunda a quarta-feira. Às quintas, o serviço reabriu às 9h, parando de funcionar às 22h das sextas-feiras.

As instituições financeiras elevaram gradualmente o número de clientes aptos a participar do Pix, até que o sistema entrasse plenamente em operação.

No primeiro dia de teste, das 9h às 17h , o Pix registrou 1.570 transações. O valor médio por transação somou R$ 90, e a maior transferência de recursos somou R$ 35 mil.

Em entrevista coletiva virtual, o chefe do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do BC, Ângelo Duarte, informou que todos os sistemas do Pix operaram sem problemas. Segundo Duarte, não houve incidentes graves, mas algumas instituições financeiras registraram problemas técnicos no início do dia, todos resolvidos pelos próprios bancos.

Cadastro de chaves

A partir de 5 de outubro, os clientes começaram a registrar as chaves digitais de endereçamento. Até o dia 29, mais de 50 milhões de chaves tinham sido cadastradas. Entretanto, como cada pessoa pode ter mais de uma chave, o número exato de pessoas registradas é desconhecido.

As chaves funcionam como um código simplificado que associa a conta bancária ao número do CPF ou do CNPJ, e-mail, número do celular ou uma chave aleatória de 32 dígitos. Dessa forma, o cliente apenas informa a chave para fazer a transação, sem passar informações pessoais.

Uma pessoa física pode criar até cinco chaves por conta corrente. Para empresas, o limite aumenta para 20.

Caso o cliente queira mudar de instituição financeira, as chaves PIX são levadas junto – a portabilidade é garantida pelo Banco Central.

Instantaneidade

Por meio do Pix, o cliente pode pagar e receber dinheiro em até dez segundos, mesmo entre bancos diferentes. Um dos grandes benefícios do novo meio é que não há restrições de horário, com funcionamento 24 horas por dia.

Por questões de segurança, cada instituição financeira definirá um valor máximo a ser movimentado. Entretanto, o BC estuda criar modalidades para a venda e compra de imóveis e de veículos que permitam a movimentação instantânea de grandes quantias.

Para as pessoas físicas e para os microempreendedores, as transações serão gratuitas. A exceção será nos casos de recebimento de dinheiro pela venda de bens e de serviços. As pessoas jurídicas arcarão com custos. As tarifas dependerão de cada instituição financeira, mas o BC estima que será R$ 0,01 a cada dez transações.

O Pix também pode ser usado para pagamento de boletos, contas de luz, impostos e para compras no comércio.

Ampliação

Nas últimas semanas, o BC decidiu também ampliar as funcionalidades do sistema, com o Pix Cobrança. Por ele, comerciantes podem emitir um QR Code para o consumidor pagar imediatamente por um produto ou serviço. Além disso, será permitido fazer cobranças em datas futuras, com atualizações de juros, multas ou descontos, como ocorre com os boletos.

Por fim, o BC também obrigou as instituições financeiras que oferecem o Pix aos usuários recebedores a usar interface de programação padronizada pelo órgão. A medida foi tomada para evitar que um empresário não consiga migrar a conta para outra instituição por causa dos custos de adaptação a um novo sistema de programação.

BC: mais de 900 instituições para ofertar o Pix

O Banco Central (BC) aprovou 980 instituições, incluindo bancos, financeiras, fintechs (empresas de tecnologia no setor financeiro) , instituições de pagamentos, entre outras, para ofertar o Pix.

Segundo o BC, o processo de adesão de instituições ao Pix terminou em 16 de outubro, com a conclusão das etapas cadastral e homologatória.

As instituições aprovadas concluíram “com sucesso todos os testes necessários” e ficaram prontas para ofertar o Pix de forma segura e em conformidade com os requisitos definidos pelo Banco Central.

O processo de adesão será reaberto de forma permanente a partir de 1º de dezembro de 2020.

Engajamento

“A quantidade e a diversidade das instituições que estão aptas a ofertar o Pix reforçam o caráter aberto e universal do arranjo de pagamento, evidenciam a grande competitividade que o Pix traz ao mercado e demonstram o forte engajamento dos diversos agentes para a adoção do Pix”, disse o BC.

O BC lembra que o cadastramento de chaves de usuários do Pix, pessoas físicas e jurídicas, não se confunde com o de instituições e permanecerá aberto.

PIX: entenda como funciona o novo meio de pagamento

O PIX é um novo meio de pagamento criado pelo Banco Central com a promessa de mudar a maneira como o brasileiro lida com pagamentos e transferências.

Trata-se de uma plataforma idealizada e administrada pelo Banco Central do Brasil que servirá de alternativa a diversos meios de pagamentos hoje existentes: boleto bancário, DOC (documento de ordem de crédito), TED (transferência eletrônica disponível), cartão de débito e pagamento em espécie.

Com o PIX, o Banco Central busca tornar mais simples, rápidas e acessíveis as transações de dinheiro entre pessoas físicas e jurídicas.

Quais as vantagens?

Para o consumidor e também para o vendedor, o PIX tem uma série de vantagens:

  • Ele será gratuito para as pessoas físicas. Para pessoas jurídicas, ainda não foram reveladas as taxas.
  • Será um meio de pagamento que funcionará 24 horas, sete dias por semana.
  • A transação será completada em segundos e não demandará o período de compensação de DOCs e TEDs.
  • Ele não demandará o uso de cartões ou tokens para finalizar a transação. Bastará um celular ou computador com acesso à internet.

Como o PIX funcionará na prática?

A melhor maneira de entender o PIX é por meio de exemplos.

Para ficar claro, suponha que um consumidor comprou um quadro. Se ele tiver a opção de leitura do QR Code, basta entrar no aplicativo ou site da sua instituição financeira de preferência (onde já tem ou abriu conta) e selecionar a opção de leitura. Depois, realizar o pagamento por PIX – da mesma forma que hoje é possível selecionar DOC ou TED ao fazer uma transferência.

Outro exemplo: se você quiser transferir uma quantidade de dinheiro para um amigo. Então, você deverá entrar no aplicativo ou site da instituição financeira de sua escolha e selecionar a opção de transferência via PIX.

A diferença, neste caso, será que, na hora de preencher o destinatário da transferência, não será preciso informar nome completo, CPF, banco, agência e conta. É necessário apenas informar a chave PIX fornecida pelo beneficiário. O aplicativo, instantaneamente, preencherá os demais campos.

É preciso continuar vinculado a uma conta bancária?

O Pix não será oferecido através de um aplicativo à parte. Mas, sim, dentro do aplicativo da instituição financeira (banco, fintech e cooperativas de crédito, por exemplo) da qual a pessoa já é cliente ou pretende se tornar cliente. Ele será, então, mais uma das opções disponíveis para pagamento. Portanto, é preciso continuar vinculado a uma conta bancária.

Ele também não é um tipo de conta específica, que deverá ser aberta em determinada instituição. É um meio de pagamento, que estará conectado a uma conta existente.

Novidade deve gerar bancarização

Exatamente por demandar uma conta para ser utilizado é que o PIX vem acirrando a concorrência entre os bancos tradicionais e as fintechs.

Com a gratuidade e a facilidade oferecida pelo PIX, a expectativa é que muitos brasileiros que hoje estão à parte do sistema financeiro se bancarizem. Para o Morgan Stanley, a novidade deve atrair de 20 milhões a 45 milhões de pessoas.

É por esses clientes que o mercado já vem se mobilizando para atraí-los e fidelizá-los.

Todo mundo pode fazer e receber um PIX?

Sim, desde que a pessoa ou empresa realize o cadastro no sistema. Por exemplo, ao comprar algo em uma loja que não tenha o CNPJ cadastrado no PIX, não será possível realizar o pagamento por este meio.

Novidade deve ser incorporada pelos brasileiro

Para Boanerges Freire, consultor em varejo financeiro, o PIX será “simples como enviar uma mensagem” e deve, com o tempo, ter ampla aceitação pelos consumidores brasileiros.

Ele elenca como vantagens o fato de ser gratuito, prático e rápido, além de gerar inclusão financeira e aumentar a competição entre os meios de pagamento.

“Como qualquer novidade, haverá um processo de adaptação, de incorporar isso aos hábitos. Conhecer, experimentar, até tomar o PIX como meio de pagamento relevante e até prioritário”, diz.

Victor Hasegawa, gestor da Infinity Asset, também tem uma visão otimista quanto ao novo meio de pagamento. “Ainda tem muita coisa a ser conhecida e definida. No entanto, acredito que todas as mudanças tecnológicas vêm para ajudar no ganho de produtividade da indústria. No longo prazo, o PIX pode realmente ajudar a bancarizar a população. E este é o grande ponto positivo”, afirma.

Com PIX, empresas de meios de pagamento devem se reinventar

Assim como os bancos, as empresas de meios de pagamentos também correm contra o tempo para se adequar ao PIX e amenizar, dentro do possível, o impacto sobre a receita que ocorrerá com uma queda nos pagamentos com cartão de débito.

No entanto, as chamadas “empresas de maquininhas” seguem firmes com o negócio de antecipação de recebíveis. E têm a oportunidade de ver sua clientela aumentar consideravelmente com o movimento de bancarização da população brasileira que o PIX deve desencadear.

Esta forma de financiamento é muito utilizada no país, especialmente pelos pequenos negócios.

Nesta modalidade, o empreendedor vende no cartão de crédito (à vista ou parcelado). Mas, ao invés de só pegar o dinheiro em 30 dias, antecipa os recursos com a empresa de maquininha. Isto mediante o pagamento de uma taxa.

“O crédito para estabelecimentos comerciais continua como core e, com isso, as maquininhas garantem o espaço delas”, afirma Brehmer.

Metade das transações de débito deve migrar para o PIX

O PIX, nova modalidade de pagamento – digital, instantânea e gratuita – promete modificar os hábitos dos brasileiros. E abocanhar uma boa fatia do que hoje se divide entre débito, DOC, TED e boleto. Já o uso do cartão de crédito não deve ser afetado, já que este não é um serviço financeiro comparável.

Segundo um estudo da área de research do Santander, é esperada uma migração de 50% das transações com cartão de débito para o PIX. E o impacto financeiro deve ser de 13% a 38% no lucro antes dos impostos (Ebitda) das empresas de maquininhas. Entre elas, a Cielo (CIEL3) deve ser a mais afetada, seguida por Stone e PagSeguro (ambas listadas em Nova York).

Para Thiago Brehmer, sócio líder da área de serviços financeiros da Grant Thornton Brasil, até 2021 o PIX já deve responder por cerca de 30% dos pagamentos feitos atualmente via cartão de débito.

A consultoria em varejo financeiro Boanerges & Cia também classifica como “alto” o impacto que o PIX terá na concorrência com o débito.

Com isso, consequentemente, as taxas cobradas por bancos e adquirentes serão diretamente afetadas. Com o menor uso das maquininhas também tende a ser impactada a receita com as vendas e os aluguéis das maquininhas.

Espaço para se reinventar

Para Brehmer, as empresas de meios de pagamento, tanto as de hardware quanto para as adquirentes (ou credenciadoras, que compram o hardware para oferecer seu sistema de pagamento), serão, sim, bastante prejudicadas pelo PIX. Mas, ao mesmo tempo, serão forçadas a se reinventar e terão espaço para tanto.

Assim como para os bancos, a capacidade de atrair e fidelizar o cliente a partir de uma conta ou carteira digital e oferecer outros produtos, como crédito e seguros, será o grande diferencial das empresas de maquininhas a partir do PIX.

“Com o PIX, o meio de pagamento vira commodity. Em um primeiro momento, isto é prejudicial. Mas, em um outro movimento, as empresas ganham clientes com as contas e as carteiras digitais”, explica. Ele cita Conta Stone, Cielo Pay e Getnet (vinculada a contas do Santander) como exemplos de que este movimento já está em curso.

Até aqui, a projeção menos otimista de bancarização dos brasileiros a partir do PIX dá conta que 20 milhões de novos clientes passarão a ter uma conta ou carteira digital.

PIX depende de mudança no comportamento do consumidor

O Banco Central já afirmou que o PIX será apenas mais um meio de pagamento. E que sua ampla adoção dependerá do comportamento do consumidor. Neste sentido, a adoção do PIX é apenas estimada, e não garantida. E isso ocorre porque o consumidor brasileiro já é amplamente acostumado a utilizar cartões.

Um argumento utilizado pelos que enxergam vantagens do PIX em relação ao cartão de débito é que ele dispensa o uso físico do cartão. No entanto, já há no mercado carteiras digitais com a mesma vantagem. É o caso de PicPay, Google Pay, Samsung Pay, Apple Pay, entre outras.

Para analistas do Morgan Stanley, o PIX deve encontrar uma resistência natural do consumidor brasileiro.

Segundo eles, o custo-benefício do PIX não justificaria uma mudança brusca de comportamento em relação aos meios de pagamento tradicionais.

“Existe uma cultura profundamente enraizada de pagamentos com cartão. Quase todo mundo no Brasil carrega um cartão na carteira. Cerca de dois cartões de débito e um de crédito por adulto. Os gastos com cartão totalizam 39% do consumo pessoal”, afirma o banco.

O Morgan Stanley destaca ainda que o PIX exigirá “cinco ou mais cliques” para concluir uma transação. Exatamente o que já acontece com o cartão de débito.

PIX nas maquininhas

Ao mesmo tempo que a chegada do PIX impacta na receita em um primeiro momento, o novo meio de pagamento também estimula a inovação no setor. Cielo, Stone, GetNet já apresentavam soluções de QR Code e, agora, as adaptam ao PIX.

Na maquininha será exibida a opção de pagamento via PIX, exatamente como acontecerá nos aplicativos ou sites das instituições financeiras.

O consumidor usará sua chave-PIX para fazer o pagamento. No entanto, para isso, o lojista deverá ter uma conta ou carteira digital integrada à maquininha. Poderá haver a cobrança de uma tarifa do estabelecimento, mas valores e limites ainda estão em aberto.

WhatsApp pay

Depois do PIX, outra novidade que promete mudar hábitos de pagamento será o WhatsApp Pay. Ele já está em testes, mas ainda sem data de lançamento no Brasil. E depende, para tanto, de regulamentação e autorização do Banco Central.

Além do Banco Central, o serviço também precisa passar pelo crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Se liberado, a Cielo desponta na frente entre as adquirentes, por ser a parceira responsável por processar os pagamentos.

O serviço de pagamentos do Whatsapp foi lançado no Brasil em junho. Mas logo depois foi suspenso pelo Banco Central, que alegou que a ferramenta já nascia com milhões de usuários. Portanto, precisava passar pelo mesmo processo de aprovação dos demais integrantes do sistema de pagamentos, para comprovar segurança e competitividade.

Leia também: Bancos travam corrida digital por PIX e open banking

Quem ganha com o PIX?

Na avaliação dos analistas, quem sai na frente com o PIX são as fintechs, que devem ganhar uma boa quantidade de novos clientes dispostos a se bancarizar para usar o PIX, mas não dispostos aos custos e às burocracias dos bancos tradicionais.

Ganham também as startups de tecnologia, na oferta de soluções para a bancarização.

E ganha o e-commerce, que contará com um meio de pagamento mais simples e condizente com o mundo virtual.

“O conceito do PIX nasce na internet. Então, acredito que ele deve impactar diretamente as vendas online. O comércio de rua, acredito, terá uma resistência maior”, avalia Hasegawa.

Vantagens serão visualizadas com o tempo

Para Boanerges Freire, consultor em varejo financeiro, o PIX será “simples como enviar uma mensagem”. E deve, com o tempo, ter ampla aceitação pelos consumidores brasileiros.

Ele elenca como vantagens o fato de ser gratuito, prático e rápido. Além de gerar inclusão financeira e aumentar a competição entre os meios de pagamento.

“Como qualquer novidade, haverá um processo de adaptação, de incorporação aos hábitos. As pessoas terão que experimentar até tomar o PIX como meio de pagamento relevante e até prioritário”, disse entrevista para a fintech Spin Pay.

PIX: como pode impactar os bancos?

Para os grandes bancos, as vantagens do Pix só serão sentidas no longo prazo. No curto e no médio prazos, o efeito PIX não deve ser positivo.

Primeiro, porque a novidade promete estimular ainda mais a concorrência com as fintechs. É que para acessar o PIX, o cliente deverá utilizar o aplicativo ou site de sua instituição financeira de preferência. E as contas digitais gratuitas oferecidas pelas fintechs tendem a ser a opção preferida por quem ainda não tem conta, mas quer usar o PIX.

Além disso, o PIX terá uma plataforma única, controlada pelo Banco Central, e não haverá cobrança para pessoas físicas. Ninguém poderá dizer, por exemplo, que o banco A é melhor do que o do banco B nesse tipo de serviço. Diante desse cenário, será preciso muito empenho na oferta de outros produtos para atrair e fidelizar os clientes.

O terceiro ponto é que os bancos tendem a sofrer uma perda de receita imediata. Isso porque o PIX será gratuito para as pessoas físicas, ao passo que as transferências e demais operações bancárias geralmente têm cobrança.

“Com o PIX, a tendência é que as pessoas migrem para a opção gratuita. Com isso os bancos deixariam de contar com a receita que têm hoje das transferências”, diz Victor Hasegawa, gestor da Infinity Asset.

Para Morgan Stanley, apenas mais um meio de pagamento

Em relatório, analistas do Morgan Stanley defendem que o PIX está causando mais barulho no mercado do que o necessário. Eles defendem que a novidade não será tão revolucionária. Tampouco afetará de maneira significativa a vida dos grandes bancos.

Para eles, o PIX tem, sim, potencial para bancarizar muitos brasileiros. Eles estimam entre 20 milhões e 45 milhões de pessoas. E confirmam que  esses clientes tendem a priorizar as contas digitais, por serem gratuitas e mais práticas, dispensando, inclusive, a visita a uma agência bancária.

No entanto, eles enxergam que o impacto do PIX dever ser limitado a não mais do que 1% ou 2% dos gastos com todo o consumo pessoal do país. E pontuam as razões para chegar a essa conclusão.

Em primeiro lugar, o PIX deve encontrar uma resistência natural pelo consumidor. O custo-benefício, segundo o Morgan Stanley, não justificaria uma mudança brusca de comportamento em relação aos meios de pagamento tradicionais.

“Existe uma cultura profundamente enraizada de pagamentos com cartão. Quase todo mundo no Brasil carrega um cartão na carteira. Cerca de dois cartões de débito e um de crédito por adulto. Os gastos com cartão totalizam 39% do consumo pessoal”, afirma o banco.

Destaca ainda que o PIX exigirá “cinco ou mais cliques” para concluir uma transação, o que já acontece com o cartão de débito – que, por sinal, não é algo complexo de ser usado. Na avaliação do Morgan Stanley, não há “nenhum benefício adicional para o consumidor” que justifique a migração.

Por fim, o banco afirma ainda que a maioria das instituições financeiras consultadas não têm interesse em investir pesadamente no PIX.  Além disso, falta propaganda por parte do governo. Ou seja, a população nem está tomando o devido conhecimento sobre o produto.

Impactos para os bancos

Na visão dos analistas do Morgan Stanley, o mercado também está superestimando o impacto negativo que o PIX terá sobre os lucros dos bancos nos próximos dois anos.

Eles calculam que apenas 2,7% da receita total dos bancos venham dos produtos potencialmente ameaçados pelo PIX. Entre eles, as transferências eletrônicas, os boletos, os pagamentos com cartão de débito e os saques em caixas eletrônicos.

Pelos cálculos do banco, o PIX poderia pressionar no máximo R$ 10 bilhões em receitas para os quatro maiores bancos do Brasil. O que o Morgan Stanley considera um impacto “totalmente administrável”.

“Vemos um alto risco do PIX interromper as transferências eletrônicas e boletos, que são produtos bancários populares, mas caros e altamente ineficientes. Mas vemos um risco muito baixo do PIX substituir os cartões de débito”, diz o relatório.

Em países que passaram por mudanças semelhantes o que se viu foi um impacto sobre o uso do papel moeda, dos cheques e das transferências eletrônicas. Mas não sobre o uso do cartão de débito. Esse é o exemplo da China e da Índia.

Moody’s avalia que Pix trará prejuízo às instituições

De acordo com a Moody’s, agência de classificação de risco, a adesão dos usuários que hoje se utilizam de DOC e TED, por exemplo, causará prejuízo às instituições financeiras.

Os cálculos apontam que o Pix poderá tirar até 8% de receitas tarifárias dos bancos.

“O Pix será um concorrente direto dos sistemas de pagamento existentes, incluindo transferências eletrônicas de dinheiro (TED) e pagamentos com cartão de débito, devido ao seu método de pagamento digital mais barato e rápido”, apontou o relatório, assinado por Farooq Khan

Segundo a Moody’s, atualmente os bancos faturam cerca de R$ 10,2 bilhões com a cobrança da TED, calculando-se um valor médio de R$ 10 por transação.

Além disso, as instituições financeiras também faturam com o processamento de pagamentos no cartão com a cobrança de valores dos comerciantes por transação.

“A isenção de tarifas é negativa para os bancos brasileiros, que perderão receitas de tarifas com transferências de dinheiro. Essas tarifas serão pressionadas à medida que o Pix se torne um substituto para o uso do cartão de débito”, pontuou o relatório.

Isso acontecerá porque o Pix não cobrará essas taxas, principalmente para pessoas físicas, conforme determinação do Banco Central.

Já Hasegawa mantém uma visão otimista. “Ainda tem muita coisa a ser conhecida e definida. Acredito que os bancos devem ter um saldo negativo no curto prazo. Mas, a longo prazo, o PIX pode realmente ajudar a bancarizar a população. E este é o grande ponto positivo.”

Cuidado com os golpes

Os usuários que estão buscando pelo Pix também têm que se preocupar com os novos “golpes”.

De acordo com os analistas da empresa de segurança Kaspersky, foram detectadas tentativas de fraude, principalmente por meio de phishing, na forma de sites falsos.

Foram identificados, somente no primeiro dia de cadastro das chaves, 30 domínios fraudulentos, que têm como objetivo conseguir senhas de contas, CPFs e até números de celulares para que sejam usados em atividades ilícitas.

Em contato com o site TecMundo, Eli Enrico Carnette, líder de prevenção contra fraudes no Agibank, deu uma importante dica:

Ele lembrou que a forma correta é acessar o aplicativo do seu banco e buscar pela opção de se cadastrar no Pix, definindo qual será sua chave e a informando.

“É essa chave que vai direcionar o dinheiro para a sua conta naquela organização. Muitas vezes, a instituição já tem esses dados cadastrados, e o cliente deve apenas confirmar qual deles quer utilizar. Se a instituição pedir mais dados bancários, como senhas ou número de cartão, desconfie e confirme o procedimento por um canal seguro antes de informar qualquer dado pessoal”, sintetizou.

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