Pirâmide financeira: como se proteger de investimentos fraudulentos

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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No mundo de golpes, nem os mais ricos escapam de fraudes financeiras. Recentemente, a atriz Juliana Paes foi vítima de um golpe financeiro e perdeu R$ 500 milhões. Conforme as informações divulgadas em coluna do jornal O Dia, a empresa responsável pela fraude teria sido a F2S Intermed de Negócios.

O acordo feito pela atriz era de que a empresa compraria automóveis com o valor mencionado, e então, com a revenda destes, ela teria um retorno de 4% a 8% do montante investido.

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Apesar do negócio ter sido realizado em maio de 2018 com a colaboração de um consultor financeiro de confiança de Juliana, ela acabou caindo no golpe. De maio a julho de 2018, foram cerca de R$ 6 milhões movimentados em operações fraudadas.

Além de Juliana Paes, Murilo Rosa e Luís Fabiano também foram vítimas do golpe. Foram R$ 460 mil e R$ 280 mil perdidos, respectivamente. Até então, nenhum deles conseguiu reaver os valores.

A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público de São Paulo e que as vítimas figuram na ação que corre na Justiça, mesmo não sendo os autores do processo.

A partir dessa história, como é possível garantir que seus investimentos estão a salvo? Confira algumas dicas de como identificar um golpe de pirâmide financeira.

Mas o que é um golpe de pirâmide financeira?

Um dos golpes mais antigos do mundo, a pirâmide financeira é definida pelo lucro decorrente da entrada de novos participantes, nunca com as atividades geradas pela empresa.

Entretanto, as pirâmides são insustentáveis no longo prazo, trazendo consequências muito sérias para milhares de pessoas, e ainda mais longe de seus objetivos financeiros.

Criptomoedas costumam ser os ativos mais atraentes para esse tipo de golpe, por conta da possibilidade de ter altos retornos, e por isso, acabam se tornando isca e pano de fundo para muitas que cometem fraude, sempre prometendo ganhos ridiculamente altos em pouquíssimo tempo.

Mas atenção: a pirâmide financeira pode ser aplicada em qualquer tipo de investimento variável, sendo criptos, trade, ações e Fundos Imobiliários, entre outros. Não há como prometer uma determinada rentabilidade garantida nesses tipos de ativos.  A única forma de ter rentabilidade certeira é com a renda fixa, baseada na taxa Selic, que atualmente está a 5,25% ao ano.

A prática é um crime contra a economia popular. De acordo com a Lei 1.521, de 1951, tipifica o esse crime como “obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos (“bola de neve”, “cadeias”, “pichardismo” e quaisquer outros equivalentes).”

Como evitar cair nesse tipo de golpe?

Existem algumas formas de reconhecer a pirâmide financeira antes de entrar em uma.

Além da promessa de dinheiro fácil, existem outras características marcantes e fáceis de identificar. Por exemplo, a divulgação de padrões de vida de luxuosos e há falta de clareza sobre como funciona a remuneração. Ainda, há um foco intenso no recrutamento de novos membros e pouca importância sobre a venda dos produtos.

Se esses elementos passarem batido, é preciso ter outros tipos de cautela, mesmo em investimentos que não vão arrancar todo o seu dinheiro. Um nível de desconfiança é muito saudável nesses casos, especialmente se for tratar de negócios pelo telefone ou por mensagem de texto e redes sociais. Antes de aceitar qualquer negócio, dê preferência a empresas com credibilidade. Evite sites suspeitos que saem do padrão dos concorrentes.

Ainda sobre credibilidade, pesquisar sobre a companhia que está te oferecendo o negócio é de extrema importância. Não feche o negócio imediatamente. Procure a experiência de outras pessoas online, políticas da empresa e outras informações que podem indicar fraude.

Outras informações

Registro em cartório

Muitas pessoas acreditam que ter um contrato registrado em cartório é o suficiente para se proteger caso caia numa pirâmide financeira ou outros tipos de golpes. Enquanto é um passo de segurança, não chega a ser o suficiente. Antes de fazer o investimento, confira com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) se o fundo realmente existe e se não há acusações jurídicas. Se for uma instituição, veja com o Banco Central.

Outro método, como mencionado acima, é buscar online por mais informações. Por isso, busque matérias jornalísticas, de veículos conhecidos, sobre a empresa ou o tipo de investimento.

Seguro não é garantia

Como forma de atrair mais pessoas, algumas pirâmides financeiras possuem seguro. Isso simula a sensação de proteção, pois uma seguradora tem um capital financeiro alto, no caso de precisar ressarcir grandes prejuízos. Entretanto, não adianta ter um seguro de uma empresa que as pessoas nunca ouviram falar. Confira se a companhia é assegurada por empresas grandes, com credibilidade e registradas na Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).

Cai no golpe de pirâmide financeira, e agora?

Mesmo tomando todos os cuidados, prestando atenção nos detalhes e checando todos os tipos de informações possíveis, ainda existe a possibilidade de ser enganado.

Numa situação dessas, depois do desespero inicial, faça um boletim de ocorrência. A dica vale para outros tipos de golpe, como clonagem de cartão de crédito, golpes por WhatsApp e empréstimos no banco.

Em seguida, entre em contato com a sua instituição financeira para informar o ocorrido e ver quais são os próximos passos, e de que forma o banco pode te ajudar. Além disso, é possível denunciar anonimamente a órgãos oficiais quando se deparar com esquemas de fraude e golpes financeiros, da mesma forma que a Juliana Paes fez.

Por fim, avise amigos e família. Contar sobre o que aconteceu e mostrar os sinais que passaram pode levar com que outra pessoa não perca dinheiro também.

Para investir de maneira segura, procure instituições regularizadas no Banco Central e CVM, como aEQI Investimentos. Para falar com um assessor gratuitamente, basta reencher o formulário abaixo.

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