FII: confira os fundos imobiliários com menor rentabilidade em 2020

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Crédito: A rentabilidade dos fundos imobiliários foi diretamente afetada pela crise da pandemia do corona vírus -Foto: Flickr

A pandemia do coronavírus afetou a rentabilidade de diversos ativos. No caso dos FIIs, não foi diferente. A fintech Smart Brain, que oferece serviços de consolidação de investimentos, fez um levantamento exclusivo para mostrar quais os piores Fundos Imobiliários de 2020 em relação à distribuição de dividendos.

No acumulado do ano, os FIIs registram quedas na rentabilidade de até 60%. Como esperado, os ativos que mais despencaram foram aqueles cujo segmento sofreu maior impacto das medidas de distanciamento social.

Fundos com foco em escritórios corporativos tiveram queda em suas rendas por conta da devolução de lajes após a adoção do home office. Muitos dos que não devolveram, optaram pela renegociação de contrato e dívida. E isso também afeta a distribuição de lucros e dividendos.

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Os Fundos Imobiliários de shoppings também caíram. Entre o final de março e o começo de julho, a maioria deles permaneceu fechado. Assim, muitas lojas acabaram não tendo condições de pagar o aluguel, o que afetou também a distribuição de rendimentos aos acionistas.

RGBS11 foi o fundo imobiliário que entregou menor rentabilidade em 2020

Como mencionado, os fundos de shoppings compõem boa parte da lista de piores Fundos Imobiliários de 2020 quanto à rentabilidade. O último colocado da lista é o fundo RGBS11, que teve sua rentabilidade reduzida em 60% ao ano. Os valores consideram os registros até outubro de 2020.

Outros fundos de shoppings que sofreram com as restrições impostas pela quarentena foram o ABCP11, o HGBS11 e o VSHO11. Eles tiveram queda de 26,66%, 27,52% e 28,51% ao ano, respectivamente.

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Mas, quem comprou cotas de fundos de shoppings na queda mais acentuada, em abril, ou até mesmo quem decidir comprar agora, pode ganhar com a valorização futura.

Essa foi a recomendação do assessor da EQI, Elias Wiggers. Ele acredita que esses ativos certamente vão se recuperar após a pandemia. Muitos, aliás, já vêm mostrando retomada, com a reabertura dos estabelecimentos. Mas, ele lembrou que para ter uma carteira mais segura, é sempre importante diversificar.

Confira a lista dos 20 Fundos Imobiliários com menor rentabilidade até outubro:

Piores fundos imobiliários de 2020 em relação à rentabilidade

Fonte: Smart Brain

Entre os fundos de edifícios corporativos mais afetados, a XTED11 teve a pior rentabilidade, registrando queda de 58,80% ao ano.

O analista da Toro Investimentos, João Vitor Freitas, aponta ainda que fundos de hotéis também não conseguiram fugir da lista. É o caso do HTMX11, que teve queda na rentabilidade de 31,49% ao ano até outubro.

Segundo Freitas, isso aconteceu porque ele teve sua operação hoteleira completamente comprometida em função da quarentena. E, por conta disso, já não paga dividendos desde março.

“Outros fundos que já vinham de situações mais complicadas desde antes da Covid, acabam por sofrer em função da menor aversão à risco. É o caso do XTED11, um fundo monoimóvel (localizado em Macaé) que já tinha dificuldades de locar o espaço desde antes da quarentena”, completou o analista.

FIIs que entraram para a lista por estarem em situações parecidas (vacância, dificuldade de encontrar inquilinos, imóveis pouco atrativos, entre outros motivos) foram o EDGA11 e o ALMI11, apontou Freitas. Eles tiveram queda de 44,22% e 41,33% ao ano, ficando entre os quatro piores fundos imobiliários de 2020.

O QUASAR (QAGR11) também foi um caso que vai além dos impactos da pandemia. Segundo Wiggers, este é um fundo de agronegócio que não deu certo pois não conseguiu emplacar os contratos. “É um fundo que comprava silos de armazenamento para alugar. Não deu certo, a coisa patinou”, explicou.

Mas, em geral, fora esses casos específicos, os fundos que mais sofreram queda na rentabilidade em 2020 foram os afetados pela queda nos rendimentos diretos com inquilinos, pontuaram os especialistas.

Momento favorece a compra com foco na valorização

O analista de Fundos Imobiliários da Guide Investimentos, Caio Ventura, lembra que a maioria dos investidores de Fundos Imobiliários busca rentabilidade. Isso porque esses ativos atraem investidores mais conservadores, que buscam alternativas de menor risco dentro da renda variável e que ofereçam um certo conforto financeiro.

Como os FIIs tendem a passar por menores oscilações e costumam ser mais palpáveis que outros ativos do segmento de renda variável, eles são um prato cheio para esse tipo de investidor.

No entanto, nesse momento, com a rentabilidade baixa ou praticamente estagnada, os investidores podem ficar insatisfeitos. É beneficiado apenas o investimento a longo prazo. Afinal, além da rentabilidade, que deve ser recuperada pós-pandemia, esses fundos tendem a sofrer valorização com o tempo.

O mercado imobiliário está aquecido, mesmo que isso ainda não esteja refletindo na rentabilidade dos FIIs. A venda de imóveis em São Paulo, por exemplo, cresceu 19,2% em setembro, em relação ao mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, uma onda de IPOs de fundos imobiliários também vem ocorrendo.

Assim, caso o investidor tenha consciência do momento atual e esteja focado em investimento de longo prazo, o cenário é favorável para a compra de cotas, já que muitas delas estão em baixa.