Pior caminho para a economia seria interromper isolamento social prematuramente, diz Itaú

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução / Getty Images / IStockphoto / Uol

Na avaliação do economista-chefe do Itaú Unibanco, Mário Mesquita, a saída mais insensata para economia seria acabar com isolamento social sem ouvir as recomendações das autoridades de saúde. A declaração aconteceu durante o webinar “Propostas para o Recomeço”, promovido ontem (3) pelo jornal Valor em parceria com o banco Itaú. Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, também esteve presente na live.

Mesquita afirmou que decisão de continuidade ou não do isolamento é técnica e científica. Sendo assim, somente as autoridades de saúde sabem a extensão dessas medidas.

Segundo a reportagem do Valor, o economista acredita ser mais negativo para economia brasileira se as medidas forem suspensas antes do recomendado pelos especialistas da área de saúde. “Isso pode ser mais negativo para a atividade do que enfrentar o processo agora.”

O Itaú prevê que o isolamento social dure 5 semanas, conforme informou Mesquista. O banco estima uma queda de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano. No entanto, Candido Bracher, presidente do Itaú, disse na quinta-feira (2) que o PIB cairá mais que os 0,7%.

Recessão

Mário Mesquita disse ao Valor que o tamanho da retração econômica neste ano irá depender da velocidade da retomada da atividade após o término do isolamento social. “Recessão nós teremos, a questão é ver o tamanho do baque”.

“O impacto na economia vai depender da velocidade da retomada pós-isolamento social. Se a gente supor que vai ter o impacto no PIB no curtíssimo prazo na ordem de 30% num período de um mês, o crescimento deste ano, se a gente tiver recuperação integral no terceiro trimestre, o PIB vai ficar entre -0,5% e 1%”, afirmou ao Valor.

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“Se a recuperação no terceiro trimestre for de 75% [do que foi perdido em termos de atividade], o PIB vai ficar em -2% no ano. Se ficar em apenas 50% [de recuperação], aí o PIB deste ano vai contrair entre 3% e 4%”, disse.

O economista projeta que o número de desempregados no país pode ultrapassar os 12%. Mas ressaltou a dificuldade de mensurar a quantidade real de desempregados devido ao isolamento social. Isso porque o IBGE leva em conta indivíduos sem trabalho que estão em busca de ocupação.

“Pelo que conseguimos acompanhar no banco, houve uma queda acentuada no fluxo de pagamentos, uma indicação importante sobre intensidade da atividade econômica. A queda foi na ordem de 40%. Mas na última semana, teve uma pequena melhora. Os dados até ontem davam 35%”, afirmou ao jornal Valor.

O déficit primário vai crescer muito, seja por aumento de gastos seja por diminuição de receita. “Não dá para descartar déficit primário entre 7% e 8% do PIB este ano”, disse. E o nominal poderia ir para 12% ou 13%.

Medidas

“Tem um baque no processo de ajuste fiscal, mas é administrável enquanto a gente conseguir manter o arcabouço de ajuste no médio prazo”, afirmou, ao defender a PEC que permite flexibilização de gastos em momentos de calamidade pública.

“A questão é sinalizar que instituições da política econômica estão funcionando e que vamos voltar ao caminho do ajuste, quando for viável”, disse. Segundo Mesquita, as medidas governamentais reduzem o impacto econômico da pandemia de coronavírus.

O economista acrescentou que a maior dificuldade consiste em levar os recursos até as pessoas que estão fora da malha de proteção social do que propriamente levantar os recursos.

Em relação a maior autonomia concedida ao Banco Central, Mesquita avaliou como positiva,” desde que seja para momentos excepcionais. Não queremos que o Banco Central atue sempre no mercado de crédito”.

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