PIB do terceiro trimestre deve avançar 9%; indústria mais 10%, prevê CNI

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer 9% no terceiro trimestre em relação ao segundo. De acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira (21), isso se deve à forte recuperação da economia entre julho e setembro. 

O PIB industrial deve crescer 10% nessa mesma comparação. Entretanto, o valor não reverte a queda anual na quantidade de bens e serviços produzidos. Para o ano, a entidade manteve a previsão de retração de 4,2% do PIB.

Conforme o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, a recuperação da crise está sendo rápida, mas não se pode confundir recuperação dos efeitos da crise com retomada do crescimento econômico. Ele afirma que o crescimento econômico acima do patamar pré-pandemia ainda não está garantido.

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“A redução progressiva dos estímulos fiscais do período da pandemia tornará visíveis as barreiras estruturais que o país enfrenta. Antes da crise, o país mostrava falta de competitividade, por isso, sem avanços na agenda de reformas, em especial da tributária, a economia brasileira não sairá da armadilha da renda média”, afirma o presidente da CNI.

Ele lembrou que a CNI apresentou ao governo federal, em setembro, propostas para a retomada do crescimento econômico. Foram 19 medidas elaboradas pelo setor industrial para a recuperação da economia.

Andrade afirma que a retração foi grave, com enormes prejuízos às empresas e aos trabalhadores. Contudo, a atividade econômica vem avançando, ainda que aos poucos. 

Disse, por fim, que a questão neste momento é como acelerar essa retomada. “Adotando medidas para estimular um crescimento mais vigoroso e sustentado ao longo do tempo, com investimentos e criação de empregos”, completou.

Reforma tributária é prioridade

A reforma tributária, de acordo com o presidente da CNI, é prioridade. O sistema tributário brasileiro precisa ser mais simples, eficiente, sem cumulatividade e alinhado com as boas práticas internacionais. O modelo atual limita a competitividade e distorce a estrutura produtiva do país.

Quando foi atingida pela pandemia, a economia brasileira ainda não tinha reencontrado o caminho do crescimento. Por isso, acumulava queda de mais de 6% do PIB em dois anos, 2015 e 2016, com expansão perto de 1% nos anos seguintes. A produção industrial está estagnada desde 2010.

Conforme Andrade, a retomada da agenda de reformas deve manter a confiança do mercado elevada e reduzirá incertezas.