PIB tem retração recorde de 9,7% no segundo trimestre

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Pixabay. PIB tem pior resultado desde início da série, em 1996.

O Produto Interno Bruto (PIB) registrou queda recorde de 9,7% no segundo trimestre de 2020 em relação ao primeiro trimestre de 2020, divulgou nesta terça-feira (01) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados já mostram integralmente os efeitos da paralisação econômica causada pela pandemia do coronavírus.

Essa é a segunda queda trimestral seguida e o menor resultado para a economia desde o início da série histórica, em 1996.

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Na comparação com o segundo trimestre de 2019, a retração foi de 11,4%.

O resultado ficou em linha com as projeções do mercado, que previam retração entre 8% e 9%.

No primeiro semestre do ano, a economia acumulou queda de 5,9%. E no acumulado dos quatro trimestres terminados em junho de 2020, o PIB recuou 2,2% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

De acordo com o IBGE, o PIB está no mesmo patamar do final de 2009, auge dos impactos da crise global provocada pela onda de quebras na economia americana.

Em valores correntes, o PIB somou R$ 1,653 trilhão no segundo trimestre.

pib tabelaConsumo e investimento

O Consumo das Famílias, que representa 65% do PIB, registrou queda igualmente recorde de 12,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2020. Segundo a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, o resultado só não foi pior em razão dos programas de apoio financeiro à boa parte da população. Também contribuiu positivamente o crescimento de crédito às pessoas físicas.

A Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) recuou  15,4%, em razão da queda na construção e na produção interna de bens de capital. Somente importação de bens de capital cresceu no período.

O Consumo do Governo recuou 8,8% no segundo trimestre, muito por conta das quedas em saúde e educação públicas, de acordo com Rebeca. “Na saúde, as pessoas tiveram receio de buscar outros serviços, como consultas e exames, durante a pandemia. E na educação, os cálculos levam em conta os alunos que tiveram aulas, o que caiu bastante, explicou a coordenadora

Já as Exportações de Bens e Serviços tiveram alta de 1,8%, enquanto as Importações recuaram 13,2% em relação ao primeiro trimestre de 2020. “Essa alta nas exportações tem muito a ver com as commodities, produtos alimentícios e petróleo. Já as importações caíram em vários setores, de veículos, toda a parte de serviço, viagens, já que tudo parou devido à pandemia”, disse a coordenadora de Contas Nacionais.

Taxa de Investimento

A taxa de investimento no segundo trimestre de 2020 foi de 15% do PIB, abaixo da observada no mesmo período de 2019 (15,3%).

Já a taxa de poupança foi de 15,5% contra 13,7% no mesmo período de 2019.

Setores

A Agropecuária foi o único setor com crescimento do PIB no segundo trimestre, mostrando um avanço de 0,4% na comparação com o primeiro trimestre de 2020, puxada, principalmente, pela produção de soja e café.

A Indústria teve queda também histórica de 12,3%, causada pelos recuos de 17,5% nas indústrias de transformação, 5,7% na construção, 4,4% na atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e 1,1% nas indústrias extrativas.

 

Indústria foi o setor com pior desempenho no PIB do segundo trimestre, com recuo de 12,3%,

 

O setor de Serviços caiu 9,7%. Segundo o IBGE, a maior queda foi em outras atividades de serviços (-19,8%), que engloba serviços prestados às famílias. Também caíram transporte, armazenagem e correio (-19,3%) e comércio (-13,0%), que estão relacionados à indústria de transformação. Outros recuos vieram de administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-7,6%) e informação e comunicação (-3,0%)”, acrescentou a coordenadora.

Os únicos serviços com resultados positivos foram atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (0,8%) e as atividades imobiliárias (0,5%).

No acumulado do primeiro semestre, o PIB da Agropecuária avançou 1,6%; a indústria teve queda de 6,5% e serviços, retração de 5,9%.