PIB, produção industrial, payroll e Livro Bege estão na agenda da semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
1

Crédito: Divulgação

A primeira semana de março está recheada de indicadores que vão apontar o comportamento da retomada econômica. O calendário inclui a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do quarto trimestre de 2020 e a produção industrial do país em janeiro.

A agenda de balanços do quatro trimestre prossegue com a divulgação de resultados de companhias como a Via Varejo (VVAR3), Azul (AZUL4), PetroRio (PRIO3), Magazine Luíza (MGLU3), Odontoprev (ODPV3) e B3 (B3SA3),

Veja a agenda completa de balanços da semana aqui

Não Perca! Começa hoje o evento que vai transformar sua visão sobre Fundos de Investimento Imobiliário

Na agenda externa destaque para o anúncio do payroll com os dados oficiais do mercado de trabalho  de fevereiro nos EUA.

O país, como se sabe, avançou no programa de vacinação — promessa do presidente Joe Biden para os primeiros cem dias de governo — e os números da pandemia vêm apresentando sinais consideráveis de diminuição no número de casos.

Espera-se que, assim, a retomada comece a ganhar força.

13 companhias fizeram IPO em fevereiro; veja como ficaram as ações

O Department of Labor (Departamento do Trabalho) dos Estados Unidos divulgou na última quinta-feira (25) que os novos pedidos de seguro-desemprego ficaram abaixo do esperado por economistas. Foram solicitados 730 mil benefícios, contra os 841 mil anteriores e os 838 mil pedidos esperados.

O Livro Bege, documento do Federal Reserve (FED) que relaciona análises e observações sobre indicadores como desemprego, inflação, consumo e atividade industrial, sai também esta semana. Deve dar algumas pistas sobre a condução da política monetária dos EUA.

40 companhias estão na fila do IPO: confira a lista aqui

Bolsa: instabilidade e apreensão

A semana anterior começou conturbada, em meio à crise da troca de comando na Petrobras (PETR4), e encerrou com boatos sobre a saída André Brandão do Banco do Brasil (BBAS3).

A notícia de que Brandão colocou à disposição o cargo de presidente do BB mexeu bastante com o mercado financeiro e afetou o dólar.

O BB acabou desmentindo a notícia em fato relevante — mas o assunto deve voltar à tona esta semana. Investidores desconfiam que o tema não está devidamente encerrado.

Estatais na Bolsa: como a interferência do governo afeta o mercado

A pauta da semana passa também pelo debate da PEC Emergencial, que teve votação adiada para os próximos dias.

Teme-se, como apontou o serviço BDM Online, que a proposta fique muito desidratada para garantir apenas o auxílio emergencial.

Na semana anterior, a chegada ao Congresso de projetos do governo para a privatização da Eletrobras e dos Correios amenizou o cenário, mas o ambiente — em relação ao risco fiscal, alta do dólar, inflação e emprego — é de incertezas.

Mastercard (MSCD34): Conheça tudo sobre esse BDR

Volatilidade

Além disso, a pandemia no país, em números subindo descontroladamente e com adoção pelos estados de medidas para conter a circulação de pessoas e decretos de lockdows, deixa o país e o mercado em apreensão.

No exterior, a volatilidade nos Treasuries, com a disparada dos juros de longo prazo, pressiona o dólar e aumenta as apostas em alta da Selic, acrescenta o BDM. O mercado já projeta taxa em torno de 2,5% em março e elevações nos próximos meses.

Mercado secundário de renda fixa: como funciona? Vale a pena investir?

A bolsa de valores fechou fevereiro com baixa de 4,37%. Em janeiro, a bolsa perdeu 3,32%. Ou seja, nenhum mês de 2021 ainda ficou no positivo.

A semana acabou com uma queda de 7,09%, a maior baixa semanal desde outubro e a terceira semana seguida em fevereiro no negativo. Nesta sexta-feira (26), o índice brasileiro fechou com menos 1,98%, ficando com 110.035,17 pontos.

Petrobras: mudança no comando deve afastar investidor e empurrar dólar para cima

Alívio em NY

Nos EUA, ações nos Estados Unidos deram uma respirada nesta sexta, pelo menos em parte. As de tecnologia subiram, recuperando-se de perdas acentuadas depois que um indicador de inflação mostrou moderadas pressões de preços.

Segundo a CNBC, economistas e gerentes de investimentos dizem que o mercado de títulos está reagindo positivamente à medida que vacinas são lançadas e as previsões do PIB melhoram, o que deve beneficiar os lucros das empresas. Mas a mudança também pode sinalizar uma inflação mais rápida do que o esperado à frente.

A aprovação da Câmara nos do pacote de US$ 1,9 trilhão deve trazer mais fôlego ao mercado.

Na Europa, a vacinação volta a avançar, o que já se projeta um verão com mais tranquilidade e mobilidade, embora ainda seja muito cedo para pensar em “normalidade”.

Juros semestrais ou no vencimento: o que vale mais a pena no Tesouro Direto?

PIB do Brasil

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga, na próxima quarta (3), os números do PIB do quarto trimestre.

A mediana do mercado aponta pa um avanço de 2,8%.

O PIB brasileiro cresceu 7,7% no terceiro trimestre de 2020, na comparação com o trimestre anterior, na série com ajuste sazonal.

O resultado veio abaixo da projeção do mercado, que era de alta de 8,8%.

Em valores correntes, o PIB do terceiro trimestre de 2020 totalizou R$ 1,891 trilhão. A Agropecuária caiu 0,5%, a Indústria cresceu 14,8% e os Serviços subiram 6,3%.

Em relação a igual período de 2019, o PIB caiu 3,9%. Foi a terceira queda consecutiva nesta comparação. No acumulado dos quatro trimestres terminados em setembro, houve queda de 3,4% frente aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

No acumulado do ano até o terceiro trimestre de 2020, o PIB caiu 5% em relação a igual período de 2019. A queda está ainda acima das projeções do Ministério da Economia e do mercado financeiro para o ano de 2020.

De acordo com o ministro da Economia, Paulo Guedes, apesar do crescimento da economia ter ficado abaixo do esperado, mostra uma retomada. “Veio um pouquinho abaixo do esperado, mas o fato é que a economia está voltando em ‘V’, realmente está voltando”, afirmou.

O Monitor do PIB, divulgado pela Fundação Getulio Vargas no último dia 19, sinalizou que a atividade econômica retraiu 4% em 2020.

Conforme a ótica da produção, dos três grandes setores (agropecuária, indústria e serviços), apenas a agropecuária cresceu no ano (2%). Enquanto isso, pela ótica da demanda, todos os componentes retraíram. Neste, o destaque foi para o consumo das famílias com recuo de 5,2% no ano.

De acordo com o coordenador do Monitor do PIB, Claudio Considera, a expressiva queda de 4% da economia em 2020 consolida retrações disseminadas em diversas atividades econômicas, em decorrência da pandemia.

Produção industrial

A produção industrial de janeiro, medida pelo IBGE, sairá na sexta (5). Aguarda-se uma alta modesta, em torno de 0,1%, sinalizando uma retomada ainda hesitante.

Mas a Pesquisa Industrial Mensal (PIM)  divulgada em 2 de fevereiro, surpreendeu e subiu 0,9%, quando a projeção era de 0,2%. Em novembro, a leitura foi superior, de 1,2%.

Dezembro foi o oitavo mês consecutivo de aumento. Mesmo com a alta acumulada de 41,8% no período, que eliminou a perda de 27,1% entre março e abril, início da pandemia – que havia levado o setor ao ponto mais baixo da série –, a indústria fechou 2020 com queda de 4,5%, intensificando o recuo de 1,1% de 2019. Foi o pior resultado para um ano desde 2016, quando houve queda de 6,4%.

A PIM anunciada no início de fevereiro indicou também que, no último trimestre do 2020, o setor avançou 3,4%. Levando-se em conta o patamar pré-pandemia, de fevereiro, a produção em dezembro esteve 3,4% acima. Na comparação com dezembro de 2019, houve alta de 8,2%.

Baixo retorno com CDI? Conheça fundos multimercados que rendem mais de 200% do indicador

Produção industrial de dezembro: destaques

Entre as atividades, a maior influência segue sendo a de veículos automotores, reboques e carrocerias (6,5%). O segmento acumula expansão de 1.308,1% na produção nos últimos oito meses, eliminando a perda de 92,3% registrada no período março-abril de 2020. Entretanto, no acumulado de 2020 contra 2019, o setor também foi a maior influência negativa (-28,1%).

Outra influência positiva na passagem de novembro para dezembro veio da metalurgia, com 19% de alta, sexta taxa consecutiva e acumulado de 58,6% no período julho-dezembro.

“É um segmento que tem atuado acompanhando o crescimento na produção da indústria automobilística”, diz Macedo. No ano, entretanto, a metalurgia acumulou queda de -7,2% contra 2019.

Em dezembro, também se destacaram as indústrias extrativas, com alta de 3,7% frente a novembro, interrompendo três meses de resultados negativos consecutivos. No acumulado de 2020, o setor apresentou queda de 3,4% contra 2019.

Máquinas e equipamentos cresceram 6%. Produtos têxteis, 15,4%. Confecção de artigos do vestuário e acessórios, 11,5%. Produtos de borracha e de material plástico, 4,8%. Produtos farmoquímicos e farmacêuticos, 8,4%. Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, 4,7%. E produtos de metal, 2,9%.

Entre nove atividades que apontaram recuo na produção, as principais foram produtos alimentícios (-4,4%), bebidas (-8,1%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,3%).

Leia também: como a Selic a 2% afeta seus investimentos

Payroll

O payroll de fevereiro, folha de pagamentos oficial não-agrícola dos Estados Unidos e termômetro esperado pelo mercado, será anunciado na sexta (5).

O payroll do primeiro mês do ano veio em linha com a projeção do mercado. Foram criadas, em janeiro, 49 mil vagas de emprego, enquanto a expectativa era por 50 mil.

O resultado foi bem melhor do que o fechamento de 227 mil vagas em dezembro – corrigido dos 174 mil divulgados anteriormente. O indicador de novembro também foi revisto, de um ganho de 336 mil vagas para ganho de 264 mil vagas.

A taxa de desemprego caiu 0,4 ponto percentual, indo de 6,7% para 6,3%.

A divulgação, feita pelo Bureau of Labor Statistics, do Departamento de Trabalho americano, apontou que o mercado de trabalho continuava a refletir o impacto do coronavírus e os esforços para conter a transmissão do vírus.

Aumento de vagas em empresas e na educação pública

Em janeiro, houve aumento de vagas em empresas e na educação pública. Mas ocorreram perdas em lazer e hospitalidade, no varejo, na saúde, em transporte e logística.

Um sinal de como está o setor: o Department of Labor (Departamento do Trabalho) dos Estados Unidos divulgou na quinta-feira (25) que os números mais recentes em relação aos pedidos de seguro-desemprego no país ficaram abaixo do esperado por economistas.

Foram solicitados 730 mil benefícios, contra os 841 mil anteriores e os 838 mil pedidos esperados.

De acordo com o Departamento do Trabalho norte-americano, apesar das quedas, os pedidos de seguro-desemprego seguem acima do pico registrado durante a chamada Grande Recessão (2007 a 2009), quando ficaram em 664 mil, em média.

Em março, no pico da pandemia, no entanto, o cenário era bem mais dramático, com o recorde estabelecendo 6,867 milhões de pedidos no início do ano passado.

Conheça aplicativos de finanças e investimentos para 2021

Livro Bege

Outro ponto de atenção na semana será a divulgação do Livro Bege, análise macroeconômica elaborada pelos membros do Federal Reserve.

O Fed vem dando mostras do que preocupa e anima a instituição esta semana, com discursos no Congresso do presidente da instituição, Jerome Powell.

Na terça-feira (23), no Comitê do Senado, Powell afirmou que as medidas de incentivo do órgão à economia dos Estados Unidos deverão seguir “por um bom tempo”.

De acordo com o executivo, as políticas monetárias atuais serão mantidas até que os efeitos da pandemia de Covid-19 sejam absorvidos sem grandes traumas pelo setor econômico do país.

“A economia está muito longe das nossas metas de emprego e inflação, e é provável que leve algum tempo para que progressos substanciais sejam alcançados”.

Em sua primeira aparição perante o Comitê Bancário do Senado desde que Joe Biden assumiu a presidência dos Estados Unidos, Powell lembrou também que os cortes de juros do Fed e a compra de US$ 120 bilhões em títulos do governo foram importantes para conter a crise.

Segundo Powell, elas “aliviaram substancialmente as condições financeiras e estão fornecendo apoio substancial à economia dos Estados Unidos”.

Vacinas e retomada

Na quarta (24), um dia depois de se encontrar com o Comitê do Senado, Jerome Powell prestou depoimento à Câmara dos Representantes.

Lembrou que “ainda há grande folga no mercado de trabalho e um longo caminho para sua recuperação” para a economia dos Estados Unidos, severamente atingida pela crise causada pela pandemia do novo coronavírus.

De acordo com reportagem publicada pelo Estadão Conteúdo, Jerome Powell reforçou que serão necessários investimentos nos setores privado e público para melhorar os fatores de produção nos Estados Unidos.

Disse ainda que o Fed não vai apertar a política monetária apenas com mercado de trabalho mais sufocado. “Precisaremos observar também alta da inflação para perto de 2%”.

No Livro Bege divulgado no início de janeiro, o Fed ressaltava que a atividade econômica continuava crescendo em todos os distritos pesquisados, mas o ritmo de retomada era leve e modesto em meio ao recrudescimento da pandemia do novo coronavírus.

“A perspectiva das vacinas contra a Covid-19 reforçou o otimismo empresarial para o crescimento de 2021, mas essa tendência é moderada por causa da preocupação com o recente ressurgimento do vírus e as implicações para as condições de negócios de curto prazo”, analisou o Fed.

Os dirigentes disseram, em janeiro, que esse crescimento será impulsionada pela vacinação no país.

O pacote fiscal aprovado no Congresso também será fundamental para mitigar os efeitos econômicos da pandemia.

O Livro Bege foi elaborado com base em informações reunidas até 4 de janeiro de 2021.

Veja a agenda completa

Segunda-feira (1º)

  • FGV: IPC-S, 1ª quadrissemana, às 8h
  • BC: Boletim Focus (semanal), às 8h25
  • Markit: Índice PMI da indústria de transformação (fevereiro), às 10h
  • EUA: Índice ISM da indústria de transformação (fevereiro), às 12h
  • MDIC: Balança comercial mensal (fevereiro), às 15h
  • Fenabrave: Emplacamentos de veículos (fevereiro)
  • China: Balança comercial (fevereiro)

Terça-feira (2)

  • FIPE: IPC (mensal) (fevereiro), às 5h
  • IPP (Índice de Preços ao Produtor) – (fevereiro), às 7h
  • Zona do Euro: Índice de preços ao consumidor – final (fevereiro), às 9h

Quarta-feira (3)

  • Zona do Euro: Índice PMI Markit composto (fevereiro), às 6h
  • IBGE: PIB (4º trimestre), às 9h
  • Brasil, Markit: Índice PMI composto, às 10h
  • EUA: Geração de vagas de trabalho – pesquisa ADP (fevereiro), às 10h15
  • BCB: Índice Commodities Brasil (IC-Br), às 14h30
  • EUA: Índice ISM do setor de serviços (fev), às 12h
  • EUA: Livro Bege, às 16h
  • reunião da Opep+

Quinta-feira (4)

  • Anfavea: Produção e venda de veículos (fevereiro)
  • CNI: indicadores industriais
  • Zona do Euro: vendas no varejo, Eurostat, às 7h
  • EUA: Pedidos de auxílio desemprego (semanal), às 10h30

Sexta-feira (5)

  • FGV: Indicador Antecedente de Emprego (fevereiro), às 8h
  • IBGE: Pesquisa Industrial Mensal (janeiro), às 9h
  • EUA:Taxa de desemprego (fevereiro), às 10h30
  • EUA: Variação na folha de pagamentos (fevereiro), às 10h30