PIB tem queda de 1,5% no primeiro trimestre do ano

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Reprodução/Portal FGV

O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 1,5% no primeiro trimestre de 2020 em relação ao último trimestre de 2019, divulgou nesta sexta-feira (29) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o primeiro trimestre de 2019, a retração foi de 0,3%.

Em valores correntes, o PIB somou R$ 1,803 trilhão no primeiro trimestre.

O resultado ficou em linha com as projeções do mercado, mas é o pior resultado desde o segundo trimestre de 2015, quando recuou 2,1%.

Os dados não mostram integralmente os efeitos da paralisação econômica causada pela pandemia do coronavírus, uma vez que o isolamento começou na segunda quinzena de março.

Como a perspectiva de que os números do segundo trimestre sejam ainda piores, o Brasil está próximo de uma recessão técnica, que é caracterizada por dois resultados negativos seguidos.

No acumulado nos quatro trimestres terminados em março de 2020, o PIB cresceu 0,9% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

No quarto trimestre do ano passado, o PIB tinha avançado 1,7% sobre o mesmo período de 2018. Em todo ano de 2019, houve aumento de 1,1%.

Consumo e investimento

O Consumo das Famílias registrou queda de 2% entre janeiro e março na comparação com o último trimestre de 2019 e de 0,7% sobre o mesmo período de 2019, mostrando os efeitos da pandemia sobre o rendimentos, a demanda e a oferta de bens e serviços.

A Formação Bruta de Capital Fixo aumentou 3,1% e 4,3%, respectivamente. De acordo com o IBGE, este crescimento é justificado pelo aumento da importação líquida de máquinas e equipamentos, principalmente para a atividades de petróleo e gás, que compensou a queda da produção nacional de bens de capital e da Construção.

A Despesa de Consumo do Governo subiu 0,2% sobre o quarto trimestre de 2019 e ficou estável sobre o primeiro trimestre do ano passado.

Já as Exportações de Bens e Serviços tiveram recuo de 0,9%, enquanto as Importações cresceram 2,8% em relação ao quarto trimestre de 2019. As variações sobre o primeiro trimestre de 2019 foram de -2,2% e 5,1%, respectivamente.

IGP-10

Taxa de investimento

O IBGE informou ainda que a taxa de investimento no primeiro trimestre de 2020 foi de 15,8% do PIB, contra 15% no primeiro trimestre de 2019.

A taxa de poupança foi de 14,1%, contra 12,2% na mesma base de comparação.

A necessidade de financiamento alcançou R$ 58,3 bilhões, maior que os R$ 57,5 bilhões do mesmo período do ano anterior.

Segundo o instituto, o aumento da necessidade de financiamento é explicado, principalmente, pela redução de R$ 8,0 bilhões no saldo externo de bens e serviços e pela redução de R$ 6,6 bilhões em renda líquida de propriedade enviada ao resto do mundo.

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Setores

Agropecuária

A Agropecuária foi o único setor com crescimento do PIB no primeiro trimestre, mostrando um avanço de 0,6% na comparação com o quarto trimestre de 2019.

Sobre o primeiro trimestre de 2019, a Agropecuária registrou crescimento de 1,9%, em decorrência principalmente da safra de soja e pela produtividade.

Serviços

Serviços recuou 1,6% na comparação com o quarto trimestre. De acordo com o IBGE, nos Serviços, houve resultados negativos em outros serviços (-4,6%), Transporte, armazenagem e correio (-2,4%), Informação e comunicação (-1,9%), Comércio (-0,8%), Administração, saúde e educação pública (-0,5%), Intermediação financeira e seguros (-0,1%). A única variação positiva veio das Atividades imobiliárias (0,4%).

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o setor de Serviços teve redução de 0,5%. Os destaques foram Outras atividades, com queda de 3,4%, puxado por Serviços prestados às famílias, Transporte, armazenagem e correio (-1,6%) e Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-0,4%).

As que tiveram expansão foram Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,0%), Atividades Imobiliárias (1,6%), Informação e comunicação (1,3%) e Comércio (0,4%).

Indústria

A Indústria teve queda de 1,4% sobre o último trimestre de 2019, puxada pelas Indústrias Extrativas (-3,2%), seguida pela Construção (-2,4%), Indústrias de Transformação (-1,4%) e a atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,1%).

Na comparação anual, a Indústria recuou 0,1%, com a atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos registrando recuo de -1,8%, como reflexo do distanciamento social e de um verão mais ameno.

O segundo maior recuo foi da Construção, que teve queda de 1%, com redução no emprego e na fabricação dos seus insumos típicos.

A Indústria de Transformação, que teve retração de -0,8%, motivado pelos resultados da indústria automobilística, confecção de artigos de vestuário e fabricação de outros equipamentos de transporte.

Apenas as Indústrias Extrativas tiveram alta, de 4,8%, beneficiadas, principalmente, pelo crescimento da extração de petróleo e gás que compensou a queda na extração de minérios ferrosos.