PIB dos EUA tem alta recorde de 33,1% no terceiro trimestre

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Reprodução / White House

O PIB americano cresceu 33,1% no terceiro trimestre deste ano em relação aos três meses anteriores, em dados prévios, anualizados, divulgados nesta quinta-feira (29) pelo escritório oficial de estatísticas (BEA) do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. Pela métrica não anualizada, a alta foi de 7,4%.

A expectativa era de uma alta de 31%, também em dados anualizados. Entretanto, os números ainda passarão por duas revisões nos próximos meses.

O resultado veio após uma queda de 31,4% no segundo trimestre, devido aos impactos da pandemia de Covid-19. Por outro lado, foi melhor do que a estimativa de 32% dos economistas consultados pelo Wall Street Journal.

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“O aumento do PIB real no terceiro trimestre refletiu aumentos nos gastos do consumidor, estoque, investimento, exportações, investimento empresarial e investimento em habitação, que foram parcialmente compensado por uma diminuição dos gastos do governo”, apontou o BEA em nota.

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PIB EUA

Os gastos do consumidor, que respondem por dois terços da atividade econômica, subiram 40,7% entre julho e setembro. Enquanto isso, o investimento empresarial aumentou 70,1%. 

Apesar da recuperação histórica no último trimestre, economistas apontam preocupação. Conforme a atual retomada de casos de covid-19 nos Estados Unidos, o país com mais infecções e mortes no mundo, a expectativa é de que a expansão econômica volte a abrandar, com a volta das restrições de circulação em algumas regiões.

Seguro desemprego

O Departamento do Trabalho mostrou também que os pedidos iniciais de seguro-desemprego tiveram queda na semana encerrada em 24 de outubro. Foram 751 mil pedidos, ante um número revisado de 791 mil na semana anterior.

Embora os pedidos tenham caído do recorde de 6,867 milhões em março, eles permanecem acima do pico de 665 mil visto durante a recessão de 2007-2009.

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Tá, e aí?

Em relatório de análise, a Exame Research avaliou que o resultado ficou dentro da banda aceitável do “índice surpresa”, que avalia a diferença entre os resultados projetados e efeitos do PIB americano.

O resultado confirma a retomada da economia americana após o primeiro choque da pandemia, com números ainda bons para o início do quarto trimestre, destacou o relatório.

Essa leitura positiva da atividade econômica do terceiro trimestre, por sua vez, “parece ter contaminado a avaliação dos analistas para a performance das principais empresas americanas, mas mesmo assim não de forma suficiente”.

“Isso tem ficado mais claro dado o número por enquanto elevado de surpresas positivas nos resultados dos lucros por ação (EPS) e que tem levado o índice calculado pela Bloomberg em níveis bem elevados no comparativo com o passado recente.”

Quarto trimestre

Para o quarto trimestre, a avaliação é de que há uma certa acomodação do ritmo de recuperação que foi verificado até setembro.

Segundo a análise, a despesa por consumo dos americanos estava em clara trajetória de recuperação após o início do pagamento dos auxílios emergenciais (US$ 600, do CARES act) para os trabalhadores americanos desempregados ou afastados.

Entretanto, a recuperação perdeu fôlego em agosto justamente por parcela desse programa já ter encerrado os pagamentos semanais.

“A contração das despesas com consumo até esse final de outubro parece ter estacionada próxima de -4%, quando comparado com o “mundo normal” de janeiro”, acrescentou.

Novos estímulos

Neste momento, o Congresso americano discute exatamente a extensão do programa de estímulo, que atingiu US$ 2 trilhões em março e pode adicionar mais US$ 2 trilhão agora na saída das eleições americanas em 3 de novembro.

“Esse é o principal driver de curto prazo para a economia e para o mercado financeiro americano, além do óbvio resultado das eleições”, escreveu Arthur Mota, da Exame Reseach.

Retomada

Para a Exame, o cenário básico é positivo para economia americana no próximo ano, mas que se traduz em: dólar globalmente mais fraco, juros em patamar ainda baixo (próximo de 0%) e potencial de valorização dos ativos de risco – sobretudo na expectativa da agenda fiscal e na próxima agenda das vacinas para o COVID-19.