PIB cai 4,1% em 2020, com alta de 3,2% no 4TRI20

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 3,2% no quarto trimestre de 2020, acima do esperado pelo mercado, mas fechou 2020 com queda de 4,1%. O recuo é o maior já registrado desde o início da série histórica, em 24 anos. Em valores correntes, o PIB fechou o ano fechou com R$ 7,4 trilhões.

A expectativa do mercado era de alta de 2,8% no trimestre e queda de 4,2% em 2020.

Impactada pela pandemia da Covid-19, a queda de 2020 interrompeu o crescimento de três anos seguidos, de 2017 a 2019, quando o PIB acumulou alta de 4,6%. O PIB per capita alcançou R$ 35.172 no ano passado, recuo recorde de 4,8%.

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Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (3).

PIB e PIB per capita

PIB

Reprodução/IBGE

Serviços e indústria caem, agropecuária cresce em 2020

Em 2020, os serviços encolheram 4,5% e a indústria, 3,5%. Somados, esses dois setores representam 95% da economia nacional. Por outro lado, a agropecuária cresceu 2%.

Nos serviços, segundo o IBGE, o menor resultado veio de outras atividades de serviços (-12,1%), que são os restaurantes, academias, hotéis.

Os serviços prestados às famílias foram os mais afetados negativamente pelas restrições de funcionamento. A segunda maior queda ocorreu nos transportes, armazenagem e correio (-9,2%), principalmente o transporte de passageiros, atividade econômica também muito afetada pela pandemia.

Caíram ainda, no setor de serviços, as atividades de administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-4,7%), comércio (-3,1%), informação e comunicação (-0,2%). Já atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (4,0%) e as atividades imobiliárias (2,5%) avançaram em 2020.

Na indústria (-3,5), o destaque negativo foi o desempenho da construção (-7,0%), que voltou a cair depois da alta de 1,5% em 2019.

Também apresentaram queda as indústrias de transformação (-4,3%), influenciadas pelo recuo na fabricação de veículos automotores, outros equipamentos de transporte, confecção de vestuário e metalurgia.

Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos caíram 0,4%. As indústrias extrativas, porém, avançaram 1,3%, devido à alta na produção de petróleo e gás que compensou a queda da extração de minério de ferro.

Já a agropecuária cresceu, no ano, 2,0%, puxada pela soja (7,1%) e o café (24,4%), que alcançaram produções recordes na série histórica.

Por outro lado, algumas lavouras registraram variação negativa na estimativa de produção anual, como, por exemplo, laranja (-10,6%) e fumo (-8,4%).

PIB por setores

PIB

Reprodução/IBGE

PIB avança 3,2% no quarto trimestre

No quarto trimestre de 2020, o PIB avançou 3,2% na comparação com o terceiro trimestre do ano (7,7%), registrando o segundo resultado positivo nessa comparação, depois dos recuos de 2,1% no primeiro trimestre e do recorde negativo de 9,2% no segundo trimestre.

Em valores correntes, isso corresponde a R$ 2,0 trilhões. Quando comparado ao quarto trimestre de 2019, o PIB caiu 1,1%.

“Essa desaceleração é esperada porque crescemos sobre uma base muito alta, no terceiro trimestre (7,7%), após um recuo muito profundo no auge da pandemia, o segundo trimestre (-9,2%)”, explica Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais.

Os serviços e a indústria tiveram variação positiva de 2,7% e 1,9%, respectivamente. Já agropecuária recuou 0,5%, que segundo Rebeca trata-se de um ajuste da safra.

Pela ótica da despesa, destaque para os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) com crescimento de 20,0%.

Também cresceram o consumo das famílias e o consumo do governo, respectivamente, 3,4% e 1,1%.

No que se refere ao setor externo, as exportações caíram 1,4%, enquanto as importações avançaram 22,0% em relação ao terceiro trimestre de 2020.

Paulo Guedes vê PIB entre 3% e 3,5% em 2021

Na terça-feira (03), o Ministro da Economia, Paulo Guedes havia dito que o PIB poderia ficar abaixo de 4% em 2020.

Em entrevista à Jovem Pan, ele afirmou ainda que para 2021 o PIB pode crescer ainda de 3% a 3,5%.

Segundo Guedes, que o governo fez “muita coisa com espírito federalista de descentralizar recursos” durante o ano de pandemia. Ele ressaltou que o governo foi alvo de críticas por estar sem meta de déficit, suspensa em 2020 por causa da calamidade da covid-19, mas ele ponderou que “seria tolice elevar impostos em meio à depressão”. O ministro lembrou que o governo diferiu impostos para ajudar empresas.

Projeção era de queda forte para 2020

Durante a pandemia, as projeções do mercado para o PIB chegaram a ser bem mais sombrias do que o resultado alcançado em 2020.

Em maio, logo após o início das consequências do fechamento de comércios e de isolamento social, chegou-se a projetar uma queda de mais de 10% para o PIB no ano passado.

Mas, com o avançar do ano, e uma certa retomada econômica nos últimos meses do ano, o PIB voltou a crescer nos dois últimos trimestres.

Assim, o PIB do primeiro trimestre registrou queda de 2,1%, seguida por uma forte queda de 9,2% no segundo trimestre, e duas altas seguidas de 7,7% (terceiro trimestre) e 3,2% (quarto trimestre).

O que é o PIB

O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos em uma economia durante certo período. O PIB nos ajuda a avaliar se a economia está crescendo e se o padrão de vida está melhorando.

Os bens e serviços finais que compõem o PIB são medidos no preço em que chegam ao consumidor. Dessa forma, levam em consideração também os impostos sobre os produtos comercializados.

O PIB não é o total da riqueza existente em um país. Esse é um equívoco muito comum, pois dá a sensação de que o PIB seria um estoque de valor que existe na economia, como uma espécie de tesouro nacional.

Na realidade, o PIB é um indicador de fluxo de novos bens e serviços finais produzidos durante um período. Se um país não produzir nada em um ano, o seu PIB será nulo.