PIB deve registrar retração de ao menos 8% no 2º trimestre

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.

Crédito: Divulgação

Os dados do segundo trimestre do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro serão divulgados nesta terça-feira (1º).

As projeções entre integrantes da equipe econômica e analistas do mercado indicam que a queda deve ficar em torno de 8%.

A Secretaria de Política Econômica (SPE) afirmou, em nota divulgada nesta segunda-feira (31), que a queda registrada no PIB deve ser de 8% a 10%.

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“A evolução do PIB no primeiro semestre de 2020 reflete a crise causada pela interrupção do comércio e das atividades normais da sociedade”, diz a nota.

“No primeiro trimestre, muitas das grandes economias registraram quedas expressivas do produto trimestral, mas inferiores a 10%. No segundo trimestre, as quedas foram ainda mais impactantes, com muitos países registrando valores acima de 10%”, afirma a nota da secretaria.

Projeção

A projeção leva em conta as estimativas da Secretaria de Fazenda e o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), prévia do PIB divulgada pelo Banco Central.

O IBC-Br foi divulgado na semana passada e apontou queda de 10,94% no segundo trimestre. A última projeção divulgada pela SPE em julho esperava recuo de 9,3% no PIB no segundo trimestre.

Se isso se comprovar, o país entra oficialmente em recessão técnica, com recuo no nível de atividade por dois trimestres consecutivos.

Vale mencionar que, para o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), da FGV, o Brasil já havia entrado em recessão já no 1º trimestre.

Trata-se da maior queda dos últimos 40 anos.

Segundo o G1, analistas avaliam que, mesmo drástica, as perdas ainda são menores do que o esperado inicialmente.

A expectativa é de que o Brasil só venha a se recuperar a nível pré-pandemia em 2022.

Além disso, a economia pode perder ainda mais fôlego no final de 2020, por conta do fim das medidas de contenção da crise, como o Auxílio Emergencial.

Para o ano, a SPE espera queda de 4,5% na atividade econômica.

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Desemprego

Além disso, a taxa de desemprego tende aumentar quando o governo deixar de disponibilizar o auxílio, segundo o economista Sérgio Vale, consultado pelo G1.

“Com a pandemia e o auxílio emergencial, muitas pessoas deixaram de procurar emprego. Então, há o risco de uma taxa de desemprego pior no 4º trimestre e início do ano, mesmo porque o mercado de trabalho depende muito da retomada plena do setor de serviços, que é o que mais emprega”, explica.

O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, destaca que a economia só tende a crescer de forma segura quando os números do emprego subirem. Em apenas 3 meses, o Brasil perdeu quase 9 milhões de postos de trabalho.

Ele explica que a queda do número de empregos formais e do número de brasileiros ocupados são sinais claros de que a recuperação será lenda. Isso tem relação direta com a baixa confiança dos empresários, tanto na economia, quanto no fim da situação de pandemia.

Recessão histórica

Segundo a economista do Ibre FGV, Silvia Matos, disse ao G1, se o PIB do segundo trimestre realmente apresentar queda de mais de 8%, a economia brasileira regredirá ao patamar do terceiro trimestre de 2009, 11 anos atrás.

A expectativa é de que todos os setores do PIB apresentem números negativos no período, com exceção do agronegócio.

No primeiro trimestre, já houve encolhimento de 1,5%, atingindo nível similar ao do segundo trimestre de 2012.

Antes disso, os 12 meses de 2019 vinham sendo de crescimento, ainda que lendo.

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Recuperação do PIB, segundo analistas

A pesquisadora em economia Luana Miranda espera, de acordo com reportagem do portal G1, perda acumulada de 11% nos dois primeiros trimestres do ano. Para ela, a recuperação a nível pré-pandemia deve ser lenta, ainda que o Brasil consiga sair da recessão técnica já no terceiro trimestre.

“As revisões caminharam para um cenário um pouco melhor no ano e no segundo trimestre. Ainda assim, esperamos que o PIB só retome ao nível pré-crise no segundo semestre de 2022. Projetamos crescimento de apenas 2,4% no ano que vem, de modo a não recuperar nem metade do que foi perdido esse ano”, comentou.

A avaliação geral é que o ponto mais baixo da crise teria sido em abril, já que os primeiros indicadores de julho mostram uma recuperação que continua ganhando fôlego neste terceiro trimestre.

Reação

No entanto, a reação tem sido diferente para cada setor da economia, uma vez que atividades como o comércio, lazer e turismo ainda estão sofrendo diretamente com o cenário atual de distanciamento social.

Os analistas explicam que o gráfico de retomada se assemelharia ao logo da marca Nike ou à raiz quadrada, símbolo matemático. Ou seja, após uma queda drástica, uma subida gradual mais demorada.

“A volta será mais suave, não rápida, especialmente em serviços. O varejo teve forte recuperação, mas parte disso foi beneficiada pelo auxilio emergencial, que tende a diminuir bastante no quarto trimestre (…) a gente ainda pode ver queda de PIB no quarto trimestre”, observou o economista Sérgio Vale, da MB Associados, ao G1.

Quem também prevê recuperação só no final de 2022 é a economista Alessandra Ribeiro, da consultoria Tendências.

“A demora tem a ver com os efeitos mais permanentes da pandemia sobre empresas (falências) e sobre o ritmo de contratação de pessoas e também com o nível maior incerteza envolvendo o ambiente político e questões fiscais”, afirma Ribeiro ao G1.

Na avaliação do Ibre/FGV, o PIB deverá crescer em torno de 6% no 3º trimestre, recuperando parte das perdas, mas ainda há muitas dúvidas sobre o 4º trimestre.

Questões políticas

Os economistas escutados pelo G1 também citam preocupações sobre a trajetória da dívida pública como decisiva para a retomada da economia e, consequentemente, uma subida no PIB.

Dúvidas sobre o Orçamento 2021 referente ao teto de gastos e o ritmo de andamento de reformas como a administrativa e tributária influenciam diretamente na confiança do setor econômico.

“Por mais que o discurso do governo tenha sido de tentar contemporizar as tentativas de furar o teto, não será difícil ver a pressão crescer por parte do presidente, do centrão e dos militares em cima do Ministério da Economia para ser mais condescendente com o gasto publico”, avalia Vale, que projeta um tombo de 5,3% do PIB em 2020 e alta de 2,2% em 2021.

No cenário “otimista” do Ibre/FGV, considerando taxa de crescimento de 2,4% em 2021, de 3% em 2022, e em torno de 2,25% nos anos seguintes, o Brasil só deverá retornar ao nível de atividade pré-crise de 2014 em 2024. Ou seja, levará 10 anos para concluir o processo de recuperação da economia retornar ao último pico.

Vale lembrar, ainda, que recessão vai além da situação do coronavírus, uma vez o país ainda não havia se recuperado completamente das perdas da recessão de 2014-2016 quando o agravante na saúde se instalou.

O que diz o governo

A nota da SPE ressaltou esforços do governo brasileiro para o enfrentamento da crise econômica marcada pelo impacto da pandemia do coronavírus.

A secretaria reforçou que o esforço fiscal brasileiro atingiu 7,3% do PIB projetado para 2020, acima da média de 4,1% para 17 países em desenvolvimento e também acima da média de 30 países da OCDE (6,3%).

“Apesar do expressivo esforço fiscal deste ano, o governo federal mantém sua diretriz de responsabilidade fiscal e tanto mercado como governo antecipam esta postura em suas projeções”, finaliza.

As informações são do G1 e Uol.