FGV prevê crescimento de 1,2% do PIB do ano passado

Osni Alves
Jornalista (2007); Especializado em Comunicação Corporativa e RP (INPG, 2011); Extensão em Economia (UFRJ, 2013); Passou por redações de SC, RJ e BH (oalvesj@gmail.com).

Crédito: Agência Brasil

O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 1,2% em 2019. A informação é do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas). “O resultado foi influenciado por dois fatores distintos”, afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB.

Ele explica que a formação bruta de capital fixo e o consumo das famílias, que cresceram 2,7% e 1,8%, respectivamente, fizeram a economia reagir, ainda que modestamente. “O desempenho foi impulsionado, principalmente, pelo aumento do consumo de serviços.”

Sobre o investimento, Considera afirma que, a despeito do resultado positivo do ano, o resultado do quarto trimestre, em comparação ao terceiro, mostra recuo deste componente. “É explicado, principalmente, pela retração de máquinas e equipamentos”, diz.

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Ele frisa que tais desempenhos continuam sinalizando que a recuperação da economia está mais ancorada na expansão do consumo do que dos investimentos, “o que certamente lança uma dúvida para a continuidade do crescimento deste ano”, ressalta.

Em termos monetários, estima-se que o PIB de 2019, em valores correntes, alcançou a cifra de aproximadamente 7 trilhões, 217 bilhões e 995 milhões de Reais.

Trimestral

De acordo com o levantamento, na análise trimestral o PIB apresentou, na série com ajuste sazonal, crescimento de 0,7% no quarto trimestre, em comparação ao terceiro trimestre, mostrando aceleração da atividade econômica no final do ano. Em relação ao quarto trimestre de 2018, o crescimento apresentado foi de 1,9%.

Na análise mensal, apresentou estagnação em dezembro, na comparação com novembro. O fenômeno também foi verificado no setor de serviços enquanto a agropecuária apresentou forte recuo (-2,3%) e a indústria teve fraco crescimento de 0,3%. Na comparação interanual, o resultado do PIB foi positivo em 2,3%, com crescimento de todas as doze atividades.

Consumo das famílias

O boletim informa ainda que desde a recessão de 2014-2016 o consumo apresentou forte retração com o pior resultado registrado na taxa acumulada em 12 meses até julho de 2016 (-5,0%) com queda de todos os tipos de consumo.

O consumo retornou ao terreno positivo na taxa acumulada em 12 meses até setembro de 2017 (0,4%), chegou ao ápice desta em abril de 2018, com taxa acumulada em 12 meses de 3,3%; e, desde então, tem crescido a uma taxa aproximada de 2,0%, fechando o ano de 2019 com crescimento de 1,8%.

“Desde o início de 2019 o consumo de serviços têm sido o principal componente para o crescimento do consumo das famílias, tendo contribuído com 61% do crescimento total deste componente no ano”, explica o especialista.

Considera elencou que os serviços de aluguel, alojamento e alimentação e serviços gerais prestados às famílias foram os que mais contribuíram para o crescimento do consumo de serviços.

Formação bruta de capital fixo

A recuperação deste indicador apresentou crescimento de apenas 2,7% em 2019, após ter crescimento de 3,9% em 2018. Apesar dos componentes de construção e de outros terem aumentado a contribuição na FBCF em 1,3p.p. e 0,6p.p. de 2018 para 2019, não foi suficiente para compensar a diminuição da contribuição de máquinas e equipamentos que, apesar de ainda ser positiva, é 3,1p.p. menor do que era em 2018.

Exportação

A exportação recuou 2,2% em 2019 com retração em quase todos os componentes. Apenas a exportação de produtos da extrativa mineral (1,6%), de consumo semiduráveis (2,4%) e de bens intermediários (2,1%) cresceram no ano.

Já os maiores recuos foram registrados na exportação de bens de capital (-21,0%) e de bens de consumo duráveis (-18,6%). O recuo das exportações para a Argentina, devido a recessão no país vizinho é uma das principais justificativas para a retração deste componente.

Importação

A importação cresceu 1,4% em 2019. Apesar de positivo, este resultado é devido, quase que exclusivamente, ao crescimento da importação de bens intermediários. Além deste, apenas a importação de produtos agropecuários cresceu 5,6% no ano.