PIB deve recuar para 2,96% ao final deste ano, indica Focus

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: PIB deve cair 0,48% em 2020 revisa o mercado no Focus

Levantamento do Banco Central (BC) indica que o Produto Interno Bruto (PIB) deve recuar para menos 2,96% este ano e crescer em 2021 alcançando 3,10%.

Os dados constam do Boletim Focus divulgado na manhã desta segunda-feira (20). A queda expressiva é resultado do impacto do coronavírus na economia.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos pelo país.

Outros indicadores

Já a Taxa Selic em 2020 ficou em 3%, e, para 2021, 4,50%.

A estimativa de inflação deste ano (IPCA) recuou para 2,23%. Em 2021, a taxa registrou 3,40%.

Quanto a expectativa para o crescimento da produção industrial neste ano, as projeções indicam queda de 2,25% contra crescimento de 2,90% no próximo ano.

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Mais indicadores

A previsão para a taxa de câmbio em 2020 ficou em R$ 4,80 ante os R$ 4,50 de 2021.

Saldo da balança comercial no ano corrente, conforme o levantamento, deve fechar em US$ 36,10 bilhões. Para 2021, estima-se US$ 35,60 bilhões.

Para as transações correntes, (todas as operações do Brasil com o exterior) a projeção de déficit ficou em US$ 40,80 bilhões. Para o próximo ano, a previsão ficou em déficit de US$ 45,20 bilhões.

Já a projeção para o Investimento Estrangeiro Direto (IED) de 2019 (caracterizado pelo interesse duradouro do investimento na economia) ficou em US$ 71 bilhões. E a expectativa para 2021 ficou em US$ 80 bilhões.

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ta-e-ai

Economista-chefe do Modalmais, Alvaro Bandeira traz um panorama importante acerca do mercado nos últimos dias.

Ele lembra que na semana passada, a Bovespa ainda conseguiu encerrar com valorização de 1,68%, mas o ano de 2020 se mostra bastante negativo com o Ibovespa registrando desvalorização de 31,7%.

“O Dow Jones teve alta na semana de 2,2% e o Nasdaq com valorização de 6,1%, por conta das ações de tecnologia. Algumas empresas mostrando até melhores horizontes como a Amazon contratando cerca de 14 mil pessoas. O Nasdaq já se mostra positivo em 2020” disse.

Hoje, conforme ele, os mercados da Ásia majoritariamente em quedas, Europa também no negativo e aprofundando perdas e futuros do mercado americano em idêntica condição.

“Aqui, a semana se apresenta complicada para os mercados de risco, e seria muito bom que não perdêssemos o patamar de 75 mil pontos, sob pena de acelerar quedas”, frisou.

E acrescentou: “a situação melhor seria se conseguíssemos passar definitivamente o patamar de 80 mil pontos do Ibovespa.”

Exterior

De acordo com Bandeira, os investidores no exterior se dividem entre a expectativa positiva da reabertura progressiva de economias, liderada por EUA, Alemanha e Dinamarca, mas também outros países, e o preço disfuncional do petróleo no exterior.

O commoditie bateu em US$ 13 por barril. “O vencimento de petróleo também dificulta a avaliação, mas, para vencimentos futuros a situação é um pouco mais tranquila”, ressaltou.

Para ele, pesam os elevados estoques e a forte queda de demanda projetada pela Agência Internacional de Energia (AIE).

Durante a madrugada no Japão foi anunciado que as exportações de março encolheram no comparativo com igual período 11,7%, forçando queda da Bolsa de Tóquio de 1,15%.

Já na China, o PBOC (BC chinês) anunciou redução da taxa de empréstimo para 3,85%, vindo de anterior em 4,05%.

Na Alemanha, foi anunciada deflação anualizada de março de 0,8% e na zona do euro o saldo da balança comercial de março mostrou superávit de 25,8 bilhões de euros em alta.

Nos EUA

Nos EUA suspenderam as tarifas alfandegárias para alguns produtos por 90 dias, o que pode ajudar na recomposição da economia.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em NY mostrava queda de 34,6%, com o barril em US$ 11,94, valor insuspeito de ocorrer.

O euro era transacionado em queda para 1,086 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,62%.

Já o ouro e a prata em altas na Comex e commodities agrícolas com comportamento de queda na bolsa de Chicago.

Brasil

Segundo Bandeira, no Brasil a situação é pouco mais complicada, notadamente no ambiente político, com a ruptura do presidente Bolsonaro com o congresso.

Essa cisão foi bastante evidenciada nos movimentos do final de semana, que pediam, entre outras coisas, a presença do exército, falavam em AI-5 (sempre existem excessos), originando severas críticas de formadores de opinião do Legislativo e também do Judiciário.

“Alegam que o presidente fugiu ao respeito aos preceitos constitucionais e democracia. Aparentemente, Bolsonaro optou por governar com sua base de apoio, mas para que isso persista, seria fundamental bons resultados na economia” avaliou.

Para o estrategista, essa situação de rompimento vai gerar muitos ruídos numa semana já complicada pelo feriado de amanhã.

Tendência

De acordo com Bandeira, com os mercados no exterior fracos, a tendência é de Bovespa também enfraquecida e ainda descontando esse efeito político e feriado, além dos preços disfuncionais do petróleo afetando Petrobras.

“O dólar também deve ficar pressionado, assim como os juros dos DIs” concluiu.