PIB da zona do euro tem queda recorde de 12,1% no trimestre

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Pixabay

O Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro teve queda de 12,1% no segundo trimestre. O resultado veio ligeiramente pior do que o projetado pelo mercado, que era de recuo de 11,2%.

A informação foi divulgada nesta sexta-feira (31) pelo Eurostat, escritório oficial de estatísticas da União Europeia.

Na União Europeia, o recuo do PIB foi de 11,9%. Tanto na zona do euro quanto na União Europeia, os resultados foram os piores já registrados na série histórica, que teve início em 1995.

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Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, a queda foi de 15% na zona do euro. A expectativa era por queda de 13,9%. Na União Europeia, o tombo foi de 14,4%.

Comparativamente, no primeiro trimestre de 2020, quando a crise do coronavírus foi parcialmente captada pelos números (a pandemia teve início em março), o PIB diminuiu 3,6% na zona do euro e 3,2% na União Europeia.

PIB zona do euro

Reprodução/Eurostat

PIB da zona do euro: Espanha entra em recessão

Entre os países com dados disponibilizados pelo Eurostat, a Espanha registrou a maior queda no PIB: 18,5%. E entra oficialmente em recessão, segundo os critérios técnicos, após dois períodos consecutivos de queda no PIB. O país teve contração de 5,2% no primeiro trimestre. A Espanha é, hoje, a quarta maior economia da zona do euro.

Depois da Espanha, o país que registrou maior queda no PIB foi Portugal (-14,1%), seguido por França (-13,8%). A Alemanha recuou 10,1%. E a Itália teve queda de 12,4%.

A Lituânia foi o país com a menor queda do PIB: 5,1%.

Novo avanço do coronavírus preocupa

Os declínios recordes na atividade decorrem, claramente, da crise do coronavírus, já que o trimestre abrange o período mais crítico da economia europeia.

Com as medidas de isolamento social impostas para conter o avanço do vírus, houve mudança nos gastos das empresas e dos consumidores, além de uma queda acentuada no turismo.

Para piorar, a crise de saúde foi mais grave nos países menos resilientes economicamente, o que forçou os líderes da União Europeia a se unirem em um pacote conjunto de ajuda, nova valor de 750 bilhões de euros, que serão viabilizados por meio de doações e de empréstimos.

O Banco Central Europeu também lançou um pacote emergencial de 1,35 trilhão de euros para conter o choque econômico, com foco principalmente no sul da Europa, onde estão os países mais atingidos.

No entanto, com o relaxamento das medidas de isolamento, a Europa vem registrando novos casos de Covid-19. O continente vive, agora, o período de férias de verão. E praias, bares e restaurantes lotados contribuem para a ameaça da “segunda onda” da doença.

Índice de Preço ao Consumidor

Outro dado divulgado hoje pelo Eurostat foi o Índice de Preços ao Consumidor, indicador de inflação na região. Ele ficou em 0,4% em julho, com avanço de 1,2% na comparação com o mesmo mês do ano passado. A meta de inflação na zona do euro é de 2%.