PIB chinês tem queda de 6,8% no trimestre, a primeira desde 1992

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
1

Crédito: Reprodução/Pixabay

O Produto Interno Bruto (PIB) chinês caiu 6,8% no primeiro trimestre de 2020, na comparação com o mesmo período de 2019.

A queda, revelada nesta sexta-feira (17) pelo Bureau Nacional de Estatísticas da China, é inédita na história chinesa.

A contração no primeiro trimestre é o primeiro declínio desde 1992, quando os registros trimestrais do PIB começaram a ser realizados. Isto apesar de “os números oficiais chineses sempre sempre questionáveis”, ressalta a Reuters em reportagem.

A previsão dos analistas era de que o PIB chinês encolhesse 6,5%. No trimestre anterior, a economia da China havia registrado um avanço de 6% (de setembro a dezembro de 2019).

Coronavírus explica queda no PIB

A explicação para a queda brusca do PIB está na pandemia de coronavírus. Desde final de dezembro do ano passado o país luta contra a expansão do vírus.

A partir de janeiro, foram implantadas paralisações e quarentenas em larga escala para limitar o contato humano e, assim, conter a propagação do coronavírus. O país fechou suas fronteiras, impedindo o comércio internacional, e paralisou praticamente toda atividade industrial e comercial.

Agora, “a China enfrenta novas dificuldades e desafios para reiniciar a atividade e a produção”, afirmou em coletiva de imprensa o porta-voz do Bureau Nacional de Estatísticas, Mao Shengyong, segundo a CNBC.

Outros dados econômicos

O Bureau Nacional de Estatísticas da China também trouxe outros dados relevantes da economia:

  • A produção industrial caiu 8,4% no primeiro trimestre. Apenas em março, a queda foi de 1,1%.
  • O investimento em ativos fixos caiu 16,1% no primeiro trimestre.
  • As vendas no varejo caíram 19% no período.
  • As vendas de bens de consumo caíram 15,8% em março.
  • As vendas online de bens físicos aumentaram 5,9% em março.
  • A taxa de desemprego urbano em março foi de 5,9%. O resultado é menor do que o de fevereiro, quando foi registrado recorde de 6,2%.

Para o economista Bo Zhuang, entrevistado da CNBC, no entanto, os dados de março são questionáveis, porque este foi o mês em que as atividades foram realmente retomadas no país.

“O que é realmente importante observar é que, antes de março, todo mundo esperava que a China tivesse uma recuperação em forma de V, que tudo se revelaria apenas um problema na interrupção do fornecimento”, diz.

“No entanto, estamos observando um choque de demanda. Mesmo após os bloqueios terem sido suspensos, as pessoas estão cautelosas em consumir. Os shoppings estão abertos, mas não há consumo”, analisa.

Projeções do FMI para o PIB

De acordo com projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia da China deve crescer cerca de 5% em 2020 e em 2021 também.

Já uma pesquisa da Reuters aponta PIB de 2,5% para este ano. Em 2019, o crescimento da economia foi de 6,1%.