PIB brasileiro pode encolher 8%, de acordo com Banco Mundial

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: lkzmiranda por Pixabay

O Banco Mundial prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro pode encolher 8% em 2020, por conta da pandemia do novo coronavírus. Essa seria a maior contração da economia em 120 anos de dados compilados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O mundo inteiro, porém, vai ser afetado. O Banco Mundial prevê uma queda de 5,2% na economia mundial.

“A pandemia do Covid-19 se espalhou com velocidade alarmante, infectando milhões e deixando a atividade econômica quase paralisada, já que os países impuseram restrições rígidas ao movimento, para impedir a propagação do vírus”, começa o Banco em seu relatório. “Os danos econômicos já são evidentes e representam o maior choque econômico que o mundo sofreu em décadas”.

As perspectivas econômicas globais de junho de 2020 descrevem o impacto da pandemia e os danos de longo prazo que ela causou às expectativas de crescimento.

“A previsão da linha de base prevê uma contração de 5,2% no PIB global em 2020, usando pesos da taxa de câmbio do mercado – a recessão global mais profunda em décadas, apesar dos esforços extraordinários dos governos para combater a recessão com o apoio de políticas fiscais e monetárias”, aponta o relatório.

“No horizonte mais longo, espera-se que as profundas recessões desencadeadas pela pandemia deixem cicatrizes duradouras por meio de investimentos mais baixos, uma erosão do capital humano por meio de trabalho e educação perdidos e fragmentação dos vínculos globais de comércio e fornecimento”, explica.

Banco Mundial alerta para “vulnerabilidades assustadoras”

O Banco Mundial alerta que a crise “destaca a necessidade de ação urgente para amortecer as consequências econômicas e de saúde da pandemia, proteger populações vulneráveis e preparar o terreno para uma recuperação duradoura”.

Para os mercados emergentes e os países em desenvolvimento, muitos dos quais enfrentam “vulnerabilidades assustadoras”, é “essencial” fortalecer os sistemas de saúde pública, analisa a instituição internacional, além de “enfrentar os desafios colocados pela informalidade e implementar reformas que apoiarão um crescimento forte e sustentável quando a crise da saúde diminuir”.

PIB diminuirá na maioria dos países

Espera-se que a pandemia mergulhe a maioria dos países em recessão em 2020, com maior contração da renda per capita desde 1870.

Não só os países em desenvolvimento sofrerão em 2020, mas prevê-se que as economias avançadas encolherão 7%. “Essa fraqueza se espalhará para as perspectivas dos mercados emergentes e das economias em desenvolvimento, que devem contrair 2,5% quando enfrentarem seus próprios surtos domésticos do vírus. Isso representaria a exibição mais fraca desse grupo de economias em pelo menos sessenta anos”, alerta.

Todas as regiões estão sujeitas a reduções substanciais de crescimento, diz o Banco Mundial.

O leste da Ásia e o Pacífico podem ser a exceção, por terem combatido com eficiência os efeitos da pandemia, mas crescerão em escassos 0,5%.

O Sul da Ásia vai terminar 2020 negativo em 2,7%. A África Subsaariana, 2,8%. O Oriente Médio e o Norte da África cairão em média 4,2%. A Europa e a Ásia Central, 4,7%. E a América Latina, o atual epicentro da pandemia, 7,2%.

“Espera-se que essas crises revertam anos de progresso em direção às metas de desenvolvimento e levem dezenas de milhões de pessoas à extrema pobreza”, diz o relatório.

A incerteza

Os países emergentes contam com um cenário que pode dificultar ainda mais o enfrentamento do problema: pressão sobre os sistemas de saúde fracos, perda de comércio e turismo, remessas em queda, fluxos de capital moderados e condições financeiras apertadas em meio a dívidas crescentes.

A dívida bruta do Brasil pode chegar a 94% do PIB. De acordo com o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, o ajuste fiscal “ficará de lado” em 2020 e “voltará somente no próximo ano”.

Mesmo esse quadro sombrio ainda se baseia numa incerteza: quando a crise vai passar em cada região e, especialmente, no Brasil.

Com os números subindo diariamente, o governo federal não apresentou um único projeto de mitigação do problema sanitário. A questão econômica enfrenta problemas burocráticos e de capacidade de gestão para que os dinheiro aprovado chegue a quem precisa – trabalhadores e pequenos e médios empresários.

Pior, estados e municípios começam a ceder à pressão exercida por grupos da sociedade e flexibilizam uma quarentena que jamais foi exatamente restritiva como em países europeus, em especial a Itália, França, Alemanha e Espanha. A abertura do comércio com números elevados pode causar uma piora substancial nos próximos meses, forçando novamente um fechamento da economia e novos impactos.

“O ritmo acentuado das reduções das previsões de crescimento global aponta para a possibilidade de mais revisões descendentes e a necessidade de ação adicional por parte dos formuladores de políticas nos próximos meses para apoiar a atividade econômica”, prevê o Banco.

Custo humanitário

Enquanto o Brasil caminha de costas para a ciência e vê o mundo se acertando, o Banco Mundial aponta para um problema ainda maior: o custo humanitário.

“Um aspecto particularmente preocupante das perspectivas é o custo humanitário e econômico que a recessão global cobrará das economias com extensos setores informais que representam um terço estimado do PIB e cerca de 70% do emprego total nos mercados emergentes e nas economias em desenvolvimento. Os formuladores de políticas devem considerar medidas inovadoras para fornecer suporte de renda a esses trabalhadores e apoio de crédito a esses negócios”, diz.

Retomada

A análise do Banco Mundial pressupõe que a pandemia recua de forma que as medidas domésticas de mitigação possam ser levantadas até o meio do ano nas economias avançadas e depois nos países em desenvolvimento, que os efeitos colaterais adversos no mundo diminuem durante o segundo semestre de 2020 e que as crises financeiras sejam evitadas.

Ou seja, no melhor dos cenários o crescimento global é retomado em 2021, com crescimento de 4,2%. Para o Brasil, a previsão de crescimento em 2021 é de 2,2%.

“A coordenação e a cooperação globais – das medidas necessárias para retardar a propagação da pandemia e das ações econômicas necessárias para aliviar os danos econômicos, incluindo o apoio internacional – oferecem a maior chance de alcançar as metas de saúde pública e permitir uma recuperação global robusta”, encerra o Banco Mundial.