PIB Brasil, produção industrial, Livro Bege e payroll agitam semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Foto: Economia brasileira pode retrair 4,4% esse ano, estima FGV

A semana será mais curta, com feriado na quinta no Brasil e na segunda nos Estados Unidos. Mas o período será movimentado e reserva a divulgações de índices aguardados do mercado. Entre os anúncios, o mais esperado é o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro do primeiro trimestre, que sairá na próxima terça (1º).

As previsões do mercado estão otimistas em relação aos números do PIB: indicam crescimento num patamar entre 4% e 5% para este ano.

Às vésperas do PIB do 1º trimestre, mercado revisa projeções de crescimento em 2021

PMI, produção industrial e IPO

Além do PIB, saem esta semana indicadores importantes para observar o comportamento da economia do país, em meio à pandemia.

Na terça será divulgado, pelo IHS Markit, o índice dos gerentes de compras (PMI na sigla em inglês) industrial do Brasil de maio.

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Na quarta (2), é a vez da produção industrial brasileira, reportada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de abril.  O indicador costuma influenciar o desempenho da bolsa e o comportamento dos juros futuros.

Na sexta (4) os investidores estarão de olho no Índice PMI do setor de serviços de maio.

A terça terá ainda o resultado do saldo da balança comercial do Brasil em maio, com dados apurados pelo Ministério da Economia.

Também no mercado doméstico, estará no radar do mercado a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). da Dotz, que, após adiamento no início de maio, é previsto para acontecer nesta segunda (31).

Mercado externo

O mercado externo tem outros pontos de atenção na semana. Um deles é a divulgação do Livro Bege, documento elaborado pelos dirigentes do Fed (Federal Reserve), o banco central americano,  que faz análises sobre o momento da economia do país.

O texto pode dar indicativos do próximo anúncio do Fed sobre a taxa de juros dos EUA em um cenário de perspectiva de alta inflacionária. Isso porque o núcleo do PCE, medida principal do Fed para acompanhar a variação dos preços, subiu 3,1% na base anual, ante 1,9% de março. A expectativa era por leitura de 2,9%.

Aguarda-se também, na sexta, o próximo relatório do mercado de trabalho, com os dados do payroll de maio. O relatório é divulgado pelo Departamento do Trabalho dos EUA.

A semana tem mais:  nos EUA sai na quinta outro dado importante sobre emprego, o ADP (criação de empregos do setor privado). O país anuncia também nesta semana os números do PMI industrial, composto e de serviços.

A Zona do Euro terá o resultado da inflação pelo IPC (Índice de preços ao consumidor mensal) de maio, além de informações consolidadas do PMI composto e de serviços de maio, taxa de desemprego e vendas no varejo de abril.

Bolsa de valores: após o recorde dos 125 mil pontos

A última semana de maio terminou com um recorde histórico. A bolsa de valores atingiu patamar, nesta sexta-feira (28), de 125.561,37 pontos, um avanço de 0,96% em relação à quinta, acumulando na semana um ganho de 2,42% — e, em maio, caminha para mais de 5%, no terceiro mês de alta no ano.

Num dia de otimismo no mercado financeiro internacional, a bolsa de valores recuperou-se das quedas recentes e conseguiu superar o nível recorde registrado no início do ano. O dólar aproximou-se de R$ 5,20 e encerrou no menor nível em mais de quatro meses.

Na sexta, o indicador iniciou o dia próximo da estabilidade, mas disparou depois de a agência de classificação de risco JPMorgan melhorar as recomendações de compras das ações da Petrobras.

Os papéis ordinários (com voto em assembleia de acionistas) subiram 5,78%. As ações preferenciais (com preferência na distribuição de dividendos) valorizaram-se 4,17%. Como os papéis da Petrobras são os mais negociados no Ibovespa, têm peso significativo no indicador.

O Ibovespa está no maior nível desde 8 de janeiro deste ano, quando tinha fechado aos 125.077 pontos. O indicador acumula alta de 5,7% em maio e de 5,5%  de em 2021.

Biden: injeção de US$ 6 trilhões

Após os números recordes da sexta, o mercado começa a semana de olho nos EUA. Apesar da alta da inflação norte-americana em abril, que reforça a expectativa de um aumento de juros na maior economia do planeta em 2022, a injeção de US$ 6 trilhões em gastos públicos anunciado pelo presidente Joe Biden contribuiu para a queda do dólar em todo o planeta.

O plano, lembra o BTG Pactual, prevê que o déficit fiscal chegue a US$ 1,84 trilhão e que a dívida pública alcance 111,8% do PIB. O plano precisa ainda do aval do Congresso

Mais dólares circulando no mundo reduzem a cotação da moeda.

No Brasil, a divulgação de que o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) acelerou em abril, aumentou as apostas de que o Banco Central brasileiro continuará a elevar a taxa Selic (juros básicos da economia) nas próximas reuniões. Juros mais altos no Brasil estimulam a entrada de capitais externos, puxando para baixo a cotação do dólar.

Ganhos em Nova York

Em Nova York, ganhos também foram vistos na sexta (embora foram sendo minguados no decorrer da sessão), em um momento que os mercados assimilam os dados econômicos, que vão da performance da criação de empregos à prévia da inflação.

As ações em Wall Street subiram, em meio ao otimismo crescente sobre a recuperação econômica dos EUA. Bom, não se trata apenas de otimismo e, muito menos, um otimismo infundado.

Mesmo com a inflação ao consumidor nos Estados Unidos, medida pelo PCE, tendo acelerado acima da projeção em abril, mas nem tanto quanto se temia.

Enquanto isso, a taxa de poupança permaneceu elevada em 14,9% no mês passado, enquanto os gastos dos consumidores subiram 0,5%, em linha com as estimativas.

“Este relatório coloca o Fed em uma posição muito boa, a inflação está alta, mas os rendimentos reais ainda estão baixos. Este é basicamente o ponto ideal transitório”, disse Jamie Cox, sócio-gerente do Harris Financial Group, para a CNBC.

Os movimentos de alta na semana anterior ocorreram em um momento em que os investidores monitoram o vaivém em Washington sobre outro pacote — o de infraestrutura abrangente, que pode impulsionar ainda mais a recuperação econômica. Os republicanos do Senado revelaram na quinta (27) uma contra-oferta de infraestrutura de US$ 928 bilhões a Joe Biden, que pediu US$ 1,7 trilhão. Há muita discussão ainda sobre a mesa.

De acordo com o time Macro Research do BTG Pactual digital, a aceleração nos preços ao consumidor observada nos últimos meses é reflexo dos impactos do pacote fiscal de incentivo à retomada da economia norte-americana.

Além disso, o forte ritmo de vacinação nos EUA está permitindo a flexibilização das medidas de restrição de mobilidade social, o que estimula a demanda interna e adiciona maior pressão sobre os preços.

É um momento bom para os mercados, especialmente diante dos dados econômicos e do emprego e da prévia do PIB, mesmo abaixo da expectativa.

Indicadores, CPI e Eletrobras (ELEt6) no radar

Mas, como lembra o Traders Club, a força das bolsas será colocada à prova no próximo mês. Com a primeira semana de junho mais curta com feriado segunda nos EUA e quinta no Brasil, de Corpus Christi, as atenções se voltam para a análise do Livro Bege, os índices dos gerentes de compras, os PMIs da indústria e dos serviços, o payroll de maio e o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell.

No Brasil, diz ainda a análise do Traders Club, é preciso acompanhar — além dos dados do PIB, PMIs e produção industrial — o comportamento dos preços das commodities e atividade mais forte devem sustentar a bolsa à espera da decisão de juros do Copom, no próximo dia 16.

Além disso, os investidores monitoram o prosseguimento das reformas tributária e administrativa.  Mais: a privatização da Eletrobras no Congresso terá desdobramento importante nas próximas semanas.

O ambiente, no entanto, indica alguns riscos: a terceira onda de Covid-19 é um deles, com a lentidão na vacinação e a variante indiana rondando o país. A semana anterior terminou ainda com a possibilidade de uma crise hídrica e o medo de apagões ou de racionamento de energia.

A CPI da Covid mantém o clima tenso em Brasília e a disputa presidencial para 2022 ganha mais atenção no noticiário político. Existe ainda o receio de descontrole fiscal com mais gastos no horizonte em razão das medidas sociais. Há melhora significativa na percepção do mercado sobre o risco fiscal, após o superávit robusto em abril, mas o quadro vai merecer atenção em junho.

PIB Brasil

Indicador mais aguardado da semana no país, o PIB do primeiro trimestre, que sai na terça, sairá sob expectativa esperançosa.

Lembrando: o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 3,2% no quarto trimestre de 2020, acima do esperado pelo mercado, mas fechou 2020 com tombo de 4,1%. O recuo é o maior já registrado desde o início da série histórica, em 24 anos. Em valores correntes, o PIB fechou o ano fechou com R$ 7,4 trilhões. A expectativa do mercado era de alta de 2,8% no trimestre e queda de 4,2% em 2020.

Para o PIB do primeiro trimestre de 2021, segundo levantamento do Estadão com 35 instituições, a média de crescimento passou de 3,2% para 3,8%. O Credit Suisse revisou a projeção para 4%, enquanto Itaú Unibanco espera algo entre 4% e 5%.

A UBS passou a apostar em uma alta de 4,5%. Já a XP Investimentos espera alta de 4,1% e a XP Asset, de 4,7%.

A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia divulgou em 18 de maio seu Boletim Macro Fiscal. O documento, apresentado a cada dois meses, revela as projeções com que a equipe econômica trabalha para os principais indicadores do país.

A projeção de crescimento do PIB para 2021 aumentou de 3,2% para 3,5% relativo ao último boletim, divulgado em março. Com destaque para a expectativa de bom resultado da atividade econômica no primeiro trimestre, mesmo diante das novas medidas de distanciamento para contenção da pandemia e a despeito do fim do auxílio emergencial.

O setor de serviços (PMS/IBGE) tem apresentado recuperação em 2021 e está mais próximo do nível pré-crise. Além de ser o setor mais relevante da economia, também é o mais impactado pela pandemia. Ainda assim, o setor cresceu 2,8% no primeiro trimestre em relação ao trimestre anterior.

Para 2022-2025, a projeção de aumento da atividade econômica se manteve em 2,5%.

“A vacinação em massa, a consolidação fiscal e as reformas pró-mercado, todas em curso, pavimentarão o caminho para um crescimento sustentável que dê suporte a emprego, renda e maior nível de bem-estar da população brasileira”, aponta o documento.

Sobre o panorama global, o documento destaca que a projeção do PIB melhorou em diversos países, apesar de as incertezas continuarem elevadas, “com efeitos econômicos, sanitários e educacionais relevantes no curto e no longo prazos”.

Nos últimos meses, observa-se maior dessincronização na retomada do crescimento nos países. Para as maiores economias, as projeções de crescimento se elevaram, com destaque para as revisões positivas de mercado para o PIB em 2021 dos Estados Unidos e do Reino Unido. A projeção para a China aumentou marginalmente (0,3 p.p.), enquanto a estimativa para a União Europeia reduziu-se em relação ao mês de janeiro de 2021.

No último relatório Focus, a expectativa para o PIB subiu de 3,45% de uma semana atrás para 3,52%. Há um mês, era de 3,09%.

Entenda o que é o PIB

PIB: percepção de crescimento econômico

E por que o otimismo com o PIB que sai na terça? Segundo matéria publicada no Estadão, o mercado tem percepção de que o crescimento econômico em 2021 é sólido. Muitas projeções chegam a amento de 5,0%.

O que mais impulsiona esse crescimento são indicadores positivos da atividade econômica, mesmo em março, quando aguardava-se um recuo expressivo durante a escalada da pandemia ao lado das medidas de restrições à circulação de pessoas e ao fechamento de serviços não essenciais.

Impactos da retomada global e, diz o Estadão, da volta mais rápida da mobilidade após decretos de isolamento também contribuem para a espera de um resultado animador do PIB.

O Monitor do PIB, calculado pela FGV, aponta crescimento de 1,7% na atividade econômica no 1º trimestre, em comparação ao 4º trimestre de 2020 e retração de 2,1% em março, em comparação a fevereiro. Na comparação ano a ano, a alta é de 1,6% no 1º trimestre e de 5,2% em março.

De acordo com Claudio Considera, coordenador da pesquisa, o desempenho positivo da economia no 1º trimestre surpreendeu. “Este crescimento foi observado tanto nos três grandes setores de atividade, quanto nos componentes da demanda. No entanto, na comparação mensal, o fraco desempenho de março, frente a fevereiro mostra a fragilidade deste crescimento dado o acirramento das medidas de isolamento social em diversas cidades brasileiras”, ele afirma.

O Banco Central divulgou em 13 de maio o IBC-Br, Índice de atividade econômica considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB).

Em março, o indicador recuou 1,59%, resultado bem melhor do que a queda de 3,3% projetada pelo mercado. Na comparação anual, com março de 2020, o índice subiu 6,26%, também acima da projeção de 5,9%.

No trimestre, há avanço de 2,3%. E, em 12 meses, queda de 3,37%. O IBC-Br sinaliza mensalmente como será o desempenho do primeiro trimestre da economia brasileira – o dado oficial é divulgado trimestralmente pelo IBGE.

O Estadão citou ainda a projeção do PIB feita pelo Banco Fibra, revisada para 5,0%, contra 4% calculada anteriormente.

Receitas públicas

O Fibra, de acordo com o Estadão, explicou o valor mais alta em relatório, mencionando  a “resiliência” da economia em meio aos números mais altos e o momento mais grave da pandemia de covid-19 no primeiro trimestre — apesar da vacinação lenta. O Fibra justificou ainda à reportagem do jornal paulista a revisão elevada com a taxa de juros real, além da “recuperação do mercado de trabalho e cenário externo bastante favorável, além do câmbio depreciado favorecendo o setor externo.”

Segundo o time Macro Research do BTG Pactual digital, o resultado elevado nesse período,
apesar do impacto negativo das medidas mais restritivas de distanciamento social, as receitas públicas seguem surpreendendo positivamente, resultado de uma combinação entre atividade econômica acima do esperado, aceleração da inflação, depreciação cambial e bom desempenho do setor de commodities.

PMIs no Brasil

Saem nesta semana outros dados aguardados pelo mercado. Os PMIs industrial, composto e de serviços monitoram a atividade econômica e têm sempre atenção de investidores.

O IHS Markit informou que, em abril, a indústria brasileira iniciou o segundo trimestre perdendo força. Os impactos negativos das restrições e isolamento social devido à pandemia se mantiveram na maior parte dos estados. Entretanto, houve aumento de empregos, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).

Conforme a pesquisa, o PMI do setor industrial brasileiro caiu a 52,3 em abril, de 52,8 em março. Contudo, ainda acima da marca de 50, que separa crescimento de contração.

Apesar da perda de força, o emprego no setor industrial aumentou no mês. Algumas empresas buscaram repor funcionários dispensados por causa da pandemia. Outras contrataram por preverem condições econômicas melhores no médio prazo.

“Embora os resultados do PMI para abril mostrem mais contrações nas encomendas e da produção no Brasil, as taxas de redução foram mais fracas do que em março. Além disso, as empresas contrataram funcionários e se mostraram mais otimistas em relação ao cenário”, destacou a diretora associada do IHS Markit, Pollyanna De Lima.

Espera-se um índice um pouco melhor em maio. O consenso do mercado sugere que o número vai subir para 53. indicando melhora na atividade.

A IHS Markit divulgou também em maio o PMI (Índice de Gerente de Compras) de serviços e composto de abril. Segundo a pesquisa, a intensificação da pandemia levou o setor de serviços a se aprofundar na contração em abril. Isso se deve à produção em mínima de nove meses.

O PMI de serviços do Brasil caiu para 42,9 em abril, de 44,1 em março. O valor indica a maior contração da produção desde julho de 2020, ainda que menos pronunciada que as perdas vistas no início da pandemia.

As empresas que citaram redução mencionaram, de acordo com a pesquisa, fechamento de negócios e restrições. Com o aumento nos números de casos de coronavírus, levaram o índice ainda mais abaixo da marca de 50. O valor separa o crescimento de contração.

O setor de  indústria se encontra perto de uma estabilização, mas a contração de serviços levou o PMI Composto sobre a atividade no setor privado a 44,5 em abril, de 45,1 no mês anterior. Essa foi a quarta redução seguida e a contração mais forte desde junho de 2020.

“O declínio mais rápido da atividade no setor de serviços em abril reflete amplamente restrições mais duras contra a Covid-19. A confiança também piorou em todos os segmentos”, destacou a diretora associada do IHS Markit, Pollyanna De Lima.

A demanda por serviços continuou a piorar em abril. Foi o quarto mês seguido de queda nos novos negócios e no ritmo mais forte desde meados de 2020.

Assim como na produção, as vendas caíram em todos os cinco subsetores monitorados. Em ambos os casos o cenário foi pior em empresas de Serviços ao Consumidor.

A demanda internacional também deteriorou, com os entrevistados citando menos turismo e maiores restrições contra a Covid-19.

O consenso para maio indica 45 pontos para o PMI composto e 43 para o de serviços, revelando uma ligeira melhora.

Produção industrial

Mais um indicador terá atenção do mercado. Os dados da produção industrial de abril serão conhecidos na quarta (2).

A produção industrial recuou 2,4% em março, no segundo mês consecutivo de queda. O recuo foi puxado principalmente pela queda de 8,4% na produção de veículos automotores, reboques e carrocerias.

Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal, do IBGE.

Com os resultados desse mês, o setor industrial encontra-se 16,5% abaixo do patamar recorde registrado em maio de 2011. A indústria acumula no ano crescimento de 4,4% e, nos últimos 12 meses, queda de 3,1%.

Para abril, contudo, o mercado estima um avanço de 0,9%, após a retomada de atividades em boa parte do país com a flexibilização das medidas contra a pandemia.

Livro Bege

Em meio a notícias de indicadores com avanço da inflação sai na quarta o Livro Bege. O documento do Fed mexe com os mercados e pode trazer algum impacto em razão dessa alta de preços, a depender, claro, da análise dos dirigentes do Fed.

Em abril, o Livro pontuava que a economia dos EUA crescia mais rápido no início da primavera (em março), embora em ritmo moderado, e mais empresas procuraram contratar novos trabalhadores, mostrou uma pesquisa do Federal Reserve. Mas a inflação também aumentou e as empresas enfrentaram escassez que está impedindo a produção.

“A atividade econômica nacional acelerou moderadamente do final de fevereiro ao início de abril”, de acordo com a pesquisa do Federal Reserve, no Livro Bege. O levantamento cobriu as seis semanas anteriores a 5 de abril.

Isso ocorreu porque os gastos dos consumidores melhoraram em todo o país depois que Washington enviou cheques de estímulo de US $ 1.400 para a maioria dos americanos.

O que também ajudou, disse o Fed, foi um aumento nas contratações, que colocou mais pessoas de volta ao trabalho e aumentou a renda. Os EUA criaram mais de 900.000 novos empregos somente no mês de março.

Outro indicativo do que pede vir no Livro Bege está no último comunicado do Fed. Em 19 de maio, o banco central americano divulgou  ata do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), formado por dirigentes da instituição, sobre a última decisão da instituição.

Naquele encontro, realizado em 27 e 28 de abril, o Fed decidiu manter as taxas de juros entre zero e 0,25% e as compras de títulos em US$ 120 bilhões por mês.

O ponto central do comunicado da ata dizia respeito às expectativas de inflação do Banco Central americano. O Fed considera a alta do preços transitória. Os dirigentes observaram que a atividade econômica avançou acentuadamente nos EUA, mas segue longe de metas de inflação  e emprego.

De acordo com o documento do Fed, os dirigentes concordam em buscar inflação” moderadamente acima de 2% por algum tempo”.

Esperam-se mais dados sobre esse novo contexto inflacionário no documento que será divulgado na quarta.

Payroll

A semana termina com o divulgação do payroll. O país avançou na vacinação — mais de 60% da população adulta está vacinada. O estado, sob a administração de Joe Biden, pagou auxílio emergencial, mas um número considerável de americanos continua desocupado — como vem mostrando os últimos indicadores.

O payroll, folha de pagamentos oficial dos Estados Unidos, decepcionou em abril, ao registrar a criação de 266 mil vagas nesse mês.

O mercado esperava ansiosamente por um número próximo de 1 milhão de postos de trabalho.

Em fevereiro, foram criadas 770 mil vagas, corrigidas das 916 mil anunciadas anteriormente.

A taxa de desemprego subiu ao invés de cair, como previa o mercado: foi de 6% para 6,1%.

A expectativa era grande porque era o primeiro payroll que contempla o período pós o pacote de auxílio de US$ 1,9 trilhões de Joe Biden. E também já expunha o crescimento, ainda tímido, do mercado de trabalho após a forte campanha de vacinação e a reabertura da economia.

O relatório, divulgado pelo Departamento do Trabalho dos EUA, da próxima sexta pode — segundo consenso do mercado — ser um pouco melhor, com a criação de 650 mil vagas. Ainda não é o ideal, com uma taxa de desemprego em torno de 6%.

Veja os destaques da agenda ao longo da semana

Segunda-feira (31)

  • FGV: Sondagem de Serviços (maio), à 8h
  • FGV: Sondagem do Comércio (maio), às 8h
  • FGV: Confiança empresarial (maio), às 8h
  • 8h25: BC: Boletim Focus (semanal), às 8h25
  • Alemanha: Índice de preços ao consumidor (mai) – preliminar, às 9h
  • China: Índice PMI da indústria de transformação (maio), às  22h
  • IPO Dotz

*feriado nos EUA: mercados fechados

Terça-feira (1º)

  • Zona do Euro: Índice PMI Markit da indústria de transformação (maio), às 5h
  • Zona do Euro: Índice de preços ao consumidor – final (maio), às 6h
  • Zona do Euro: taxa de desemprego, às 6h
  • IBGE: Índice de Preços ao Produtor – indústrias de transformação (abril), ás 9h
  • IBGE: PIB (1° tri.), às 9h
  • Markit: Índice PMI da indústria de transformação (maio), às 10h
  • EUA: Índice ISM da indústria de transformação (maio), às 11h
  • MDIC: Balança comercial mensal (maio), às 15h
  • Fenabrave: Emplacamentos de veículos (maio)

Quarta-feira (2)

  • FIPE: IPC (mensal) (maio), às 5h
  • Zona do Euro: Índice de preços ao produtor mensal, às 6h
  • 9h: IBGE: Pesquisa Industrial Mensal (abril), às 9h
  • BC: Fluxo Cambial (semanal), às 14h30
  • EUA, Fed: Livro Bege, às 15h
  • Fluxo cambial mensal (maio), ás 15h
  • produção de veículos Anfavea

Quinta-feira (3)

  • Alemanha: Índice PMI Markit composto (maio), às 4h55
  • Zona do Euro: Índice PMI Markit composto (maio), às 5h
  • Reino Unido: Índice PMI composto (mai), 5h30
  • EUA: Geração de vagas de trabalho – pesquisa ADP (maio), às 9h15
  • EUA: Pedidos de auxílio desemprego (semanal), às 9h30
  • EUA: Índice ISM do setor de serviços (maio), às 11h

* feriado Corpus Christi, mercados fechados no Brasil

Sexta-feira (4)

  • Zona do Euro: vendas no varejo (maio), às 6h
  • EUA: Variação na folha de pagamentos (maio), às 9h30
  • EUA: Taxa de desemprego (maio), às 9h30
  • Markit: Índice PMI do setor de serviços (maio), às 10h
  • Markit: Índice PMI composto (maio), às 10h

*Com Agência Brasil, BDM Online, BTG Pactual, Traders Club