PIB Agro para 2021 é revisto de 2,2% para 2,6% pelo Ipea

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Valter Campanato / Wikimedia Commons

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou para cima a nova projeção do valor adicionado do setor agropecuário para 2021.

Conforme os dados divulgados nesta quarta-feira (23), os pesquisadores revisaram de 2,2% para 2,6% a previsão de crescimento do PIB do setor para este ano, na comparação com 2020, com crescimento de 2,7% para a produção vegetal e 2,5% para a produção animal.

O que motivou a revisão para cima foi a melhora no resultado esperado de itens importantes. Isso ocorreu tanto na produção vegetal como animal no ano. Os principais riscos dessa projeção de crescimento estão relacionados à crise hídrica. Ou seja, pode haver prejuízos a mais do que o previsto à produção vegetal. E também ao segmento da pecuária de bovinos, que ainda tem incertezas relativas à oferta e à demanda.

Na produção vegetal, para o qual se projeta crescimento de 2,7% no ano, há queda esperada da produção de importantes culturas. Entre elas, o café (-21,0%), algodão (-19,7%), milho (-3,9%) e cana de açúcar (-3,1%).

Entretanto, não é suficiente para comprometer o bom desempenho geral da agricultura sustentada nas altas da produção de soja (9,4%), do arroz (2,8%) e do trigo (27,9%).

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Na produção animal, alta esperada de 2,5% no ano, há projeção de crescimento da produção de todos os segmentos. Bovinos (0,9%), suínos (6,8%), aves (6,5%), leite (3,2%) e ovos (2,3%).

Contudo, apesar de positivo, o desempenho da carne bovina ficou aquém do esperado. Mas foi compensado pela forte alta de suínos e aves.

“A produção de suínos e frangos foi impulsionada pelo aumento do consumo em substituição ao da carne bovina, que permanece com preço elevado e oferta limitada de animais para abate”, explicou Pedro Garcia, um dos autores do estudo e pesquisador associado do Ipea.

Riscos do setor levantados pelo Ipea

Além disso, o levantamento trata ainda dos principais riscos relacionados ao setor. No caso da produção vegetal, a ocorrência de choques climáticos adversos no Centro-Sul e a possibilidade de adoção de medidas restritivas ao uso da água para a lavoura pode afetar negativamente as estimativas para alguns produtos. Tais medidas são em função da necessidade de poupar o recurso para a geração de energia hidroelétrica.

No que diz respeito à produção animal, o risco continua sendo uma possível frustração na projeção de crescimento da produção de bovinos. Esta pode ser impactada por uma recuperação na oferta de animais mais lenta do que o projetado.

Por fim, o levantamento foi realizado com base nas estimativas do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA). A realização deste é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).