Petz (PETZ3): BTG inicia análise do ativo e recomenda compra

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução/Facebook

O BTG Pactual (BPAC11) iniciou a cobertura e análise de Petz (PETZ3), ativo que estreou em setembro na Bolsa de Valores. No primeiro relatório, o banco recomenda a compra das ações.

A Petz é uma das líderes no segmento de varejo pet no Brasil, vale hoje R$ 16,35 por ação, após alta de 4,14% no pregão de terça-feira, 20 de agosto.

Entretanto, o BTG tem como preço-alvo R$ 20,00 em 12 meses.

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O papel, segundo a análise, estreou oferecendo 27% de upside ao preço da ação e 45% ao preço do IPO (R$ 13,75).

Quatro pilares

“Nossa visão positiva se baseia em quatro pilares”, diz o banco.

Um deles é a exposição a um mercado grande, de alto crescimento e ainda fragmentado para produtos e serviços para animais de estimação.

Há ainda a solução one-stop-shop focada na experiência dos consumidores na loja, com ampla variedade de produtos e conveniência, com clínicas de higiene e veterinária.

Expansão da plataforma omnicanal, tornando a Petz mais competitiva em relação aos players regionais e mercados horizontais.

E, por fim, expansão nacional com melhoria de rentabilidade.

Petz em um mercado fragmentado

O setor ainda oferece um mercado fragmentado e sem um player dominante.

Mais de 50% estão nas mãos de pequenos pet shops e clínicas veterinárias locais.

“Os donos de animais de estimação passaram de “propriedade” para “paternidade”, cuidando dos animais de estimação como parte da família”, diz o relatório.

Assim, no Brasil, este é um setor que tem crescido 11% ao ano desde 2015.

Entretanto, há espaço para mais crescimento, especialmente à medida que o comércio eletrônico, que corresponde ainda a apenas 4% das vendas, ganha força.

A Petz já é uma das líderes no segmento de varejo pet e poderia assumir esse protagonismo que o mercado carece.

A empresa “foi capaz de se expandir nos últimos anos com a melhoria da produtividade, levando a melhores margens, especialmente fora de seu estado natal”, que é São Paulo.

Perspectivas de crescimento

O BTG vê boas perspectivas de crescimento da empresa.

A concorrência de plataformas de marketplace mais horizontais (Magazine Luiza e B2W) e um negócio ainda focado na venda de itens mais commoditizados (pet food = 50% das receitas) são riscos.

Entretanto, a execução da Petz nos últimos anos, escalando com sucesso suas operações de comércio eletrônico e o fragmentado mercado brasileiro de cuidados com animais de estimação sustentam a visão positiva dos analistas.

Os números destacados no relatório mostram isso.


Fonte: BTG Pactual

Um perfil da Petz

A Petz possui 110 lojas em 16 estados brasileiros e possui a maior rede veterinária do Brasil.

São 99 postos veterinários, sendo 7 hospitais no total.

Além da expansão nacional, que começou em 2015, a empresa também implantou uma estratégia omnicanal nos últimos anos, que agora é uma ferramenta poderosa para aumentar a penetração em novos mercados.

A Petz foi capaz de se expandir nos últimos anos com retornos melhores, tanto da margem EBITDA quanto da perspectiva do ROIC, com KPIs fora de seu estado natal ainda melhores do que em São Paulo.

“Isso foi um impacto direto da melhor produtividade dessas novas safras de loja”, diz o relatório.

A concorrência “mais amena” em algumas regiões contribuiu, mas a maior participação do comércio eletrônico nas vendas, com retirada na loja, foi determinante também.

Como dois terços das novas lojas serão abertas fora de São Paulo nos próximos anos, isso ganha ainda mais importância.

Serão 196 lojas até 2025.

Comércio eletrônico

O comércio eletrônico tem se destacado no segmento de cuidados para animais de estimação em todo o mundo.

Os EUA e a China registram uma taxa de penetração de 21% e 43%, respectivamente, sobre as vendas totais do setor.

O BTG lembra que um dos dilemas do comércio eletrônico em todo o mundo é se a concorrência das maiores plataformas impedirá o desenvolvimento de participantes de nicho.

Ademais, o tráfego e o sortimento ganham relevância para o consumidor.

Ou seja, fica mais difícil e mais caro para os menores e especializados se diferenciarem nesse universo.

Ao contrário dos EUA, onde Chewy e Amazon dominavam o mercado online no segmento de produtos para animais de estimação (combinados com 80% de participação de mercado), o Brasil ainda carece de um player dominante.

Entretanto, a Magazine Luiza (MGLU3) e a B2W (BTOW3) estão cada vez mais focados em aumentar o número de categorias em sua plataforma digital, incluindo produtos pet), não só para oferecer um sortimento mais amplo ao consumidor, mas também para aumentar a frequência.

Vale ressaltar que no caso da Petz a frequência de um consumidor omni é de quase 8 vezes por ano.

E não se trata apenas de focar estreitamente em uma categoria de produto e marca. É o foco nos níveis de serviço e no fornecimento de uma experiência superior que diferenciará os participantes de nicho das plataformas maiores.

“Embora possamos esperar alguma desaceleração no comércio eletrônico no próximo ano, o canal deve permanecer um pilar fundamental do caso de negócios da empresa”, diz o BTG.

Entregas rápidas

“De acordo com dados da Stackline”, segue o relatório, “as receitas de cuidados com animais de estimação dispararam durante a pandemia”.

“Os canais online testemunharam um aumento drástico em termos de popularidade e uso nos últimos 5 a 6 anos, principalmente regidos pela conveniência, custos de envio mínimos, ampla variedade de produtos e facilidade de comparação de preços e recursos”, informa.

Nesse sentido, a vasta base de lojas da Petz é uma vantagem competitiva para entregar mais rápido e mais barato do que mercados horizontais e até mesmo players especializados sem capilaridade nacional.

Por exemplo, oferece entregas expressas em 2 horas nas principais cidades e retirada na loja em 1 hora.

Mercado bom para cachorro

A natureza fragmentada do setor de pet care no Brasil significa que há ainda muito espaço para a empresa acelerar a abertura de suas lojas e alavancar a plataforma omnicanal para dimensionar a operação online.

Além disso, há potencial para aumentar a participação dos serviços, com clínicas veterinárias, nas vendas totais.

Apesar de ser uma das líderes do setor, a Petz possui apenas cerca de 4% do mercado no setor de cuidados para animais de estimação.

Analisando os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o BTG mapeou todas as cidades com mais de 100 mil habitantes no Brasil (incluindo os 16 estados onde a Petz possui lojas).

São 283 cidades e a Petz está presente em 60 delas.

Além da natureza fragmentada do mercado brasileiro de pet care, a Petz também se beneficia da crescente penetração do canal online e do modelo omnicanal sobre as vendas.

A pandemia ajudou a impulsionar as vendas online em 8% no final de 2019 para 26% no 2T20, e com a maioria das lojas abertas e com um desempenho decente neste período – as vendas totais cresceram 37% no trimestre.

Ou seja, há muito mercado ainda para a Petz crescer.

Riscos

A Petz está bem posicionada para explorar sua crescente base de lojas e para desenvolver a operação online.

Aliás, uma complementa a outra, já que o comércio eletrônico geralmente garante melhor produtividade na loja.

Entretanto, os concorrentes estão olhando para o crescente e fragmentado mercado de pet care de R$ 24 bilhões no Brasil.

Além dos players locais, que possuem um posicionamento mais fraco em relação ao Petz, dada a escala e operação, os players horizontais de e-commerce devem investir cada vez mais neste segmento.

Eles devem aproveitar também no seu amplo sortimento, embora muito menos especializado, em outras categorias, e no tráfego em suas plataformas.

Além disso, vale ressaltar a competição atual de outros fortes players, como Cobasi e Petlove.

Olhando para a indústria de alimentos para animais de estimação no Brasil, as três empresas têm cerca de 45% do mercado total, enquanto Cobasi e Petz têm uma participação de mercado combinada de 8% no varejo.

Ou seja, há pouco poder de barganha se comparada com gigantes nos EUA.