Petros, a criptomoeda venezuelana, passa a ser obrigatória na compra de combustível por companhias aéreas

Fernando Augusto Lopes
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Crédito: Reprodução / Ultimosegundo.ig

A implacável crise venezuelana chegou às companhias aéreas. O presidente Nicolás Maduro decretou nesta terça-feira (14) que a Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) fature o combustível que vende às companhias aéreas em petros (PTR). A petros é uma criptomoeda criada pelo governo local, que tem como garantia as reservas de petróleo da Venezuela, vetada e não-reconhecida pelos Estados Unidos e classificada como uma “farsa’ pelas plataformas de câmbio na Internet.

Maduro afirmou, em sua prestação de contas anual, que decreta “a venda em petros, a partir deste momento, de toda a gasolina que a PDVSA vende para aviões que cobrem as rotas internacionais”. O governo, porém, não esclareceu quais serão os mecanismos de comercialização do combustível.

A Petros

As criptomoedas não são emitidas por bancos centrais, nem controladas por governos, como é o caso do bitcoin e do ether. Na verdade, essa é a lógica das moedas virtuais. Entretanto, a Petro é bem diferente: ele é emitida pelo estado como forma de tentar superar uma crise que vem se arrastando desde 2013, com a inflação corroendo ferozmente a moeda local, o bolívar, e as pessoas tendo que recorrer ao dólar ou até mesmo ao escambo.

Em compensação, cada Petro que será emitido pelo governo venezuelano vai custar um barril de petróleo (US$ 60), na cotação em sua criação, em 2017. A expectativa era arrecadar até US$ 6 bilhões de investidores dos Estados Unidos, Turquia, Qatar e outros países, mas o projeto não decolou.

A moeda seria “aceita como forma de pagamento de impostos, taxas, contribuições e serviços públicos nacionais, tomando como referência o preço do barril venezuelano do dia anterior com um desconto”.

Na declaração mais recente, Maduro também decretou o uso obrigatório de criptomoeda para mais serviços públicos, como emissão de documentos – incluindo passaportes – e registros da venda de imóveis e veículos.

Atualmente, a Petro, assim como o barril de petróleo venezuelano, é cotado em euros no mercado internacional e custa entre €$53 e €$59 (cerca de R$265).

Êxodo

Desde 2013, a Venezuela enfrenta um êxodo de companhias aéreas, por dívidas estatais de US$ 3,8 bilhões, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).

Segundo a agência de notícias AFP, “isso se deve à falta de divisas para repatriar ganhos em bolívares no âmbito do controle cambial que governa o país, embora tenha sido flexibilizado nos últimos meses”.

Moeda indisponível

A Casa Branca proibiu a negociação com o petro. A medida faz parte das sanções contra o regime de Maduro.

Além disso, a moeda não está disponível em casas de câmbio virtuais, como acontece com as criptomoedas tradicionais. Sites de classificação de risco, como o icoindex.com, a chamam de “farsa”.

Para driblar o embargo, o governo venezuelano emitiu uma licença de 30 milhões de barris de petróleo para respaldar a criptomoeda, que tem seu valor estipulado de acordo com o preço do barril de petróleo venezuelano e de minerais exportados pelo país, como ferro, ouro e diamante.

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Segundo dados do próprio governo, a Venezuela tem 102,4 toneladas de ouro monetário em suas reservas (algo em torno de US$ 4,6 trilhões); e 1 trilhão de quilates de diamantes, na maior reserva certificada do mundo (equivalente a 136 bilhões de euros). Os dados não podem ser aferidos.

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