Petrolífera saudita divulga venda de 1,5% de ações e pode captar US$ 25 bilhões

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação/Saudi Aramco

A Saudi Aramco, estatal petrolífera da Arábia Saudita, anunciou a oferta pública inicial de 1,5% de ações (seu primeiro IPO) e pode captar um total de US$ 25 bilhões.

Se o valor for confirmado, será o maior IPO da história, superando o da empresa chinesa de comércio eletrônico Alibaba — que arrecadou, na bolsa de Nova York, em 2014, o equivalente a US$ 22 bilhões.

O anúncio foi feito neste domingo (17). A empresa saudita ofertou 3 bilhões de suas ações na bolsa de valores de Riad. O valor de mercado da empresa pode chegar a US$ 1,67 bilhão, abaixo do esperado de US$ 2 trilhões, aguardados pelo governo da Arábia Saudita.

Preço abaixo do esperado

A companhia, maior petrolífera do mundo, teve lucro, até setembro de 2019, de US$ 68 bilhões. Projeta um lucro, em 2020, de US$ 75 bilhões.

O país esperava que o IPO rendesse mais de US$ 100 bilhões, apesar de a oferta de ações ser feita em Riad e destinada à bolsa local e a investidores autorizados a comercializar na Saudi Stock Exchange (Tadawul).

Mas a baixa do petróleo e ataque, em setembro último, às refinarias da empresa, feitas por rebeldes do Iêmen apoiados, segundo os sauditas, pelo Irã, fizeram diminuir consideravelmente o preço total das ações. A empresa saudita diminuiu pela metade a produção de petróleo após as investidas de drones contra as instalações da Aramco. O lucro recuou em 30% comparado ao mesmo trimestre de 2018.

Diversificação

Riad quer utilizar a captação de recursos para diversificar os investimentos do país em indústrias que não produzem petróleo e reduzir a dependência do país à commodity.

O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman é tido como o autor da ideia de diversificar os investimentos do país. Salman, porém, é considerado o mandante do assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, opositor do governo saudita, editor-chefe da Al-Arab News Channel e colunista do Washington Post.  Khashoggi foi morto no consulado saudita em Istambul em setembro de 2018.

O episódio também teria manchado a notoriedade da empresa e fez cair o valor das ações, de acordo com a imprensa europeia e americana.

 

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